segunda-feira, 21 de abril de 2014

Mais uma do Diário de Classe

Na foto: Isadora Faber.
Vocês provavelmente devem se lembrar da jovem  Isadora Faber e de seu Diário de Classe. A jovem, de apenas 13 anos, tornou-se conhecida em todo o Brasil ao criar uma página no Facebook onde denuncia os problemas enfrentados pela escola pública em que estuda. Hoje, com mais de 620 mil curtidas em sua página, Isadora continua denunciando as péssimas condições da educação pública em Florianópolis. 

Na última quinta-feira (17/04) Isadora fez uma pertinente denúncia em sua página no Facebook. Segundo ela, representantes de ONGs participaram de uma reunião com a Secretaria de Educação de Florianópolis no dia (16/04). Na reunião foi apresentado um projeto à Secretaria de Educação que visava premiar com notebooks e afins os alunos que tiverem melhor desempenho escolar da rede pública. Segundo o texto publicado no Facebook, o projeto seria bancado pela iniciativa privada e não custaria dinheiro público algum. Porém, surpreendentemente, o projeto foi recusado pela Secretaria de Educação e pelo Sindicato da categoria. Segundo eles, os bons alunos não precisam disso e que tal medida iria desestimular os alunos com desempenho ruim a estudarem mais e o pior; disseram que não podem estimular a concorrência entre alunos e que são contra a meritocracia nas escolas.

Pois é, leitor, infelizmente, você não leu nada de errado no parágrafo acima. A Secretaria de Educação de Florianópolis na pessoa do secretário, Rodolfo Pinto da Luz, realmente fez essa atrocidade com a educação pública ao recusar o projeto. 

A meritocracia, um regime onde em iguais condições, todos devem competir e prosperar a partir dos seus próprios méritos é essencial na educação como um todo, principalmente na pública, que clama por melhorias.  A meritocracia é uma das melhores filosofias para serem levadas para a vida e na escola é algo importantíssimo. Incentivar o aluno à excelência deveria ser regra e premiá-lo caso ele consiga tal feito é uma saída para o desestimulante e fraco ensino público no Brasil. Estimular a concorrência é saudável. Mas parece que a o secretário de educação tem medo dos sindicatos comunistas que o cercam e não quer a meritocracia. A educação é o cerne de uma nação, por isso, o país é medíocre porque nossa educação é terrível.

Parabenizo Isadora pela coragem em criar a página e denunciar os desmandos contra a educação. Apesar de ter apenas 13 anos, Isadora demonstra uma lucidez e sabedoria que falta ao secretário de Floripa. Que ela continue com esse ótimo empenho em melhorar a educação. Precisamos de mais Isadoras !

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um governo de mentirinha

O jornal Folha de S.Paulo destacou ontem (16/04) dados divulgados pela Secretaria de Comunicação Social do Palácio do Planalto (Secom) que mostram as cifras gastas pela gestão Dilma em 2013 com publicidade. O valor gasto é o maior desde o ano 2000, ano em que os números começaram a ser divulgados.  O governo, somente em 2013, gastou R$ 2,3 bilhões com publicidade. Os dados revelam ainda em quais foram as mídias  que o governo federal mais injetou dinheiro. O valor gasto representa um aumento de 7,4% em relação a 2012. 65% desse valor foram destinados a publicidade na TV. O rádio, jornal, revista e a internet representam 7,6%, 7%, 6,3% e 6%, respectivamente, de todo dinheiro gasto.

O governo justifica que em 2013 muitas campanhas de utilidade pública foram apresentadas, inclusive, a do programa Mais Médicos. O governo argumenta ainda que o aumento foi puxado, principalmente, pelas ações publicitárias dos Correios, empresa que completou 350 anos em 2013, portanto muitas campanhas foram feitas comemorando o aniversário da estatal.

