terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Comissão da Verdade, a serviço de quem?

Ontem (15/12), em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, José Miguel Vivanco, diretor-executivo da divisão Américas da ONG Human Rights Watch, disse o óbvio sobre os crimes cometidos durante a ditadura civil-militar (1964-1985). Segundo ele, "Foi um erro. Não pode haver dois pesos e duas medidas. Se houve abusos cometidos por grupos armados irregulares, isso deve constar de informes dessa natureza. E também haveria servido para mostrar a magnitude dos abusos cometidos pelo Estado e a magnitude dos crimes cometidos pelos grupos armados.".

sábado, 13 de dezembro de 2014

Os perigos da reforma política do PT

"Quem detém o poder constituinte, ou seja, de constituir castamente, virginalmente o novo, detém o poder de desconstituir o velho e desconstituir por inteiro."

"Convocada a constituinte, fica à mercê da constituinte."

"Nenhuma constituição tem vocação para o suicídio. Convocar uma constituinte é inconstitucional. É uma ruptura com a ordem constitucional vigente." 

"O fórum, a casa de debates é o Congresso Nacional."

"O plebiscito é um cheque em branco."

As palavras acima são do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto. Os dizeres do ex-ministro deixam claro que a possibilidade de uma constituinte exclusiva para reforma política é perigosa, além de abrir um horizonte constitucional obscuro. Ayres Britto também afirma que uma constituinte "torna-se dependente dos humores políticos do momento". E por que não da maioria política do momento.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Desestatizar

Os escândalos revelados pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, dentro da Petrobrás indicam um horizonte que há muito deveria ser considerado pelo governo e pela sociedade: a desestatização da estatal do petróleo (e não somente dela). A operação, deflagrada em março deste ano, investiga o pagamento de propina a executivos da Petrobrás e a políticos por parte de empreiteiras para o favorecimento na obtenção de contratos em obras da estatal. Os contratos das empresas com a Petrobrás chegam a R$ 59 bilhões. Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobrás, já era investigado sob acusação de ter recebido propina para conceder parecer favorável em relação a compra da refinaria de Pasadena, no Texas. A compra da refinaria teria dado prejuízo a estatal brasileira. O ex-diretor também foi apontado como um dos principais beneficiados no esquema de desvio de dinheiro da estatal.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O Congresso subserviente avaliza crime fiscal

Foi aprovado ontem (4/12), em sessão conjunta do Congresso Nacional, o texto base da PLN36, projeto de lei do Congresso Nacional que permite ao governo federal abater da meta de superávit primário os investimentos do governo no PAC e 100% da perda de receita com desonerações tributárias. Os gastos no PAC e com as desonerações somam R$130,4 bilhões, assim, o valor supera o estipulado pela meta de superávit na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que era de R$116,1 bilhões. O governo federal, com a aprovação da lei, fará um superávit, mesmo que as contas estejam em déficit. A manobra política tem o objetivo de livrar a presidente Dilma de enfrentar consequências jurídicas, caso não cumpra a meta de superávit.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Um partido totalitário

Poucos dias após o resultado do segundo turno das eleições, o diretório nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) liberou uma resolução política em que cumprimenta a presidente Dilma pela vitória eleitoral. No entanto, a resolução é mais que um cumprimento à presidente reeleita, é uma estratégia de poder. Na resolução, que pode ser lida na íntegra AQUI, o PT dita as bases para os próximos quatro anos de governo e se prepara para as disputas eleitorais de 2016 e 2018. As questões abordadas na resolução, se colocadas em prática pelo governo petista, representam um risco à democracia e ao regime republicano brasileiro.


Privatizar para democratizar

No ultimo dia (8/11) o jornal Folha de S. Paulo publicou uma matéria com a seguinte manchete: Metade dos calouros da USP está entre os 20% mais ricos do Brasil. Segundo a matéria, metade dos alunos que ingressam na universidade têm rendimentos mensais per capta superiores a R$ 1.200,00. O jornal apurou também que 60% dos alunos pagariam mensalidade se fossem considerados os critérios do ProUni. Desses, cerca de 29%  não teriam direito a bolsa segundo tais critérios. Outros 31% teriam direito a bolsa de 50% e somente os 40% restantes teriam direito a bolsa integral. Os números obtidos pelo jornal eliminam o argumento de que universidade pública é um direito de todos, na verdade, é um privilégio de alguns às custas de todos.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Admitir a derrota, um ato democrático

Viver num regime democrático de direito é conviver com as diferenças de pensamento, é conviver com derrotas políticas - desde que essas respeitem o arcabouço  republicano de regras e leis -, é conviver com minorias estridentes e com maiorias rabugentas. Viver numa democracia, em suma, significa respeitar as instituições da República brasileira, significa respeitar o Estado brasileiro como um só, significa respeitar a vontade popular expressa em eleições, significa saber perder.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Os números do segundo turno em Petrópolis

Com 99,99% das urnas apuradas - apenas 19 urnas das 428.875 não foram apuradas -, o ciclo eleitoral de 2014 está encerrado. A presidente-candidata, Dilma Rousseff (PT), foi reeleita com 54.498.042 dos votos, até o momento, ou seja, 51,64% dos votos válidos. O candidato derrotado, Aécio Neves (PSDB), conta, até o momento, com 51.040.588 dos votos, ou seja, 48,36% dos votos válidos. O blog, porém, traz os números da segundo turno em Petrópolis.
Vamos aos números do pleito presidencial e ao governo do Rio de Janeiro.


sábado, 11 de outubro de 2014

Aquele partido

Lá por volta de 1985, um incipiente partido foi contra a eleição de Tancredo Neves a presidência da República. Começava ali, uma trajetória na contramão.
Nos tempos da Constituinte, fim da década de 80, um certo partido - ainda com representação minúscula - fez o que pôde para que a  embrionária Constituição, que hoje rege nossa democracia, não fosse aprovada da maneira que fora elaborada. Esse partido, ainda que relutante, assinou, por fim, a promulgação da carta.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Segundo turno disputado

Hoje (09/10), com a volta da propaganda eleitoral, foi dada a largada para a disputa do segundo turno. Segundo turno que promete ser eletrizante. A essa altura, Aécio (PSDB) já angariou forças políticas importantes. Paulo Câmara (PSB), eleito governador de Pernambuco, irá coordenar a campanha de Aécio no Nordeste, região onde o tucano perdeu para a presidente Dilma (PT). O apoio do PPS, dos demais partidos da coligação de Marina Silva (PSB) e de forças regionais do PMDB promete inflar a campanha PSDBista.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Os números do primeiro turno, em Petrópolis

No dia de ontem (05/10), cerca de 115 milhões de eleitores compareceram às urnas para decidir quem, pelos próximos quatro anos, irá nos representar. Em âmbito nacional, sabemos que haverá um segundo turno que promete se acirrar a cada dia, assim como na segunda, e definitiva, disputa pelo governo do estado do Rio.

Pensando nessas eleições, o blog traz um detalhamento da eleição com o foco para  Petrópolis. Candidatos mais votados, quem ficou a frente de quem, qual a porcentagem dos principais candidatos e mais algumas informações.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Análise sobre o debate da Globo

O debate de ontem (02/10), na Globo, foi, com uma certa vantagem, o mais importante para a corrida eleitoral que se encerra no próximo domingo. Não no sentido qualitativo; propostas e ideias foram deixadas de lado na maior parte do tempo em prol de proselitismo de campanha e ataques pessoais. No entanto, no que convém ao jogo político-eleitoral vigente no Brasil, o debate é de vital importância.

Vamos aos números que comprovam a importância política do debate global. Segundo o IBOPE, na grande São Paulo, o debate dos presidenciáveis alcançou média  de 21 pontos* com pico de 30 e share** de 48%. É, portanto, o debate mais assistido do país. A nível de comparação, os debates realizados por Record, SBT e BAND somam, juntos, 19 pontos no IBOPE. 

*Cada ponto no IBOPE equivale a 65 mil domicílios na região metropolitana de São Paulo
**Share é a porcentagem de televisores ligados num determinado canal em um determinado horário. Durante o debate, 48% dos televisores, de São Paulo, estavam ligados na Globo


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Eleições 2014: Dilma lidera com folga, Marina cai e Aécio cresce

Pesquisa Datafolha divulgada hoje (19/09) segue a tendência do último levantamento feito pelo IBOPE em relação a Marina (PSB) e Aécio (PSDB), mas não em relação à presidente Dilma (PT).

Pesquisa Datafolha (19/09)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Eleições 2014: Aécio respira, Dilma oscila e Marina segue em queda

Números divulgados ontem (16/09) pelo IBOPE animaram os "aécistas". Depois de vertiginosa queda nas pequisas, Aécio recuperou 4 pontos percentuais em relação ao último levantamento feito pelo instituto. O candidato tucano aparece agora com 19% das intenções de voto. Aécio foi o único candidato a crescer nessa pesquisa. Marina segue sua trajetória de queda nas pesquisas e Dilma, após sucessivas altas, teve queda de 3 pontos percentuais.

Pesquisa IBOPE (16/09)

domingo, 14 de setembro de 2014

Eleições 2014: Dilma se recupera, Marina perde fôlego e Aécio vê de longe a disputa

 O Fenômeno Marina vem perdendo força semana após semana. É o que pode-se inferir das duas últimas pesquisas de intenções de voto para presidência da república. 

