sexta-feira, 5 de junho de 2015

A campanha do Boticário: muito "mimimi"

Volto a escrever neste espaço após quase dois meses trabalho e faculdade respondem por isso. O que me traz de volta, como não poderia deixar de ser, é o famigerado comercial do Boticário. A peça publicitária gerou polêmica e comentários nas redes - ambos desnecessários. Na verdade, o filme trouxe à tona algo que a cada dia se intensifica na sociedade contemporânea, principalmente online: vivemos a era do "mimimi".


O comercial feito para o dia dos namorados traz vários casais se presenteando com produtos Boticário. No entanto, há dois casais homossexuais no vídeo. Pronto! Destruiu a moral e os bons costumes da família brasileira. Campanhas de boicote ao Boticário estão a todo vapor e o comercial até foi denunciado ao Conar.

A campanha tinha o intuito de causar? Com certeza. A marca não veiculou seu anúncio no veículo com maior penetração nas casas brasileiras sem querer. A agência responsável pela campanha talvez não tivesse dimensão da repercussão, mas tinha em mente que algum buchicho causaria. Dito e feito. 

Repercussão é uma faca de dois gumes. É negativa e positiva ao mesmo tempo. No mesmo instante em que fervorosos seguidores do pastor Silas Malafaia aderiam à campanha de boicote, outros tantos se solidarizavam com a marca. Quem sabe seja esse o "target" da campanha. Atingido não pela propaganda em si, mas pela repercussão gerada. E num estalar de 30 segundos surge um "case". Palmas para a agência. O Boticário foi de marca que ninguém liga à debate nacional.

Aqueles ofendidos com a campanha têm o direito de boicotar e de ir ao Conar caso queiram. A democracia, felizmente, dá direito ao "mimimi", por mais idiota e desnecessário que possa ser. Concordo com eles? Não. Acho uma perda de tempo. O comercial não tem nada demais. O Conar - e a grande maioria das pessoas - tem mais o que fazer além de se preocupar com homens e mulheres se abraçando, ou pelo menos deveriam. No mais, os dois lados da moeda se exaltam demasiadamente. Uns pela reação idiota à propaganda. Outros pela falta de senso democrático ao criticarem os - chamarei-os assim - boicotadores do Boticário. Dentro dos limites democráticos, o "mimimi" é livre. E o choro também.

Há assuntos mais importantes e até mesmo mais interessantes a serem debatidos hoje em dia. Quanta bobagem e desperdício de tempo.

Um comentário:

  1. O pior efeito colateral do preconceito é servir de desculpa para gente
    como Jean Willys posarem de heróis !

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