O IBOPE aponta, portanto, que o governo brasileiro foi a quarta instituição que mais gastou com publicidade em 2013, ficando atrás apenas da Unilever em primeiro, seguida por Casas Bahia  e o Laboratório Genomma. O IBOPE destaca ainda que o valor gasto pelo governo federal superou o da gigante Ambev. A maior empresa de bebidas da América Latina gastou cerca de R$ 1,8 bilhões ano passado em publicidade.

Uma das desculpas usadas pelo governo para justificar esse montante é a publicidade das estatais, mais especificamente, os Correios, mas eu pergunto: essa justificativa é plausível? Os Correios detêm o monopólio do setor em que atua, portanto, será mesmo  necessário tanto dinheiro em publicidade para uma empresa que quase não tem concorrentes? Segundo a Secom, um terço do valor gasto ano passado foram de publicidade para a estatal.

O dinheiro gasto em campanhas de utilidade pública é justificado, mas e o resto? Será que uma meia dúzia de campanhas iriam comer um valor tão alto? Como dito acima, a TV foi o veículo que mais recebeu dinheiro oficial e isso, por mais que não pareça, é perigoso. Quais serão as TVs que poderão exercer plena liberdade quando forem tratar de assuntos do governo ? O governo Dilma tem ampla maioria na Câmara e no Senado e parece ter um certo controle sobre as emissoras. Prova disso foi o SBT ser ameaçado de perder verba publicitária, caso não censurasse a jornalista Rachel Sheherazade. Com tanto dinheiro indo para diversos veículos de comunicação fica a dúvida se esses são isentos ou não. Vale lembrar que foi desse jeito que Venezuela e Argentina, aos poucos, sufocaram a liberdade de emissoras e jornais. Esses países são praticamente donos da mídia, porque a receita de jornais e emissoras de TV de lá se deve em grande parte a verba pública.

É do conhecimento geral que o homem forte de Dilma é o publicitário João Santana. Santana coordena e prepara Dilma em entrevistas, debates, comerciais e etc... não me espanta, portanto, o governo gastar tanto em publicidade, já que a própria Dilma vive sob uma cortina de marketing. Este ano é ano de campanha eleitoral, provavelmente nossa presidente irá gastar mais 1 ou 2 bilhões em publicidade e alguns milhões em sua campanha. É tudo pintado, é tudo "pra inglês vê", é tudo de mentirinha. E nosso dinheiro, que é bem real, é torrado aos montes.
Foto retirada da web.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Censores de volta, cuidado com o que dizes

Cá estou eu, mais uma vez, para falar de um assunto que, sinceramente, não gostaria. Estou de saco cheio do assunto. Já deu. Porém, parece que as pessoas não se cansam. Estou aqui novamente para comentar a polêmica envolvendo a âncora do SBT Brasil, Rachel Sheherazade. 

A polêmica teve início após um dos habituais comentários de Rachel durante o telejornal. À época, Rachel comentou o caso de um jovem bandido que, após roubar, foi atado a um poste. A jornalista disse que era "compreensível" que a sociedade fizesse o que fez, já que o Estado é falho e não oferece segurança a todos. O comentário foi a gota d'água para que jornalistas - é, pois é - políticos e entidades pedissem a cabeça de Rachel. Partidos de esquerda entraram com representação no Mistério Público pedindo que a âncora fosse afastada da bancada do jornal, senão o SBT poderia perder verbas de publicidade oficial e até ter sua concessão pública cassada.  AQUI você pode ler o texto que escrevi no auge de toda a polêmica.