Pesquisa IBOPE (12/09)

domingo, 7 de setembro de 2014

Reforma política: o voto distrital

Neste mês de setembro, aproveitando a proximidade com as eleições, o blog fará uma série de posts acerca de mecanismos institucionais que podem ser alterados para que a reforma política seja concretizada. Neste primeiro post o blog tratará da importância de implementarmos o voto distrital.

O sistema de voto proporcional é o atual modelo de votação na eleição de cargos legislativos (vereadores, deputados estaduais ou distritais e deputados federais). Nesse sistema,o eleitor pode votar em qualquer candidato de qualquer partido que esteja concorrendo em seu estado. Porém, o voto não fica restrito ao candidato escolhido. No sistema proporcional, ao votar  em um candidato, o eleitor vota, indiretamente e sem conhecimento, no partido do candidato escolhido. É o voto "na legenda". O voto na legenda serve pura e simplesmente para acumular votos ao partido, assim o partido terá votos suficientes para atingir o número mínimo de votos exigidos pela legislação eleitoral para que possa eleger um candidato. Se o partido tiver um candidato que consiga muitos votos a chance de esse partido bater a meta de votos aumenta. Desse modo, cada vez que o partido atingir a meta de votos exigidos ele elege mais um candidato, mesmo que esse candidato tenha conseguido um número pífio de votos. É o chamado efeito tiririca. Um candidato elegendo vários candidatos e fortalecendo a bancada de determinado partido. Essa, ao meu ver, é a pior mazela desse sistema.


sábado, 30 de agosto de 2014

Eleições 2014: o fenômeno Marina Silva

As últimas pesquisas de intenções de voto para presidente da República mostram um avassalador crescimento da candidata do PSB, Marina Silva.

Pesquisa Datafolha (18/08)
Na primeira pesquisa Datafolha sem o nome de Eduardo Campos, divulgada no dia 18/08, encomendada pelo jornal Folha de S. Paulo, Marina já aparecia a frente de Aécio Neves (PSDB), mas com empate técnico. E em relação a candidata do PT, Dilma Roussef, Marina aparecia com 15 pontos percentuais a menos. Em relação a última pesquisa que ainda contava com o nome de Campos, Marina agregou 13 pontos percentuais. O máximo que o ex-governador de Pernambuco conseguiu chegar foi em 11% das intenções de voto.


Eleições 2014 no blog: alguns recados

Foi dada a largada. A corrida presidencial finalmente começou (começou com a morte de Eduardo Campos, mas não tive tempo de comentar). As principais sabatinas já ocorreram e o primeiro debate também, a propaganda eleitoral está a todo vapor e eu não pude comentá-los como desejava fazer, porém, pretendo tirar o atraso. Neste mês de setembro, principalmente, tentarei tecer comentários acerca dos debates, das entrevistas, das pesquisas e dos 'causos' que cercam uma eleição presidencial. Ainda hoje vou escrever alguns comentários sobre a última pesquisa IBOPE e sobre a pesquisa Datafolha divulgada ontem (29/08).


sábado, 9 de agosto de 2014

Eu botafoguense

Tornei-me botafoguense aos 12 anos. Em 2007. Antes era botafoguense por convenção familiar. Era o primeiro jogo da final do Campeonato Carioca daquele ano. Maracanã lotado para assistir Botafogo e Flamengo disputarem a decisão do campeonato.

O primeiro tempo daquele jogo me fez botafoguense e, infelizmente, o segundo também. Sob o comando de Cuca e sob o pés de Dodô o Botafogo me encantou. Torci, vibrei, gritei gol - com vontade - pela primeira vez na minha vida naquela tarde de domingo. O Botafogo jogava melhor que o Flamengo, jogava bem. Aos 32' do primeiro tempo a jogada saiu dos pés de Jorge Henrique, na ponta esquerda. Ele tocou para Zé Roberto que saiu como um monstro pela esquerda até a área e tocou para os pés de Dodô - o artilheiro - que fez o primeiro gol daquele jogo. Me vi em êxtase. Eu e meu tio pulamos do sofá gritando gol. O "botafoguismo" começava a fluir em mim. Depois do gol o Botafogo passou a jogar ainda melhor que o Flamengo. E aos 40', apenas 8 minutos depois, saiu o segundo gol. Lúcio Flávio saiu pelo meio, passou por 3, 4 jogadores e numa jogada linda marcou o segundo. Gritei de novo. Dois a zero para o Botafogo. No primeiro tempo. Numa final de campeonato e contra o maior rival. Na minha ingênua cabeça de torcedor que acabara de se formar estava tudo ganho. Mas veio o segundo tempo.


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Arquitetura do caos

Na noite deste domingo (27/07), o Fantástico trouxe documentos, entrevistas e depoimentos feitos pela Polícia Civil do Rio que evidenciam a participação de Elisa Quadros, a Sininho, e mais três ativistas na coordenação de manifestações violentas no Rio. E ainda trouxe um suposto plano de manifestações, que estavam marcadas para acontecer durante a Copa do Mundo, apelidado de "junho negro".


sábado, 26 de julho de 2014

O maniqueísmo do conflito na Palestina

Nas últimas semanas viu-se uma escalada de violência na Palestina, ataques israelenses e árabes se multiplicaram na região.

O conflito começou depois que três jovens israelenses foram sequestrados na Cisjordânia. O governo de Israel acusa a facção terrorista Hamas de ter sequestrado os jovens. O Hamas, no entanto, nem confirma nem nega as acusações. Israel, então, deslocou um contingente militar por terra até a Cisjordânia. Membros do Hamas foram presos e em seguida foguetes foram disparados da Faixa de Gaza em direção à Israel. Israel respondeu ao ataque palestino, aumentando a tensão na área.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Era Dunga: parte 2

Hoje (22/07), em entrevista coletiva realizada às 11:00 na sede da CBF, na cidade do Rio, Dunga foi anunciado como novo técnico da seleção brasileira.

Depois de uma hecatombe, de um desastre a CBF mostra que não assistiu ao jogo. Mostra que cartolas como José Maria Marin - presidente da entidade - e Marco Polo Del Nero - Vice e presidente eleito da entidade - não sabem lidar com futebol, não entendem futebol. A CBF prova, a cada dia, que não existe para prover uma melhora nas estruturas do futebol brasileiro, mas para tomar para si a Seleção e prestar contas a meia dúzia de patrocinadores. A CBF não está nem aí com o futebol. Ela não quer, não se interessa  e não vai mudar. Mesmo arcaicas, as estruturas do futebol ainda se mostram lucrativas à dirigentes, às federações e à TV Globo. Mudanças? Nem pensar! Os clubes? Ficam para depois, afogados em dívidas astronômicas. Os atletas? Fazemos um estadual por ano para pagar alguns poucos meses de salário a eles.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

A Copa já foi, eleições à vista

A Copa do Mundo acabou hoje (13/07), coroando a competência, trabalho e o planejamento da, agora, tetracampeã mundial Alemanha. Foi, sem dúvida, uma ótima Copa, a melhor que pude assistir até agora. Assisti a quase todos os jogos. Foi a Copa dos gols. Empatamos com o mundial de 98, na França, em número de gols, foram 171 com uma média de 2,67 gols por partida. A Copa de 54 continua soberana com a maior média de gols, foram 5,38 por partida. Foi também a Copa com a segunda maior média de público, perdemos apenas para o mundial de 94, nos EUA. Essa Copa se destacou, ainda, pelas goleadas. Logo na fase de grupos vimos a Holanda massacrar, a então campeã mundial, Espanha por 5x1. Ainda na fase de grupos a Alemanha passou por cima de Portugal num belo 4x0. Mas a goleada mais marcante foi, de longe, a sofrida pela seleção brasileira. Foram sete gols sofridos numa semifinal de Copa do Mundo. A maior goleada da seleção brasileira em 100 anos de história. Depois do Maracanazo em 50 assistimos espantados ao Mineirazo em 2014. Porém,  apesar de maravilhosa dentro das quatro linhas, a Copa não foi perfeita. Elefantes brancos espalhados por todo o país, obras que fugiram e, muito, ao orçamento. A grande maioria das obras que ficariam para a população, os chamados legados, ainda não ficaram prontas. Tanto para o futebol brasileiro como para o país de um modo geral, é hora de mudança. E para um país o momento de mudar é ainda este ano, em outubro, quando ocorrerão eleições.


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Todo poder aos Sovietes

No último dia 26/05 foi promulgado - mais parece uma outorga, um Ato Institucional - o decreto presidencial 8.243/2014. O decreto institui a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e cria o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS). Segundo o decreto, a nova legislação criada tem como objetivo fortalecer a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil, que é definida como "o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações". A medida determina que ministérios, autarquias, empresas estatais e agencias reguladoras devem considerar as diretrizes da política de participação social na formulação, na execução, no monitoramento e na avaliação de programas e políticas públicas. O decreto cria conselhos, ouvidorias, mesas de debate e consultas públicas para participação social. Os conselhos, segundo o decreto, têm competência para participar do processo decisório e na gestão de políticas públicas. Fica a cargo da Secretaria-Geral da Presidência presidir um novo órgão, a mesa de monitoramento das demandas sociais.


