terça-feira, 25 de abril de 2017

Jornalismo de torcida

Ontem (23/04) a candidata do partido Frente Nacional, Marine Le Pen, alcançou quase 22% dos votos na eleição presidencial da França e vai ao segundo turno. Resultado histórico para o partido e para a família Le Pen.

A imprensa internacional (e a brasileira também), no entanto, declara que Le Pen está morta e que o segundo turno será um passeio do candidato centrista Macron. E a falha está exatamente aí.
Desde que o Frente Nacional conquistou 17% do eleitorado Francês em 2012, era sabido que Le Pen viria forte nas eleições presidencias. A imprensa, porém, desdenhou da força de Marine. E no entanto, ela mostrou ser mais forte do que a imprensa achava e chegou ao segundo turno. Agora, jornais mundo a fora cravam sua derrota. Será?

Há um ano, os mesmos jornais diziam que Trump não passava de um fanfarrão que só queria bagunçar as primárias republicanas. Depois disseram que ele não levaria a indicação do partido. Em seguida, afirmaram que Hillary levaria a presidência de goleada. O resultado já sabemos: Donald Trump é o quadragésimo quinto presidente americano.

A problemática continua: a análise política de jornais mundo a fora morreu. Redações transformaram-se num amontoado de torcidas organizadas. E eu nem mencionei o Brexit que, segundo a imprensa, era impossível. Até o momento em que aconteceu. Se no dia 8 de maio você acordar e descobrir que Marine Le Pen, a candidata extremista de direita, ganhou a presidência, não se assuste. A imprensa não tem feito seu trabalho.

* Eu sou contrário a 80% do discurso de Le Pen. Principalmente no que toca a economia. Nacionalista demais, populista demais, anti-mercado demais. Na imigração, porém, ela fala boas verdades. E é isso que o francês quer ouvir. O povo francês não está tão preocupado com o baixo crescimento do PIB (1%) ou com a taxa de desemprego (10%). Nesse momento, o povo francês quer ter a certeza de que sairá às ruas e não será vítima de um atentado terrorista. Isso desequilibrará, para bem ou mal, a eleição deste ano. Enquanto isso, os jornais estão preocupados com os avanços da direita na Europa. Não digam que não avisei

Nenhum comentário:

Postar um comentário