sexta-feira, 16 de maio de 2014

Política no blog

Na foto: Ex-ministra Ellen Gracie.
- Luz no fim do túnel:
Deu no blog do Ricardo Setti que a ex-ministra do STF, Ellen Gracie, pode sair candidata ao governo do Rio de Janeiro. Filiada ao PSDB, era cogitada como vice na chapa de Aécio Neves, segundo o colunista de VEJA, porém, a primeira mulher a integrar e presidir a corte suprema pode, na verdade,  pleitear o Palácio Guanabara. Historicamente o PSDB perde de goleada na cidade maravilhosa e no estado fluminense. Ellen seria um trunfo para conseguir palanques e conquistar um estado chave para qualquer possível presidente. Especialista em direito penal, a ex-ministra usaria do atual desgaste do modelo das  UPPs e a sempre complicada questão de segurança pública como sua principal arma de campanha.
Numa eleição onde os principais atores são velhos fantasmas do Rio de Janeiro como Garotinho e César Maia, Ellen Gracie surge como um ponto fora da curva, uma luz no fim do túnel.

- Caos urbano:
A espelho da greve da Polícia Militar baiana, em abril,  que num período de três dias, foram registrados mais de 50 homicídios sem mencionar saques coletivos e assaltos, o caos chega também à Pernambuco. Cerca de 234 pessoas já foram presas no estado durante greve da Polícia Militar. Vídeos de multidões depredando o patrimônio público e privado, além, é claro, de vários saques, se espalharam pela internet. Cerca de 27 homicídios já foram registrados. A Força Nacional e as Forças Armadas estão nas ruas "cuidando" da segurança. 

- Não vai ter Copa:
Diversos grupos sociais, entre eles o MST, o Anonymous, o MPL e claro, Black Blocs, saíram ontem às ruas para protestar contra a Copa do Mundo,  outros assuntos entraram nas manifestações também. Com o intuito de repetir o 15M, ato que teve início em 2011 em Madrid, Espanha, foram marcadas manifestações em cerca de dez cidades com mais de 100 mil habitantes. Vinte Black Blocs foram presos em São Paulo com coquetéis molotov. Os atos serviram como teste para o governo federal que não quer repetir a "Copa da Manifestações", como ano passado.

- Luz no fim do túnel parte 2:
Em recente pesquisa, o Datafolha aponta para um possível segundo turno nas eleições presidenciais no fim do ano. Meses atrás as pesquisas apontavam uma possível vitória, esmagadora, no primeiro turno para a presidente Dilma. Na última pesquisa Aécio Neves (PSDB) subiu 4 pontos e Eduardo Campos (PSB) somou 1 ponto. A presidente Dilma segue em queda, mas ainda com 37% das intenções de voto. A pesquisa aponta, ainda, que Dilma venceria um possível segundo turno com qualquer um dos candidatos. No entanto, os índices de aprovação da candidata petista assustam a cúpula do PT. Dilma perde aprovação popular pesquisa após pesquisa.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Voltamos à idade média?

Os jornais vêm noticiando uma crescente onda de violência, mas não aquele tipo de violência a que estamos habituados. Algo diferente, que dá à sociedade brasileira ares de idade média. Os casos de justiceiros, linchamentos e depredações ao patrimônio público e privado só crescem. O sociólogo José de Souza Martins, professor da Universidade de São Paulo (USP), estima que ocorram entre três e quatro linchamentos por semana em todo território brasileiro. Segundo ele, "o Brasil dever ser o país em que este tipo de crime mais ocorre".

Na última segunda-feira (05/05) morreu, no Guarujá, Fabiane Maria de Jesus, 33 anos, vítima de espancamento que aconteceu dias antes, no último sábado (03/05). Fabiane foi amarrada, arrastada e, em seguida, brutalmente espancada por um grupo de pessoas em Morrinhos, periferia do Guarujá, bairro onde morava. Fabiane chegou a ser socorrida, mas não resistiu  aos ferimentos. O crime teria sido motivado por um boato espalhado no Facebook. Segundo a polícia, Fabiane foi confundida com uma suposta sequestradora de crianças, que teve retrato-falado divulgado na rede social por uma página do Guarujá. A Polícia, contudo, afirma que não há ocorrências de sequestros de crianças na cidade. Sabe-se, agora, que o retrato-falado divulgado nas redes sociais foi feito no Rio de Janeiro em 2012.

O advogado da família da vítima acusa, também, os moderadores da página "Guarujá Alerta" , responsável por divulgar o boato. A "Guarujá Alerta", porém, disse em nota que tratou o caso como boato e que está sofrendo uma campanha difamatória. 

Chocante! Esta é a única palavra capaz de descrever tal situação. Pessoas sendo espancadas até a morte à luz do dia, justiceiros amarrando pessoas à postes, torcedores sendo mortos por vasos sanitários. A situação é de caos. Estamos vivendo novamente a idade média?

Me pergunto o que está acontecendo com nossa frágil sociedade, mas acho que a resposta é explícita. Há uma clara descrença no Estado democrático de direito, nas instituições da República, na mídia em geral e uma falta de representatividade política. Todos esse aspectos contribuem para a formação do estado de colapso que estamos vivendo. O Estado não oferece segurança pública, o poder judiciário é sinônimo de lentidão, a Polícia nunca esteve tão desmotivada e desacreditada. Os jornais, que deveria exercer papel fundamental em questões como essa, desmistificando, promovendo o debate e informando são tidos como manipuladores e a população os rejeita. Essa é a formula para uma sociedade em crise. Sem segurança a população acha que deve fazer "justiça" com as próprias mãos. Desinformadas e desacreditadas nos jornais, as pessoas recorrem às redes sociais que, na maioria da vezes, oferecem rapidez, imediatismo, mas quase nunca, informação correta, apurada e  com suas devidas fontes. 

Há de ser repensado nosso modelo de sociedade. É esta a sociedade que queremos? Há de ser repensado nosso comportamento perante a rede mundial de computadores. Há uma tensão no ar, um clima denso, de dúvida, receio. É dever do Estado apagar esses sinais de crise, fortalecer suas instituições e mostrar à população que está presente.  É papel do Estado repensar suas políticas a fim de que outras Fabianes possam ser salvas. É dever da imprensa debater, elucidar, informar a fim de que as pessoas possam voltar a confiar nos jornais. E por fim, é nosso dever questionar, não nos deixarmos levar por boatos de Facebook ou por multidões. Há muito o que ser feito, há muito o que repensar, mas, infelizmente, nossa sociedade não
tem tempo o bastante para tanto.
Na foto: Cartaz com a foto de Fabiane durante protesto.