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Madrugada

Era uma gélida madrugada de sexta para sábado. Àquela altura da noite minha cabeça já não rodava mais, só restavam uma leve ardência nos olhos e uma dor de cabeça agonizante. A dor de cabeça era fruto de uma roda de amigos – já um pouco alterados – que começara no fim daquela tarde de sexta, úmida, fria, petropolitana.

Encontrava-me num ambiente estranho, assombrosamente calmo, como a brisa que vinha em direção ao meu rosto e o deixava ainda mais ressecado.  Era desértico. Passava um ônibus a cada meia hora, por vezes, uma ou duas pessoas passavam por mim com as mãos entranhadas nos bolsos de seus casacos. A madrugada ficava mais fria à medida que o relógio avançava.


terça-feira, 3 de junho de 2014

O fumo hoje, liberdades constitucionais amanhã

No último sábado (31/05) comemorou-se o Dia Mundial sem Tabaco. Seguindo sua velha cartilha intervencionista, o governo federal, a espelho de países europeus, amplia a luta estatal contra o cigarro. No último dia 2/06 o governo federal, na pessoa da presidente Dilma, publicou o decreto 8.262, que modifica outro decreto federal, o decreto 2.018 de 1996. O antigo decreto aceitava determinadas áreas de lugares coletivos e fechados em que o fumo era permitido, os chamados "fumódromos". Agora, segundo o novo decreto, os fumódromos ficam estritamente proibidos: "é proibido o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos, narguilé ou outro produto fumígeno, derivado ou não de tabaco, em recinto coletivo fechado." Pelo decreto fica proibida, também, a publicidade de qualquer produto fumígeno no rádio ou na TV, antes a propaganda era permitida entre às 21:00 e às 06:00 da manhã.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Política no blog

Na foto: Ex-ministra Ellen Gracie.
- Luz no fim do túnel:
Deu no blog do Ricardo Setti que a ex-ministra do STF, Ellen Gracie, pode sair candidata ao governo do Rio de Janeiro. Filiada ao PSDB, era cogitada como vice na chapa de Aécio Neves, segundo o colunista de VEJA, porém, a primeira mulher a integrar e presidir a corte suprema pode, na verdade,  pleitear o Palácio Guanabara. Historicamente o PSDB perde de goleada na cidade maravilhosa e no estado fluminense. Ellen seria um trunfo para conseguir palanques e conquistar um estado chave para qualquer possível presidente. Especialista em direito penal, a ex-ministra usaria do atual desgaste do modelo das  UPPs e a sempre complicada questão de segurança pública como sua principal arma de campanha.
Numa eleição onde os principais atores são velhos fantasmas do Rio de Janeiro como Garotinho e César Maia, Ellen Gracie surge como um ponto fora da curva, uma luz no fim do túnel.

- Caos urbano:
A espelho da greve da Polícia Militar baiana, em abril,  que num período de três dias, foram registrados mais de 50 homicídios sem mencionar saques coletivos e assaltos, o caos chega também à Pernambuco. Cerca de 234 pessoas já foram presas no estado durante greve da Polícia Militar. Vídeos de multidões depredando o patrimônio público e privado, além, é claro, de vários saques, se espalharam pela internet. Cerca de 27 homicídios já foram registrados. A Força Nacional e as Forças Armadas estão nas ruas "cuidando" da segurança. 

- Não vai ter Copa:
Diversos grupos sociais, entre eles o MST, o Anonymous, o MPL e claro, Black Blocs, saíram ontem às ruas para protestar contra a Copa do Mundo,  outros assuntos entraram nas manifestações também. Com o intuito de repetir o 15M, ato que teve início em 2011 em Madrid, Espanha, foram marcadas manifestações em cerca de dez cidades com mais de 100 mil habitantes. Vinte Black Blocs foram presos em São Paulo com coquetéis molotov. Os atos serviram como teste para o governo federal que não quer repetir a "Copa da Manifestações", como ano passado.

- Luz no fim do túnel parte 2:
Em recente pesquisa, o Datafolha aponta para um possível segundo turno nas eleições presidenciais no fim do ano. Meses atrás as pesquisas apontavam uma possível vitória, esmagadora, no primeiro turno para a presidente Dilma. Na última pesquisa Aécio Neves (PSDB) subiu 4 pontos e Eduardo Campos (PSB) somou 1 ponto. A presidente Dilma segue em queda, mas ainda com 37% das intenções de voto. A pesquisa aponta, ainda, que Dilma venceria um possível segundo turno com qualquer um dos candidatos. No entanto, os índices de aprovação da candidata petista assustam a cúpula do PT. Dilma perde aprovação popular pesquisa após pesquisa.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Voltamos à idade média?

Os jornais vêm noticiando uma crescente onda de violência, mas não aquele tipo de violência a que estamos habituados. Algo diferente, que dá à sociedade brasileira ares de idade média. Os casos de justiceiros, linchamentos e depredações ao patrimônio público e privado só crescem. O sociólogo José de Souza Martins, professor da Universidade de São Paulo (USP), estima que ocorram entre três e quatro linchamentos por semana em todo território brasileiro. Segundo ele, "o Brasil dever ser o país em que este tipo de crime mais ocorre".

Na última segunda-feira (05/05) morreu, no Guarujá, Fabiane Maria de Jesus, 33 anos, vítima de espancamento que aconteceu dias antes, no último sábado (03/05). Fabiane foi amarrada, arrastada e, em seguida, brutalmente espancada por um grupo de pessoas em Morrinhos, periferia do Guarujá, bairro onde morava. Fabiane chegou a ser socorrida, mas não resistiu  aos ferimentos. O crime teria sido motivado por um boato espalhado no Facebook. Segundo a polícia, Fabiane foi confundida com uma suposta sequestradora de crianças, que teve retrato-falado divulgado na rede social por uma página do Guarujá. A Polícia, contudo, afirma que não há ocorrências de sequestros de crianças na cidade. Sabe-se, agora, que o retrato-falado divulgado nas redes sociais foi feito no Rio de Janeiro em 2012.

O advogado da família da vítima acusa, também, os moderadores da página "Guarujá Alerta" , responsável por divulgar o boato. A "Guarujá Alerta", porém, disse em nota que tratou o caso como boato e que está sofrendo uma campanha difamatória. 

Chocante! Esta é a única palavra capaz de descrever tal situação. Pessoas sendo espancadas até a morte à luz do dia, justiceiros amarrando pessoas à postes, torcedores sendo mortos por vasos sanitários. A situação é de caos. Estamos vivendo novamente a idade média?

Me pergunto o que está acontecendo com nossa frágil sociedade, mas acho que a resposta é explícita. Há uma clara descrença no Estado democrático de direito, nas instituições da República, na mídia em geral e uma falta de representatividade política. Todos esse aspectos contribuem para a formação do estado de colapso que estamos vivendo. O Estado não oferece segurança pública, o poder judiciário é sinônimo de lentidão, a Polícia nunca esteve tão desmotivada e desacreditada. Os jornais, que deveria exercer papel fundamental em questões como essa, desmistificando, promovendo o debate e informando são tidos como manipuladores e a população os rejeita. Essa é a formula para uma sociedade em crise. Sem segurança a população acha que deve fazer "justiça" com as próprias mãos. Desinformadas e desacreditadas nos jornais, as pessoas recorrem às redes sociais que, na maioria da vezes, oferecem rapidez, imediatismo, mas quase nunca, informação correta, apurada e  com suas devidas fontes. 

Há de ser repensado nosso modelo de sociedade. É esta a sociedade que queremos? Há de ser repensado nosso comportamento perante a rede mundial de computadores. Há uma tensão no ar, um clima denso, de dúvida, receio. É dever do Estado apagar esses sinais de crise, fortalecer suas instituições e mostrar à população que está presente.  É papel do Estado repensar suas políticas a fim de que outras Fabianes possam ser salvas. É dever da imprensa debater, elucidar, informar a fim de que as pessoas possam voltar a confiar nos jornais. E por fim, é nosso dever questionar, não nos deixarmos levar por boatos de Facebook ou por multidões. Há muito o que ser feito, há muito o que repensar, mas, infelizmente, nossa sociedade não
tem tempo o bastante para tanto.
Na foto: Cartaz com a foto de Fabiane durante protesto.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Mais uma do Diário de Classe

Na foto: Isadora Faber.
Vocês provavelmente devem se lembrar da jovem  Isadora Faber e de seu Diário de Classe. A jovem, de apenas 13 anos, tornou-se conhecida em todo o Brasil ao criar uma página no Facebook onde denuncia os problemas enfrentados pela escola pública em que estuda. Hoje, com mais de 620 mil curtidas em sua página, Isadora continua denunciando as péssimas condições da educação pública em Florianópolis. 

Na última quinta-feira (17/04) Isadora fez uma pertinente denúncia em sua página no Facebook. Segundo ela, representantes de ONGs participaram de uma reunião com a Secretaria de Educação de Florianópolis no dia (16/04). Na reunião foi apresentado um projeto à Secretaria de Educação que visava premiar com notebooks e afins os alunos que tiverem melhor desempenho escolar da rede pública. Segundo o texto publicado no Facebook, o projeto seria bancado pela iniciativa privada e não custaria dinheiro público algum. Porém, surpreendentemente, o projeto foi recusado pela Secretaria de Educação e pelo Sindicato da categoria. Segundo eles, os bons alunos não precisam disso e que tal medida iria desestimular os alunos com desempenho ruim a estudarem mais e o pior; disseram que não podem estimular a concorrência entre alunos e que são contra a meritocracia nas escolas.