Como já escrevi anteriormente, a polêmica do assunto foi para o outro lado. Intencionalmente esqueceram o verdadeiro cerne do comentário de Rachel e aproveitaram-se da situação para execrá-la. Quando Paulo Ghiraldelli, em seu Facebook, sugeriu que a jornalista merecia ser estuprada nenhuma entidade de jornalistas, dos direitos humanos ou de feministas se pronunciaram em defesa de Rachel. E por quê? Rachel não é humana? Não merece ser defendida? O fato, no entanto, é que desde sua chegada ao SBT a jornalista gera burburinhos na mídia em geral. Jornalistas, intelectuais e formadores de opinião não estão acostumados a dividir o espaço público de debate com pessoas que tenham visões conservadoras. A verdade é que os conservadores, principalmente neste meio, são logo xingados de tudo quanto é nome. Vale relembrar de quando a Folha anunciou que Reinaldo Azevedo, da VEJA, iria escrever uma coluna para o jornal. Suzana Singer, a ombudsman do jornal, tratou de gritar aos quatro ventos seu descontentamento com a contratação de Reinaldo ao chamá-lo de rottweiler. 

No Brasil, tanto a televisão quanto os jornais deram uma forte guinada ao "progressismo" nos últimos anos. A onda do politicamente correto tem tomado conta da opinião pública e com isso a liberdade, legítima, de expressão é a grande prejudicada. Na TV tudo pode, tudo é permitido, mas uma jornalista dar suas opiniões é errado, não é permitido. Na última segunda-feira (14/04), Rachel voltou a bancada do jornal e logo foi anunciado que "para proteger seus apresentadores" eles não irão mais expor suas opiniões. Ou seja, os censores estão de volta. A gritaria entorno de Rachel surtiu efeito, ela não pode mais falar. Aos poucos, uma nefasta e perigosa ditadura do pensamento se instala em nossa sociedade. Aos poucos estamos nos policiando acerca daquilo que devemos ou não falar, receosos se seremos apedrejados em praça pública por conta disso. Quando um colunista de esquerda escreve em apoio aos Black Blocs ninguém o acusa de incitação ao crime, mas quando uma jornalista conservadora fala sobre o endêmico problema da violência ela é acusada até de fascismo. Pobre de nossa sociedade que entra neste momento tão assombroso, pobre de nós que estamos aqui para presenciá-lo. Infelizmente, a polícia do pensamento está aqui, entre nós. 
Na foto: Rachel (dir) e Silvio Santo(esq).

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Acabou o carioquinha

Ontem chegaram ao fim os - esvaziados - campeonatos estaduais, graças à Deus !! Digo isso porque, excluindo-se algumas exceções, os estaduais se configuram num tipo de campeonato ruim tecnicamente, chato de se ver, falido e esvaziado. O Campeonato Carioca que é tido como o "campeonato mais charmosos do Brasil" foi de longe o pior. O Botafogo abdicou completamente da competição, fazendo partidas horrorosas com péssimas atuações de seus reservas e de seus titulares também - salvo aquela contra o Fluminense. Resultado: nem chegou às semi-finais. O Cabofriense - assim mesmo, com "o" - , que tinha tudo para ser o "Ituano" do carioca, perdeu força e foi massacrado pelo Flamengo. O Fluminense, apesar de ter ido à semi-final contra o Vasco e de apresentar, talvez, o melhor elenco dentre os quatro grandes, foi um time irregular, feio de assistir e ainda deu aquele vexame aos reservas do Botafogo. O Flamengo, campeão, também não apresentou o um bom futebol. Foi irregular, mesclando ótimas atuações com outras nem tão boas assim. Diferente do Botafogo, o Flamengo se preocupou menos com a Libertadores e deu a devida atenção ao Carioca e foi campeão. O Vasco, apesar de algumas atuações duvidosas no início do campeonato, foi o time que apresentou o melhor futebol, principalmente nas partidas decisivas. Foi também o time que mais sofreu com os erros da arbitragem. Dois erros cruciais, em jogos contra o Flamengo, fizeram o Vasco perder ambos. O último deles custou também o título. O Flamengo segue agora eufórico para o Brasileirão. O Vasco, apesar do melancólico Carioca, segue um caminho interessante de reestruturação para disputar a série B. O Fluminense, rebaixado em campo, deve abrir o olho para o Brasileiro. O Botafogo tem que seguir em frente, esquecer o terrível primeiro semestre de 2014 e apostar suas fichas nas competições que estão por vir, mas com os pés no chão, o elenco é fraco.

