terça-feira, 23 de maio de 2017

Amargo, mas necessário

“O Brasil precisa investir recursos para oferecer serviços que funcionem e que ofereçam acompanhamento médico completo, proteção social, comida e trabalho para os dependentes.” 

As palavras de Gilberto Gerra, médico italiano e chefe do Departamento de prevenção às drogas e saúde das Nações Unidas, em entrevista à BBC Brasil, criticando a internação compulsória de usuários de crack, são a resposta cortês e politicamente correta para o problema das cracolândias nas grandes metrópoles brasileiras. No entanto, não refletem a realidade. São, na verdade, palavras de um discurso ideal que não atenuam a questão a curto e médio prazo.

Levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) em 4.430 dos 5.565 municípios do país revela que em 91% deles há consumo da droga. Nas regiões onde a incidência do consumo de crack é maior,foi verificado o aumento de assaltos, arrastões, latrocínios e assassinatos. 

Os centenas de usuários de crack que perambulam por cidades como São Paulo e Rio de Janeiro chegam a um estágio de dependência química tão elevado que vivem em condições sub-humanas e já perderam sua capacidade cognitiva de discernir sobre suas próprias vidas. Representam, portanto, uma ameaça aos demais transeuntes e a si mesmos. São casos em que o diálogo com um psicólogo ou um assistente social não têm eficácia. Precisam de tratamento médico intensivo. Precisam, acima de tudo, estar longe da droga e de seu ambiente de consumo para que quando crises de abstinência ocorrerem não se tornem recaídas. Por isso, sou favorável à política de internações compulsórias. É uma medida amarga que mostra-se necessária a curto prazo para atenuar o problema – que é urgente -,  proteger a população de possíveis ameaças e tratar adequadamente os dependentes.

O debate em volta de uma abordagem ideal impede que soluções pragmáticas sejam tomadas a fim de resolver essa terrível mazela.

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