Pois é, leitor, infelizmente, você não leu nada de errado no parágrafo acima. A Secretaria de Educação de Florianópolis na pessoa do secretário, Rodolfo Pinto da Luz, realmente fez essa atrocidade com a educação pública ao recusar o projeto. 

A meritocracia, um regime onde em iguais condições, todos devem competir e prosperar a partir dos seus próprios méritos é essencial na educação como um todo, principalmente na pública, que clama por melhorias.  A meritocracia é uma das melhores filosofias para serem levadas para a vida e na escola é algo importantíssimo. Incentivar o aluno à excelência deveria ser regra e premiá-lo caso ele consiga tal feito é uma saída para o desestimulante e fraco ensino público no Brasil. Estimular a concorrência é saudável. Mas parece que a o secretário de educação tem medo dos sindicatos comunistas que o cercam e não quer a meritocracia. A educação é o cerne de uma nação, por isso, o país é medíocre porque nossa educação é terrível.

Parabenizo Isadora pela coragem em criar a página e denunciar os desmandos contra a educação. Apesar de ter apenas 13 anos, Isadora demonstra uma lucidez e sabedoria que falta ao secretário de Floripa. Que ela continue com esse ótimo empenho em melhorar a educação. Precisamos de mais Isadoras !

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um governo de mentirinha

O jornal Folha de S.Paulo destacou ontem (16/04) dados divulgados pela Secretaria de Comunicação Social do Palácio do Planalto (Secom) que mostram as cifras gastas pela gestão Dilma em 2013 com publicidade. O valor gasto é o maior desde o ano 2000, ano em que os números começaram a ser divulgados.  O governo, somente em 2013, gastou R$ 2,3 bilhões com publicidade. Os dados revelam ainda em quais foram as mídias  que o governo federal mais injetou dinheiro. O valor gasto representa um aumento de 7,4% em relação a 2012. 65% desse valor foram destinados a publicidade na TV. O rádio, jornal, revista e a internet representam 7,6%, 7%, 6,3% e 6%, respectivamente, de todo dinheiro gasto.

O governo justifica que em 2013 muitas campanhas de utilidade pública foram apresentadas, inclusive, a do programa Mais Médicos. O governo argumenta ainda que o aumento foi puxado, principalmente, pelas ações publicitárias dos Correios, empresa que completou 350 anos em 2013, portanto muitas campanhas foram feitas comemorando o aniversário da estatal.

O IBOPE aponta, portanto, que o governo brasileiro foi a quarta instituição que mais gastou com publicidade em 2013, ficando atrás apenas da Unilever em primeiro, seguida por Casas Bahia  e o Laboratório Genomma. O IBOPE destaca ainda que o valor gasto pelo governo federal superou o da gigante Ambev. A maior empresa de bebidas da América Latina gastou cerca de R$ 1,8 bilhões ano passado em publicidade.

Uma das desculpas usadas pelo governo para justificar esse montante é a publicidade das estatais, mais especificamente, os Correios, mas eu pergunto: essa justificativa é plausível? Os Correios detêm o monopólio do setor em que atua, portanto, será mesmo  necessário tanto dinheiro em publicidade para uma empresa que quase não tem concorrentes? Segundo a Secom, um terço do valor gasto ano passado foram de publicidade para a estatal.

O dinheiro gasto em campanhas de utilidade pública é justificado, mas e o resto? Será que uma meia dúzia de campanhas iriam comer um valor tão alto? Como dito acima, a TV foi o veículo que mais recebeu dinheiro oficial e isso, por mais que não pareça, é perigoso. Quais serão as TVs que poderão exercer plena liberdade quando forem tratar de assuntos do governo ? O governo Dilma tem ampla maioria na Câmara e no Senado e parece ter um certo controle sobre as emissoras. Prova disso foi o SBT ser ameaçado de perder verba publicitária, caso não censurasse a jornalista Rachel Sheherazade. Com tanto dinheiro indo para diversos veículos de comunicação fica a dúvida se esses são isentos ou não. Vale lembrar que foi desse jeito que Venezuela e Argentina, aos poucos, sufocaram a liberdade de emissoras e jornais. Esses países são praticamente donos da mídia, porque a receita de jornais e emissoras de TV de lá se deve em grande parte a verba pública.

É do conhecimento geral que o homem forte de Dilma é o publicitário João Santana. Santana coordena e prepara Dilma em entrevistas, debates, comerciais e etc... não me espanta, portanto, o governo gastar tanto em publicidade, já que a própria Dilma vive sob uma cortina de marketing. Este ano é ano de campanha eleitoral, provavelmente nossa presidente irá gastar mais 1 ou 2 bilhões em publicidade e alguns milhões em sua campanha. É tudo pintado, é tudo "pra inglês vê", é tudo de mentirinha. E nosso dinheiro, que é bem real, é torrado aos montes.
Foto retirada da web.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Censores de volta, cuidado com o que dizes

Cá estou eu, mais uma vez, para falar de um assunto que, sinceramente, não gostaria. Estou de saco cheio do assunto. Já deu. Porém, parece que as pessoas não se cansam. Estou aqui novamente para comentar a polêmica envolvendo a âncora do SBT Brasil, Rachel Sheherazade. 

A polêmica teve início após um dos habituais comentários de Rachel durante o telejornal. À época, Rachel comentou o caso de um jovem bandido que, após roubar, foi atado a um poste. A jornalista disse que era "compreensível" que a sociedade fizesse o que fez, já que o Estado é falho e não oferece segurança a todos. O comentário foi a gota d'água para que jornalistas - é, pois é - políticos e entidades pedissem a cabeça de Rachel. Partidos de esquerda entraram com representação no Mistério Público pedindo que a âncora fosse afastada da bancada do jornal, senão o SBT poderia perder verbas de publicidade oficial e até ter sua concessão pública cassada.  AQUI você pode ler o texto que escrevi no auge de toda a polêmica.

Como já escrevi anteriormente, a polêmica do assunto foi para o outro lado. Intencionalmente esqueceram o verdadeiro cerne do comentário de Rachel e aproveitaram-se da situação para execrá-la. Quando Paulo Ghiraldelli, em seu Facebook, sugeriu que a jornalista merecia ser estuprada nenhuma entidade de jornalistas, dos direitos humanos ou de feministas se pronunciaram em defesa de Rachel. E por quê? Rachel não é humana? Não merece ser defendida? O fato, no entanto, é que desde sua chegada ao SBT a jornalista gera burburinhos na mídia em geral. Jornalistas, intelectuais e formadores de opinião não estão acostumados a dividir o espaço público de debate com pessoas que tenham visões conservadoras. A verdade é que os conservadores, principalmente neste meio, são logo xingados de tudo quanto é nome. Vale relembrar de quando a Folha anunciou que Reinaldo Azevedo, da VEJA, iria escrever uma coluna para o jornal. Suzana Singer, a ombudsman do jornal, tratou de gritar aos quatro ventos seu descontentamento com a contratação de Reinaldo ao chamá-lo de rottweiler. 

No Brasil, tanto a televisão quanto os jornais deram uma forte guinada ao "progressismo" nos últimos anos. A onda do politicamente correto tem tomado conta da opinião pública e com isso a liberdade, legítima, de expressão é a grande prejudicada. Na TV tudo pode, tudo é permitido, mas uma jornalista dar suas opiniões é errado, não é permitido. Na última segunda-feira (14/04), Rachel voltou a bancada do jornal e logo foi anunciado que "para proteger seus apresentadores" eles não irão mais expor suas opiniões. Ou seja, os censores estão de volta. A gritaria entorno de Rachel surtiu efeito, ela não pode mais falar. Aos poucos, uma nefasta e perigosa ditadura do pensamento se instala em nossa sociedade. Aos poucos estamos nos policiando acerca daquilo que devemos ou não falar, receosos se seremos apedrejados em praça pública por conta disso. Quando um colunista de esquerda escreve em apoio aos Black Blocs ninguém o acusa de incitação ao crime, mas quando uma jornalista conservadora fala sobre o endêmico problema da violência ela é acusada até de fascismo. Pobre de nossa sociedade que entra neste momento tão assombroso, pobre de nós que estamos aqui para presenciá-lo. Infelizmente, a polícia do pensamento está aqui, entre nós. 
Na foto: Rachel (dir) e Silvio Santo(esq).