375: esse é o número que simboliza o qual ruim o Campeonato Carioca está. Esse foi o número de torcedores pagantes num jogo do Flamengo. O Botafogo e o Fluminense também jogaram para públicos com menos de 500 pagantes. Aliás, salvo a final, todos os jogos desse Carioca tiveram pouca torcida, inclusive as semi-finais. A taxa de ocupação dos estádios foi de 8% e a média de público da competição foi de 2.828 pagantes. Em 2015 o desafio do Campeonato Carioca é tentar melhorar seu público, lotar estádios, apesar de que, oficialmente, tudo continua na mesma. E que não hajam erros esdrúxulos da arbitragem, que obviamente, "deram" o  título ao Flamengo.

* O ponto alto do domingo não foram as finais, mas a espetacular partida entre Liverpool e Manchester  City pela Premier League.
Charge retirada do lancenet.com.br.

Falando de utopia

O Twitter é, sem dúvida, a melhor rede social já criada ao meu ver. Você fica por ali jogando conversa fora, comentando alguma coisa até que uma ótima conversa surge. O problema é que, às vezes, os 140 caracteres da rede não permitem que você se explique adequadamente, por isso, depois de um ótimo colóquio madrugada passada, decidi escrever este texto. Conversa vai, conversa vem chegamos ao questionamento se já houve comunismo. Se as ditaduras soviética e chinesa são comunistas ou não. Portanto, vamos ao meu esclarecimento, ou melhor, meu ponto de vista.

Como é de conhecimento geral a teoria do comunismo foi proposta pelo filósofo Karl Marx no século XIX. Segundo Marx, o sistema capitalista estava fadado ao colapso. Segundo ele, as infinitas crises econômicas iriam provocar o fim do capitalismo. Marx então, propõe uma revolução para derrubar as democracias liberais, a sociedade burguesa e o sistema capitalista. Para ele, devido a eterna luta de classes, o proletariado seria o responsável por dar cabo a sociedade vigente e erguer a sociedade socialista. Marx acreditava que antes da sociedade comunista acontecer era necessário passar pela fase socialista, onde haveria a ditadura do proletariado, onde a propriedade privada seria extinta e todos os bens pertenceriam ao Estado para que ele pudesse distribuí-los igualmente. Após a fase socialista, a sociedade evoluiria para o comunismo, onde não haveria classes, Estado e todos viveriam em igualdade.

O fato é que Marx estava errado. Nenhuma de suas previsões se concretizou. O sistema capitalista não ruiu, a revolução não se espalhou pelo mundo, a sociedade comunista não aconteceu e só o que se viu foram ditaduras sanguinárias, fome e miséria.

O que podemos tirar dessas conclusões é que o comunismo tal como ele foi proposto é inalcançável, é utópico, é falho, fadado ao fracasso. Todas as formas de alcançá-lo deram errado, se transforaram em regimes totalitários que extirparam as liberdades individuais violentamente. Portanto, fujam das utopias. Elas seduzem, encantam, criam esperanças, mas nunca se realizarão. São impossíveis. O caminho para qualquer utopia é sangue e nada mais. Uma utopia não é, ao contrário do que dizem, uma realidade em potência. Não é, tampouco, realidade. É sonho, alucinação, desejo, alienação. As utopias são um fracasso em ato e um desastre em potência. O fato de nenhuma das ditaduras citadas serem, verdadeiramente, comunistas não exime Marx e sua teoria de fomentar mortes e mais mortes. Filosofia mata e a filosofia marxista é uma das mais assassinas, ela cega seus seguidores, estimulando-os a fazer atrocidades em troca de algo que jamais existirá.
Imagem retirada da web.