quinta-feira, 27 de abril de 2017

O problema está no setor público

Acredito que qualquer pessoa minimamente instruída entenda a urgência e necessidade de se fazer uma reforma previdenciária no Brasil. Seja de esquerda ou de direita, políticos, militantes e as pessoas em geral devem entender o quão importante a reforma é. No entanto, governo nenhuma se atreve a a fazer uma reforma da previdência. Os entraves políticos, sociais e eleitorais são tão grandes que qualquer político se amedronta só de pensar em propor uma reforma da previdência. Neste texto, tentarei explicar e expor, com números e fatos, o porquê de a reforma ser tão importante, razão pela qual sou favorável a ela. 

Em 2015, o Brasil gastou R$ 708 bilhões com a Previdência Social. Algo em torno de 12% do PIB. Esse valor deve ser separado, já que no Brasil há dois regimes previdenciários, ou seja, há dois tipos de aposentadorias. O Regime Geral da Previdência Social (RGPS)  e o Regime Próprio da Previdência Social (RPPS). O primeiro, RGPS, é o modelo usado para a maioria dos brasileiros, aqueles que trabalham no setor privado. O segundo, RPPS, é o modelo usado para os servidores públicos. Confira os números abaixo.




*Há regras diferenciadas para algumas categorias como os políticos, os professores e os trabalhadores rurais. 

Com os números acima citados, fica claro que o Brasil enfrenta um problema de setor público. Não de previdência social. É claro que deve haver ajustes na idade mínima fixada e no cálculo para os trabalhadores privados devido ao problema demográfico que o Brasil vive. Hoje somos o sétimo país mais jovem do mundo, mas em 25 anos nos tornaremos o sétimo mais idoso. No entanto, com ajustes, esse problema - que é grave - é sanado. A raiz do problema esteve, está e estará no setor público.

Como vocês podem ver acima, o setor público é o que mais onera o sistema previdenciário brasileiro. Gasta mais, contribui menos e recebe mais (bem mais). O pior de tudo: o setor público não produz - e aqui uso o sentido mais econômico da palavra - nada. O setor público não produz bens, riquezas, não contribui - de maneira direta - com o crescimento PIB. Em contrapartida, o crescimento e a prosperidade de uma nação estão no setor privado. E no que tange a previdência social, é o setor mais onerado, prejudicado. Sendo mais claro, o trabalhador que recebe 1 ou 2 salários mínimos por mês sustenta todo o setor público. E mais, esses trabalhadores sustentam salários altíssimos. Há setores do funcionalismo público em que a média das aposentadorias supera os 20.000,00 mensais

A reforma da previdência é de extrema importância. Tentei mostrar isso neste texto. Porém, o mais importante: o setor público não pode ficar de fora. Sem ele a reforma não vale de nada  e os números comprovam isso. Vai haver gritaria de sindicatos e categorias? Com toda certeza! Não há funcionário mais organizado e corporativista que o funcionário público. Entretanto, sem o funcionalismo público na reforma eu sou contrário a ela. O trabalhador comum já é onerado demais às custas de trabalhadores que pouco contribuem. 

*Quando eu ataco e desdenho do setor público eu excluo aqueles de extrema importância como médicos, professores, policiais, bombeiros entre outros. Mas ainda acreditando que eles também devem se encaixar na reforma. A desigualdade da previdência tem de acabar. É urgente.

**Os dados são referentes ao ano de 2015 e podem ser acessados nos sites do Ministério da Previdência, Tesouro Nacional e Ministério do Planejamento.





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