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Acabou o carioquinha

Ontem chegaram ao fim os - esvaziados - campeonatos estaduais, graças à Deus !! Digo isso porque, excluindo-se algumas exceções, os estaduais se configuram num tipo de campeonato ruim tecnicamente, chato de se ver, falido e esvaziado. O Campeonato Carioca que é tido como o "campeonato mais charmosos do Brasil" foi de longe o pior. O Botafogo abdicou completamente da competição, fazendo partidas horrorosas com péssimas atuações de seus reservas e de seus titulares também - salvo aquela contra o Fluminense. Resultado: nem chegou às semi-finais. O Cabofriense - assim mesmo, com "o" - , que tinha tudo para ser o "Ituano" do carioca, perdeu força e foi massacrado pelo Flamengo. O Fluminense, apesar de ter ido à semi-final contra o Vasco e de apresentar, talvez, o melhor elenco dentre os quatro grandes, foi um time irregular, feio de assistir e ainda deu aquele vexame aos reservas do Botafogo. O Flamengo, campeão, também não apresentou o um bom futebol. Foi irregular, mesclando ótimas atuações com outras nem tão boas assim. Diferente do Botafogo, o Flamengo se preocupou menos com a Libertadores e deu a devida atenção ao Carioca e foi campeão. O Vasco, apesar de algumas atuações duvidosas no início do campeonato, foi o time que apresentou o melhor futebol, principalmente nas partidas decisivas. Foi também o time que mais sofreu com os erros da arbitragem. Dois erros cruciais, em jogos contra o Flamengo, fizeram o Vasco perder ambos. O último deles custou também o título. O Flamengo segue agora eufórico para o Brasileirão. O Vasco, apesar do melancólico Carioca, segue um caminho interessante de reestruturação para disputar a série B. O Fluminense, rebaixado em campo, deve abrir o olho para o Brasileiro. O Botafogo tem que seguir em frente, esquecer o terrível primeiro semestre de 2014 e apostar suas fichas nas competições que estão por vir, mas com os pés no chão, o elenco é fraco.

375: esse é o número que simboliza o qual ruim o Campeonato Carioca está. Esse foi o número de torcedores pagantes num jogo do Flamengo. O Botafogo e o Fluminense também jogaram para públicos com menos de 500 pagantes. Aliás, salvo a final, todos os jogos desse Carioca tiveram pouca torcida, inclusive as semi-finais. A taxa de ocupação dos estádios foi de 8% e a média de público da competição foi de 2.828 pagantes. Em 2015 o desafio do Campeonato Carioca é tentar melhorar seu público, lotar estádios, apesar de que, oficialmente, tudo continua na mesma. E que não hajam erros esdrúxulos da arbitragem, que obviamente, "deram" o  título ao Flamengo.

* O ponto alto do domingo não foram as finais, mas a espetacular partida entre Liverpool e Manchester  City pela Premier League.
Charge retirada do lancenet.com.br.

Falando de utopia

O Twitter é, sem dúvida, a melhor rede social já criada ao meu ver. Você fica por ali jogando conversa fora, comentando alguma coisa até que uma ótima conversa surge. O problema é que, às vezes, os 140 caracteres da rede não permitem que você se explique adequadamente, por isso, depois de um ótimo colóquio madrugada passada, decidi escrever este texto. Conversa vai, conversa vem chegamos ao questionamento se já houve comunismo. Se as ditaduras soviética e chinesa são comunistas ou não. Portanto, vamos ao meu esclarecimento, ou melhor, meu ponto de vista.

Como é de conhecimento geral a teoria do comunismo foi proposta pelo filósofo Karl Marx no século XIX. Segundo Marx, o sistema capitalista estava fadado ao colapso. Segundo ele, as infinitas crises econômicas iriam provocar o fim do capitalismo. Marx então, propõe uma revolução para derrubar as democracias liberais, a sociedade burguesa e o sistema capitalista. Para ele, devido a eterna luta de classes, o proletariado seria o responsável por dar cabo a sociedade vigente e erguer a sociedade socialista. Marx acreditava que antes da sociedade comunista acontecer era necessário passar pela fase socialista, onde haveria a ditadura do proletariado, onde a propriedade privada seria extinta e todos os bens pertenceriam ao Estado para que ele pudesse distribuí-los igualmente. Após a fase socialista, a sociedade evoluiria para o comunismo, onde não haveria classes, Estado e todos viveriam em igualdade.

O fato é que Marx estava errado. Nenhuma de suas previsões se concretizou. O sistema capitalista não ruiu, a revolução não se espalhou pelo mundo, a sociedade comunista não aconteceu e só o que se viu foram ditaduras sanguinárias, fome e miséria.

O que podemos tirar dessas conclusões é que o comunismo tal como ele foi proposto é inalcançável, é utópico, é falho, fadado ao fracasso. Todas as formas de alcançá-lo deram errado, se transforaram em regimes totalitários que extirparam as liberdades individuais violentamente. Portanto, fujam das utopias. Elas seduzem, encantam, criam esperanças, mas nunca se realizarão. São impossíveis. O caminho para qualquer utopia é sangue e nada mais. Uma utopia não é, ao contrário do que dizem, uma realidade em potência. Não é, tampouco, realidade. É sonho, alucinação, desejo, alienação. As utopias são um fracasso em ato e um desastre em potência. O fato de nenhuma das ditaduras citadas serem, verdadeiramente, comunistas não exime Marx e sua teoria de fomentar mortes e mais mortes. Filosofia mata e a filosofia marxista é uma das mais assassinas, ela cega seus seguidores, estimulando-os a fazer atrocidades em troca de algo que jamais existirá.
Imagem retirada da web.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Engenhão: de quem é a culpa? Quem paga a conta?

No último dia (26/03) completou um ano que o estádio olímpico João Havelange, mais conhecido como Engenhão, está fechado por interdição da prefeitura do Rio de Janeiro. Em 2013, a consultoria alemã SPB detectou falhas na estrutura da cobertura do estádio. O relatório alemão alertava que, caso os ventos na região do estádio ultrapassassem 70 km/h, a cobertura corria sérios riscos de desabar. Com base nesse relatório,o prefeito do Rio, Eduardo Paes, determinou a interdição do estádio.

Meses após a controversa interdição a prefeitura anunciou um novo projeto para reforçar as estruturas que dão sustentação à cobertura. A Odebrecht, empreiteira responsável pela obra em 2007 depois que o antigo consórcio composto pela Delta desistiu da obra, gere e paga o novo projeto. Segundo a empreiteira,o custo total do novo projeto ainda não foi estimado. Trabalham cerca de 340 operários na obra que não deve mudar o design original do estádio, segundo informações da Odebrecht.

Segundo reportagem da ESPNBrasil, engenheiros que participaram da obra para o Pan de 2007 afirmaram que houve falhas no projeto e na execução da obra. Segundo eles, inaugurado às pressas, o Engenhão não poderia ter sido inaugurado para o Pan, pois as estruturas saíram do eixo durante a competição. O Conselho Regional de Engenharia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) identificou que o engenheiro responsável por validar a obra não possui registro de trabalho no Brasil. Tiago Abecassis, responsável por validar a obra, é português. Tiago será denunciado pelo Crea-RJ por exercício ilegal da profissão.

O Botafogo, clube que arrendou o estádio por 20 anos após o Pan, calcula prejuízos. Segundo Sérgio Landau, diretor-executivo do Botafogo, o clube perdeu em 2013 entre R$ 20 e R$ 25 milhões em contratos. Até a reabertura do estádio, Landau calcula que o prejuízo deve alcançar a cifra de R$ 45 milhões. Apesar de resultados satisfatórios dentro de campo, o Botafogo conviveu com atraso de salários após o fechamento do estádio. A interdição só agravou a já ruim situação financeira do clube. O Botafogo agora pensa em contratos e patrocínios para 2015.

Como botafoguense só posso lamentar os prejuízos que o Botafogo teve. Prejuízos que obrigaram o clube a vender importantes jogadores durante o Campeonato Brasileiro do ano passado e que ainda fazem falta neste ano. Como cidadão e contribuinte é minha obrigação cobrar das autoridades explicações sobre esse caso. Um estádio que custou quase 400 milhões de reais aos cofres públicos e que tinha apenas 6 anos de uso desde sua inauguração não poderia apesentar problemas graves como apresentou. A construtora responsável irá pagar os custos da reforma, mas e os prejuízos do Botafogo? Será que alguém vai pagar a conta do Botafogo, maior prejudicado da história? Creio que não. 
Esse caso levanta ainda outros questionamentos. Construído para o Pan o estádio seria um dos legados da competição, mas será que é? Dando prejuízos pouco tempo depois dos jogos ele é mais um dos problemas deixados pelo Pan. E mais. O Engenhão foi construído às pressas -o que foi apontado como uma das causas de seus problemas estruturais - assim como muitos estádios da Copa do Mundo. Será que o legado da Copa será como o legado do Pan? Estádios caros e novos com problemas estruturais. Alguns estádios ainda não estão prontos e serão entregues em cima da hora como o Engenhão foi. Esperamos que esses estádios não sejam como o Engenhão e sejam bons legados ao fim do mundial. Como botafoguense espero que o Botafogo possa recuperar o que foi perdido. 
Na foto: O belo estádio Engenhão. 

terça-feira, 25 de março de 2014

1964 + 50

No próximo dia 31/03 completar-se-á cinquenta anos do golpe militar de 1964. Levando-se em conta a data, o jornal O GLOBO vem fazendo uma série de reportagens em suas páginas contando alguns detalhes do regime. No último domingo, por exemplo, o jornal trouxe cerca de oito páginas dedicadas ao tema. Não é novidade, que no ano passado, o mesmo jornal fez sua mea-culpa sobre o golpe. Explicando-se por que apoiou o golpe à época. Agora, com uma tendência oposta a de 50 anos atrás, o jornal tenta se redimir.

O regime militar em si é indefensável. Foram 20 vintes de uma ditadura que cerceou as liberdades individuais, cassou oposicionistas e caçou opositores. Além, é claro, de uma política econômica estatista e nacional-desenvolvimentista que é pra lá de duvidosa. Porém, como disse Delfim Netto - economista e ministro da fazenda durante o regime - "a história passa por onde ela deve passar".  Há cinquenta anos o Brasil estava entre a cruz e a espada. Eram os militares ou os comunistas. Ocorreu uma corrida para o golpe, que os militares saíram vitoriosos.

Hoje, cinquenta anos depois, a história é reescrita. O jornal que apoiou o golpe, promoveu-o e se beneficiou com ele muda de figura.  A Comissão Nacional da Verdade instituída pela presidente Dilma, que à época disse não se tratar de revanchismo, comporta-se pior, comporta-se de maneira vingativa. Os crimes cometidos pelos militares são investigados, os crimes cometidos pelo outro lado não. A Comissão da Verdade remete-nos a obra de George Orewell e não apenas se parece com ela, mas tem os mesmos objetivos. Repintar a história com outras cores. Criminosos de outrora são tidos hoje como heróis nacionais, símbolos da resistência democrática. Um Che Guevara brasileiro não deve demorar para nascer. 

Hoje dividem a história em bonzinhos e malvados. Vítimas e opressores. Democratas e fascistas. O fato, porém, é que não há lados na história, somente fatos. É assim que a história se constitui. Boa parte dos terroristas de ontem estão agora em Brasília dirigindo o país, recontando a história a sua maneira.Os rumos do Brasil são incertos assim como há 50 anos.
Imagem retirada da web. 

segunda-feira, 10 de março de 2014

O problema é nosso

O tão esperado evento do ano está prestes a acontecer. Faltam pouco mais que 90 dias para  a bola rolar na Copa do Mundo Fifa 2014 aqui no Brasil. No dia 12 de junho deste ano, com obras prontas ou não, com mobilidade urbana ou não, com manifestações ou não, querendo ou não, haverá Copa. Os jogos ocorrerão. Aos trancos e barrancos os caros e suntuosos estádios estarão lá, prontinhos para suas partidas de futebol. O 'mimimi' agora já não adianta mais. Então, nos foquemos nos próximos 'mimimi's'.

Doze são os estádios que receberão jogos nesta Copa do Mundo, de norte a sul do país. Porém, a conclusão que eu tiro desse número é a seguinte: estádios demais para futebol de menos.  O que primeiro vem até nossas cabeças ao analisar essa situação são os elefantes brancos, aqueles estádios como o de Manaus e Cuiabá que, teoricamente, não têm um campeonato ou times fortes que justifiquem estádios como aqueles. O que deve ser pensado e discutido. No entanto, o que pouca gente pensa é se os estádios do eixo sul-sudeste - que tem os times mais fortes - serão tão bem aproveitados como se imagina.

Um apanhado dos números dos campeonatos estaduais, da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro do ano passado mostram um abismo nessas competições. Os principais campeonatos estaduais apresentaram números pífios de público. O Campeonato Mineiro foi o melhor colocado, com uma média de 6.451 pagantes. O Paulistão vem logo em seguida com uma média de 6.217 pagantes. O Campeonato Carioca foi só o nono colocado, com uma média  2.422 pagantes e o Gaúcho em décimo com média de 2.219 pagantes. "Ah, mas estadual é falido mesmo" vai falar alguma língua afiada. Entretanto, as duas principais competições nacionais também apresentaram números ínfimos no ano passado. O Brasileirão teve média de 14.951 pagantes em seus jogos. Enquanto que a Copa do Brasil foi pior que alguns estaduais e apresentou média de 2.622 pagantes por jogo. A nível de comparação, o campeonato do "país do futebol" teve menos público que o campeonato americano de futebol. Pois é, americano nem liga pra futebol, mas lotou mais estádios que o "apaixonado brasileiro". Nem irei comparar com os campeonatos europeus porque seria uma surra.

De novo, 12 são os estádios da Copa, mas e o futebol? A impressão que fica é a de que fizeram a festa, mas se esqueceram de convidar o aniversariante. A Copa e os belos estádios irão revigorar a paixão do brasileiro pelo futebol? Duvido muito, senão já teria ocorrido após a Copa das Confederações. Não é o caso. Os estaduais continuam esvaziados e a tendência é de piorar.

Em tempo, mais uma Arena foi inaugurada neste fim de semana. Foi a Arena da Amazônia, em Manaus. Candidata a  ser mais um elefante branco, o governador do Amazonas, Omar Aziz, não gostou de ser perguntado por um repórter da ESPN Brasil sobre a utilidade do estádio. A resposta de Aziz foi: "isso não é problema teu. É problema do povo amazonense. Não é da imprensa do sul, é nosso, do povo amazonense." É bom lembrar ao ilustre governador que seja do Amazonas ou do Rio Grande do Sul o dinheiro gasto nesses estádios é dinheiro público. Meu, seu, nosso. Não importa de onde seja. Afinal, o Amazonas ainda faz parte do Brasil. Governador, o problema é nosso, do povo brasileiro. Não se esqueça disso.
Na Foto: Logo oficial da Copa.
*Com informações de: globoesporte.com e futdados.com.br

sexta-feira, 7 de março de 2014

Clamar pela volta dos militares é tiro no pé, é burrice da direita

Está marcada para o dia (22/03), em São Paulo, a segunda edição da Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Há 50 anos, a primeira edição da manifestação contou com milhares de adeptos e foi organizada por setores conservadores da sociedade. À época,  a mobilização tinha como objetivo ser uma resposta a um comício realizado no mesmo mês, no Rio de Janeiro, pelo então presidente João Goulart. Em seu comício, Jango lançou as bases para uma forte tendência ao socialismo. Dias após a marcha o presidente foi deposto no que se classifica como intervenção militar, em seguida, teve início um governo de exceção. Hoje, a marcha é organizada pelo Facebook e tem como objetivo revigorar os valores conservadores da sociedade brasileira, além é claro, de ser uma manifestação contra o atual governo de esquerda e suas ideologias socialistas. 

Há 50 anos, o Brasil vivia um momento crítico, a Guerra Fria estava a todo vapor e o governo brasileiro dava claros sinais de que a guinada ao comunismo não iria tardar. Foi um movimento legítimo, necessário. O Brasil não queria mergulhar num comunismo ao estilo cubano. Ou em qualquer tipo de socialismo. O que aconteceu depois foi um desvio de percurso. O comunismo não era bem-vindo, nem uma ditadura militar.

Hoje é possível encontrar pela internet diversos vídeos e textos de pessoas explicando a diferença entre um golpe militar e uma intervenção militar. Também não é difícil de encontrar páginas no Facebook que pedem uma intervenção militar. E agora, a mesma marcha emblemática de 50 anos atrás acontecerá novamente. Como o leitor sabe, sou conservador em diversos aspectos sociais e políticos, me posiciono abertamente como sendo de direita, porém, estas conjecturas que se montam atualmente requerem cautela, prudência e análise crítica. A direita  brasileira não pode cometer o mesmo erro duas vezes. 

O PT é hoje o maior inimigo deste país. Merece e deve ser combatido, assim como a eferverscência de ideias de esquerda. No entanto, isso deve acontecer no campo ideológico e político. Temos de esmagá-los com ideias e organização. Liberais e conservadores devem deixar suas arestas de lado e começarem a pensar numa direita organizada a fim de que erros do passado não aconteçam novamente. A Marcha que ocorrerá este mês é essencialmente conservadora, exclui  participação dos liberais. Não devemos deixar lacunas, pois estas lacunas serão ocupadas pela esquerda gramsciniana. 

Há também outro risco nesse pequeno fervor por uma intervenção militar. Há 50 anos, os militares chegavam ao Palácio do Planalto com os mesmos intuitos destes que clamam por uma intervenção; dissolver as instituições, formar um governo de coalizão, marcar eleições e deixar o poder, porém, o que se viu foi um regime autoritário, anti-democrático, estatista, centralizador que só fez o que prometeu mais de 20 anos depois de ter subido ao poder. Portanto, cautela ao clamar pelos militares, pois o tiro poderá sair pela culatra mais uma vez e a direita pode novamente ficar estigmatizada por uma ditadura que foi militar, mas não de direita, não da direita que eu me identifico.Os militares nos livraram de uma ditadura comunista, mas a que preço? Se teve um período em que os ideais da esquerda mais prosperam foi durante o tempo dos militares. E essa prosperidade da esquerda resultou no governo petista de hoje. Defender a volta dos militares é tudo o que a esquerda quer e precisa nesse momento. Ainda não somos a Venezuela, a mudança pode ser política, mas isso requer organização.

Na foto: Capa do Jornal Do Brasil há 50 anos.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Venezuela desmoronando

Há cerca de duas semanas começaram a pipocar na mídia e, principalmente, nas redes sociais relatos sobre a situação política na Venezuela. Aos poucos os relatos e as imagens de Facebook tornaram-se assunto de editoriais dos grandes jornais. Aos poucos, viu-se que a Venezuela está à beira de um colapso social e político.

Na Foto: Nicolás Maduro.
O panorama venezuelano é de crise econômica, política e social. Com uma inflação que ultrapassa os 50%, a população tem de conviver com graves problemas de abastecimento. No âmbito político há uma clara divisão. Nicolás Maduro venceu a última eleição presidencial com uma apertada maioria de 50,7% dos votos. Porém, há também um desencontro dentro da oposição. Enquanto isso, os níveis de criminalidade saltam e o número de homicídios já chega a 25 mil por ano, num país com menos de 30 milhões de habitantes.

Após a - cinematográfica - prisão de um dos expoentes mais radicais da oposição, Leopoldo López , as manifestações se intensificaram e a violência nas ruas também. Há a participação de tropas federais nas ruas e relatos de milícias organizadas.

Quando se trata de Venezuela tudo é muito complicado. Quais são as saídas para esta crise? Obviamente, não há saídas políticas. O Estado venezuelano é grande, forte e não deixa brechas. O único resquício de democracia  do Estado são as eleições que, sozinhas, não garantem um regime democrático. O presidente venezuelano não parece estar empenhado em apaziguar a situação já que convocou manifestantes pró-governo a irem às ruas também. O que gera mais conflito e legitima seu discurso autoritário. Maduro também não está disposto a dialogar com a oposição e com seus manifestantes, afinal não será decretando prisões, alardeando golpes e chamando-os de fascista que irá amenizar o caos.

Um golpe é caracterizado por uma força que tem poderes militar e político para derrubar um governo. A oposição e os manifestantes têm esse poder nas mãos?

Nicolás Maduro desconhece o fascismo. Se a oposição é fascista o governo dele também transborda características presentes nos regimes fascistas. Em seguida, o presidente adotou medidas costumeiras e expulsou diplomatas americanos e até ameaça tirar do ar as redes de TV a cabo, segundo ele, incitadoras dos protestos. A culpa é sempre dos outros. 

E por aqui? A mídia tradicional condena, costumeiramente, o regime venezuelano e a imprensa alternativa tenta dizer que os protestos são falsos, ilegítimos e apoiam Maduro. A intelectualidade se confunde e condena a violência dos manifestantes, a mesma intelectualidade que adora os Black Blocs. O governo brasileiro, como sempre, é leniente e dá seu total apoio a Nicolás e não busca apoiar uma negociação entre os lados. 

No país que abriga o "ministério da felicidade social" - George Orwell neles - a população se revela mais do que infeliz, se revela indignada. Sem saídas políticas e com um Estado que incentiva o conflito o caos deve aumentar. Vem banho de sangue aí!?
Manifestante em Caracas. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ideias matam

Certa vez, durante uma palestra sobre filosofia, ouvi que a responsabilidade de um filósofo ou de um intelectual é imprescindível. " O filósofo deve ter consciência sobre aquilo que instiga os outros a fazer. A má interpretação de ideias pode ser a causa de um banho de sangue." Noutra vez, agora durante uma aula de filosofia, ouvi de meu ex-professor que: "filosofia na veia mata e ideias são à prova de balas" - sim, o professor citava V de Vingança. 

Hoje em dia, em nossa 'querida' era da modernidade, aquilo que sai do campo das ideias tem cada vez mais relevância na vida das pessoas. Hoje vive-se de ideias, de ideologias, de utopias. O exército da salvação é formado por um bando de velhos que leu Foucault, por um bando de velhos que idolatrou Sartre e Che. 

A Revolução Francesa deixou marcas que o tempo ainda não apagou. O culto à democracia, o culto às massas. Vivemos intensamente o turbilhão pós-1789, mesmo que mais de 200 anos tenham se passado. Nessa era em que santificam as massas e idolatram o coletivo manifestar-se tornou-se sinônimo de viver. Estamos sempre gritando para algum canto ou contra alguma coisa. No último ano, o Brasil viveu um grande frenesi democrático. As manifestações varreram o país. No meio de todo aquele alvoroço eclodiam ideias e muita violência. Os editoriais dos jornais aplaudiam de pé toda a festa. Nas ruas a movimentação só aumentava. A intelectualidade brasileira ficou em polvorosa com a primavera tupi-niquim. O Black Bloc brasileiro nasceu na bandalha, apoiado por grande parte dos 'intelectuais'.

O ano de 2014 começou não muito diferente do anterior. Manifestações já ocorrem com certa frequência novamente. O Black Bloc, agora baluarte de nossos formadores de opinião, é até organizado. Tolo é aquele que acredita que o Black Bloc não é um grupo, mas uma 'estética das massas'.

Em 2013 os jornais execraram a Polícia Militar - responsável por ferir jornalistas - mas e agora? Um membro da imprensa foi morto atingido por um rojão. Os primeiros gritos apontavam para a polícia, porém, ficou provado que o rojão que matou o cinegrafista Santiago Ilídio Andrade da TV Bandeirantes foi disparado por um Black Bloc.

E as páginas dos editoriais? Como será que elas estão? Será que o senhor Caetano Veloso esteve no velório de Santiago usando sua bela máscara de Black Bloc? A resposta é não. Será que há algum remorso nesse bando de velhos adoradores de Foucault que fomentou e apoiou o Black Bloc? Duvido muito. Pois é, ideias matam. Filosofia na veia mata. Mas nossos 'intelectuais' ainda não perceberam isso ou fingem-se de idiotas.
Caetano Veloso, em apoio à Black Blocs, usa máscara.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O caso Sheherazade e algumas divagações existenciais

O caso Sheherazade - já comentado AQUI - levantou uma série de questões. Algumas pessoas desenfreadamente voltaram com o velho jargão de: "bandido bom é bandido morto"  outros tantos com opiniões avessas também apareceram aos montes - se a democracia dá voz ao idiota as rede sociais dão um megafone, mas isso é assunto para outro post. 

Como tenho dito, meu pensamento acerca da sociedade e de seus indivíduos tem, cada vez mais, ficado pessimista. Os católicos irão chamar de pecado original eu particularmente não sei, mas há algo intrínseco, natural e podre no ser humano. Nós somos  invejosos, mentirosos, orgulhosos, interesseiros e vaidosos por natureza. Somos assim e pronto. Uns mais e outros menos, mas está lá dentro de nós. Não somos perfeitos e nunca seremos. E creio que o senso de perfeição é o cerne da questão.

A partir do momento em que o ser humano idealiza a perfeição ou se torna extremamente apaixonado por si mesmo a ponto de se achar perfeito começa o perigo.  A perfeição é algo utópico e já conhecemos os banhos de sangue que o homem promoveu em nome de utopias. Um indivíduo cheio de si, que acredita cegamente em suas potências é um indivíduo extremamente perigoso. Um pouco de ceticismo sobre si mesmo é sempre oportuno. Mas em que tudo isso tem a ver com as questões levantadas pelo caso Sheherazade ?

A jornalista disse que é "até compreensível" as pessoas fazerem justiça com as próprias mãos num Estado que não oferece segurança. Compartilho da ideia. Não acho correto, não deve ser encorajado, irá criar um estado de barbárie, mas sim, é compreensível, tolerável não. Quanto a bandido bom é bandido morto me encontro no que chamariam de "sinuca de bico". Partindo dos pressupostos acima citados sobre o ser humano, obviamente sou um descrente quanto a baboseira de ressocialização de um criminoso. No entanto, punir não resolve o problema do criminoso, na verdade, cria o problema da superpopulação carcerária. Nessa lógica, a pena de morte seria a saída. Há punição mais severa que a morte ? E de bônus não haveria uma grande população nos presídios. Porém, imaginem o que tal medida causaria na sociedade. Um estado de pânico se instauraria. E mais. Dar ao Estado o poder de matar sumariamente é alarmante. O Estado não deve carregar tais direitos. Pois então, o que faremos ? Somos podres, alguns deixam essa podridão inerente assumir o controle - é o caso dos criminosos - mas nos matarmos não será a saída.

A moral, a ética e, por vezes, a religião servem como apaziguadores de nosso mal intrínseco. São um freio necessário. Não somos perfeitos, não somos super-homens - o de Nietzsche - e a busca dessa plenitude humana acima do bem e do mal é perigosa e nefasta. Devemos nos acostumar e aceitar que não há salvação, nunca houve, nem nos céus e nem na terra. Na idade média e nas culturas antigas depositávamos toda nossa fé na salvação divina, aquela que independe do homem. A modernidade trouxe ao homem um egocentrismo gigantesco a ponto de se acreditar que a salvação está no próprio homem. O homem moderno acredita na salva pela utopia, pela ideologia, pela política, a democracia é uma santa. Porém, o leitor perceberá que não encontrei resposta para minha "sinuca de bico" citada no parágrafo acima e nem o homem para ele mesmo. Estamos num eterno vale de lágrimas. Acostumem-se.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A polícia do pensamento continua aí

Há quase um ano eu estava lendo 1984 e comentei aqui neste blog um episódio polêmico envolvendo a âncora do SBT Brasil Rachel Sheherazade. À época ela fez um comentário sobre a perseguição que o deputado Marco Feliciano estava sofrendo por parte da imprensa e foi execrada por isso. Para quem estiver interessado, AQUI você pode ler o texto da época. 

Esta semana, novamente, Rachel Sheherazade gerou polêmica em mais um de seus comentários. Na última terça-feira (04/2) a jornalista disse o seguinte: 
'O marginalzinho amarrado ao poste era tão inocente que em vez de prestar queixa contra seus agressores, preferiu fugir, antes que ele mesmo acabasse preso. 
É que a ficha do sujeito – ladrão conhecido na região – está mais suja do que pau de galinheiro.
Num país que ostenta incríveis 26 assassinatos a cada 100 mil habitantes, arquiva mais de 80% de inquéritos de homicídio e sofre de violência endêmica, a atitude dos “vingadores” é até compreensível. 
O Estado é omisso. A polícia, desmoralizada. A Justiça é falha. O que resta ao cidadão de bem, que, ainda por cima, foi desarmado? 
Se defender, claro! 
O contra-ataque aos bandidos é o que eu chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite. 
E aos defensores dos Direitos Humanos, que se apiedaram do marginalzinho no poste, lanço uma campanha: 
“Façam um favor ao Brasil. Adote um bandido!”


Rachel refere-se ao caso de um menor infrator que foi pego por um grupo de jovens. O menor apanhou e em seguida foi preso nu numa área pública. O comentário foi visto negativamente por grande parte da imprensa. O sindicato dos jornalistas emitiu nota de repúdio ao comentário da jornalista. O PSOL entrou com representação judicial contra Rachel sob a justificativa de que ela incita a violência em sua opinião.

Faz um ano que escrevi o outro texto e depois de todo esse tempo as coisas parecem que pioraram. Um jornalista do portal R7 chegou a dizer em sua coluna que Rachel deveria ser proibida de falar. A que ponto chegamos. A próprio imprensa conclama a censura contra um de seus colegas. A jornalista e apresentadora em nenhum momento incita a violência em seu comentário. Ela alerta para uma situação deplorável que o cidadão passa todos os dias. Ela alerta acerca da crescente violência que assola o país e corrobora ao dizer que o cidadão comum está sendo obrigado a se defender com as próprias mãos. Nenhuma incitação a violência nisso. Na verdade, por trás dessa bandeira anti-violência está escondido o ranço da imprensa 'esquerdotosca' que não aguenta ouvir as lúcidas e conservadoras palavras de Raquel. Por trás desta bandeira está a vontade de calar a jornalista. Por trás desse falso moralismo está a vontade de esmagar por completo o pensamento conservador que Rachel compartilha conosco. A esquerda demente não aguenta conviver com opiniões que vão contra suas ideias. Pois é, George Orwell estava certíssimo. Isso é a polícia do pensamento. Encerro com a mesma frase que encerrei o texto há um ano.
"Posso não concordar com nenhuma palavra que você disser, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las." Voltaire

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Assassinato da República

Na última segunda-feira (03/2) foi ao ar pelo programa Roda Viva da TV Cultura a entrevista do ex-secretário nacional de justiça do governo Lula Romeu Tuma Júnior. Tuma foi ao programa para falar de seu livro recém-publicado: "Assassinato de Reputações - Um crime de Estado" pela editora Topbooks. No livro, Tuma conta detalhes de vários esquemas envolvendo o governo do PT, a Polícia Federal e até o STF.
Durante a entrevista para o Roda Viva - que pode ser conferida AQUI - Tuma deu detalhes e mostrou alguns documentos que comprovam o envolvimento do PT no caso do banqueiro Daniel Dantas e nos grampos aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Tuma ainda afirmou que houve a participação do PT na morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel.

Após investigações da Polícia Federal que apontavam possíveis ligações de Tuma ao chefe de uma quadrilha chinesa de contrabando o então secretário nacional de justiça foi afastado de seu cargo no governo.
Perguntado durante o programa se alguns - dos muitos - citados no livro acionaram a justiça, Tuma responde: "até o momento não fui notificado de nenhum processo contra mim." 

Tuma vai mais longe. Afirmou durante a entrevista que foi vítima da Polícia Federal. Segundo ele, a central de inteligência da PF está instrumentalizada pelo governo e que inquéritos, provas e dossiês são fabricados contra adversários políticos.

Bem, o livro é bomba e a entrevista foi mais bombástica ainda. A TV Cultura bateu seu recorde de audiência com a entrevista. As acusações feitas pelo agora advogado são gravíssimas. Configuram um grave crime do Estado contra suas instituições, contra a nossa constituição e contra o cidadão, enfim, revelam a derrocada de nossa República. Obviamente, tais denúncias devem ser apuradas. A nossa 'ilustre' oposição deveria exigir uma CPI no Congresso Nacional e alguma ação deveria estar correndo no Supremo. O que me espanta nesse caso não são as denúncias, mas a calmaria instalada. Nada acontece. Em qualquer outra sólida democracia do mundo das duas uma: ou o Tuma estaria preso por calúnia e difamação ou a cúpula inteira do governo estaria desmoronando; presidente, ministros, secretários entre outros. No entanto, tudo continua nesse estado inercial. Investigações não ocorrem, o governo não dá explicações e a imprensa não repercuti da maneira necessária. Ao que parece, estão assassinando nosso sistema republicano.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Twitter e um pouco de Rousseau

Creio já ter dito aqui que sou viciado no Twitter. É de longe minha rede social favorita e também a que mais utilizo. Dia desses, numa madrugada 'twitesca', o Twitter fez novamente o que ele faz de melhor: assuntos completamente aleatórios dando um bom debate filosófico. 

Conversando com alguns amigos sobre Harry Potter e sobre O Senhor do Anéis acabamos entrando numa boa conversa sobre Rousseau, o homem e o mal inerente ao ser. Todos aqueles tuítes subsequentes me fizeram perceber - ainda mais - como o pensamento de Rousseau está entranhado na mentalidade de muita gente. 

Como já relatado em textos anteriores, tenho uma visão extremamente pessimista do ser humano de modo geral.. Para mim o homem é por natureza invejoso, egoísta, vaidoso e orgulhoso. O ser-humano mata, tortura e faz outras diversas atrocidades por prazer. Somos todos psicopatas, alguns menos outros mais. Os católicos podem associar esse 'defeito' ao pecado original. Mas, como não sou tão ligado a religião, creio se tratar apenas de um mal do ser, que não encontro meios de explicá-lo. Desse modo, sou avesso ao mito roussoniano do bom selvagem.

" A natureza fez o homem bom e feliz, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável." - Rousseau.

O termo sociedade nos remete ao latim  societas. Sociedade é por definição um grupo de indivíduos em constante interação. No entanto, compartilhando um pouco do pensamento de Margaret Thatcher, o que seria de uma sociedade se não fossem os indivíduos ? Os indivíduos são fator determinante para que uma sociedade exista. O conceito de sociedade é posterior ao conceito de indivíduo. Portanto,  Rousseau está completamente equivocado ao considerar o homem bom por natureza e a sociedade como ferramenta transformadora de sua bondade. O indivíduo, este sim, é a ferramenta transformadora, da sociedade inclusive. Sem indivíduos não há  sociedade. O indivíduo é a causa da sociedade, não o contrário. Assim, como pode a lógica de Rousseau estar correta ?

Há um grande problema nessa lógica proposta por Rousseau, porque ela exime o homem de qualquer tipo de culpabilidade jogando-a para a sociedade corrompida. Esse tipo de mentalidade cria indivíduos cheios de si - como Rousseau era - que acham que são perfeitos. Como o cerne do problema está na sociedade acham que são uma espécie de 'ungidos' que podem pôr um freio na sociedade imperfeita a partir de sua própria vontade. Essa é a mentalidade presente em todos os regimes totalitários que já existiram. É também a mentalidade presente na ideologia marxista.

A democracia de Rousseau é uma democracia onde apenas o coletivo importa. Nesta democracia a vontade do indivíduo é esmagada pela 'vontade geral'. A liberdade individual é solapada pelo bem do coletivo. A democracia proposta por Rousseau muito se assemelha aos regimes comunistas que fizeram todo tipo de atrocidade em nome da revolução. Rousseau é pai da Revolução Francesa, revolução esta que foi seguida de 'um grande terror'. A democracia encontrada no pensamento de Rousseau é embasada em ideias que mais tarde Tocqueville chamaria de 'a tirania da maioria'. Rousseau é aquele típico homem que ama a humanidade, mas odeia  o seu vizinho. 


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Rolezinho em Petrópolis

Ontem (1/02) ocorreu em Petrópolis um 'rolezinho'. Como os demais, este também foi organizado pelo facebook. No entanto, ao contrário dos outros, este tinha uma causa nobre: mobilizar o máximo de pessoas possíveis para doar sangue. 

Organizado por dois jovens, Ingrid Carvalho e Clóvis Henrique, o 'rolezinho no Hospital Santa Teresa' - como ficou conhecido - foi organizado há cerca de um mês e, segundo os idealizadores, foi inspirado em outros 'rolezinhos' solidários que também ocorreram no dia  de ontem. No envento do Facebook havia pouco mais de quatro mil convidado e cerca de cem confirmados. Obviamente, nem todos compareceram ao banco de sangue, mas o saldo foi positivo. Segundo um funcionário do banco de sangue o 'rolezinho' foi responsável por cadastrar 24 doadores, o que corresponde a um dia normal de doações no banco de sangue.

Este que vos escreve é veementemente contrário aos 'rolezinhos' como dito em texto que pode ser lido AQUI. Entretanto, participei com muita empolgação deste, porque se trata de uma causa verdadeiramente nobre. Infelizmente, não pude doar. Durante a triagem minha pressão arterial estava alta saúde precária e por isso não pude. Mas voltarei e conseguirei doar.

Para quem se interessar em doar o banco de sangue do Hospital Santa Teresa fica na Rua Paulino Afonso, 477 - CEP 25680-000 - Bingen - Petrópolis - RJ. O telefone para contato é: (24) 2245-2324. O banco de sangue funciona de segunda à sexta-feira das 07:00 às 17:00 horas e no sábado das 07:00 às 11:00 horas.