terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Fim

É o fim
foi-se
12 meses
foi-se
12 badaladas no relógio
É o fim
Foi-se,
tão rápido,
um piscar de olhos
Foi-se,
noites,
alegrias,
agonia,
arrependimento
Não há tempo
É o fim
Um alento
Um sentimento
Um começo
Apesar,
há pesar
a pesar
É o fim ?

sábado, 28 de dezembro de 2013

País do fracasso, ode aos fracassados

Há muito fala-se da mentalidade brasileira. De como o brasileiro lida com as pedras que encontra no meio de seu caminho. Quem nunca ouviu falar do 'jeitinho brasileiro' de ser. Porém, nunca - eu, é claro - ouvi-se falar sobre como o brasileiro lida com seus fracassos e suas culpas. Portanto, decidi parar e refletir acerca do fracasso e de como lidamos com ele.

Ao contrário do que Zaratustra falava, acredito que devemos ser leões por toda a vida. Leões de nós mesmos. Leões de nossas cobiças, de nossos impulsos,de nossos pecados. E leões de nossos próprios leões. Hoje, e por razões que fogem ao meu saber, luto contra o orgulho. Quiça, um dos mais nefastos sentimentos que pode habitar nossas almas. E, para quem ainda não bateu de frente com seu orgulho, uma das piores experiências para o orgulhoso é lidar com o fracasso, com a culpa e com o perdão. Agora, por que estou fazendo esse paralelo com o orgulho e suas mazelas se pretendo escrever sobre a mentalidade brasileira ? Porque está tudo interligado.

Há algum tempo observo as pessoas ao meu redor - e eu mesmo - quando elas são obrigadas a lidar com o erro, com o fracasso e, principalmente, em admitir que erraram e fracassaram. Já ouvi de tudo um pouco. Aqueles corretíssimos que não titubearam em dizer que estavam errados até aqueles que chegaram a dizer asneiras como: "se a culpa é minha eu ponho em quem eu quiser".
Infelizmente, na grande maioria das vezes as pessoas se esquivaram, hesitaram e até, em alguns casos, afirmaram seu erro, mas sempre com muitos porquês.

Esse fenômeno não é novo, não é exclusividade brasileira,no entanto, como diversos outros pontos, atinge exacerbadamente a mentalidade brasileira. Não sou nenhum historiador, nem pesquisei muito a fundo as bases históricas para tal fenômeno, mas uma rápida olhada para trás e vemos similaridades.
Aprendemos desde cedo, ainda na escola, a nos eximirmos de nossas culpas. Nos livros de história isso fica bem claro. O problema do Brasil é culpa de sua herança colonial ibérica. O problema da América Latina é culpa do 'nefasto' rastro do imperialismo europeu e norte-americano. "As veias abertas da América Latina" de Eduardo Galeano é uma espécie de culto a essa mentalidade. Após essa nossa isenção de culpabilidade outro fenômeno aflora; o de demonizar o sucesso alheio.
Como não aceitamos nossos fracassos e erros partimos para o ataque gratuito. Por exemplo: o Brasil não se desenvolve por culpa de tudo e todos menos dele mesmo. Os EUA são a potência que são porque se aproveitaram de fragilidades alheias para obter sucesso e não porque tiveram méritos.

Por que não assumimos nossa culpa ? Por que minamos o êxito dos outros para não parecermos medíocres ? Mais uma vez, não sei. Mas aqui vai um palpite.
O Brasil é terra fértil para que ideias marxistas aflorem. Nossa intelectualidade foi e é muito ligada ás ideias marxistas e à correntes filosóficas que se apoiam no marxismo. Portanto, infelizmente, a mentalidade brasileira tem em seu cerne algumas particularidade que a filosofia marxista também compartilha.
Quando lançou as bases do comunismo Marx usou de artifícios similares aos já citados: se isentar da culpa e minar o êxito. Ao instituir classes Marx divide a sociedade e ao instituir a luta de classes Marx mina a sociedade. No entanto, isso não é o bastante. Para gerar ódio e furor revolucionário ele precisava de mais. Assim, Marx vitimizou e separou os socialmente miseráveis, agora designados como proletariado. E demonizou e também separou o outro espectro social. Agora em burguesia. Por fim, Marx exime o proletariado de quaisquer fatos e joga a culpa no sistema e demoniza o êxito da pré-determinada burguesia.
Percebem como há similaridades ?

Não estou isentando o Brasil de suas culpas e jogando toda a carga negativa em cima da filosofia marxista, até porque isso seria contradizer minha própria linha de raciocínio. Apenas liguei pontos e fatos. Também não estou afirmando que o fato de o Brasil ter sido uma colônia de exploração portuguesa não contribuiu para nossas mazelas, pois contribuiu.
Enfim, esse texto é o desabafo de uma reflexão que todos nós deveríamos fazer acerca de nós mesmos, nosso país e o porquê de isso acontecer. Torço para que essa mentalidade orgulhosa e fracassada desapareça de nós. Ela é talvez o cerne do fracasso, afinal, estamos cultivando o fracasso quando não aceitamos nossos erros, quando demonizamos o sucesso alheio e quando nos vitimizamos em busca de obter algum êxito. Que o Brasil deixe de ser um fracasso.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Duas pesquisas, um perigo

Uma pequisa divulgada hoje (9/12) pelo instituto Datafolha e uma outra divulgada há algumas semanas pelo IBGE vêm me chamando a atenção. Na pesquisa divulgada hoje, (VER AQUI) o instituto Datafolha buscou apurar as aspirações ideológicas da população brasileira. E, principalmente, tentou apurar qual a verdadeira opinião da população em relação à presença do Estado como provedor do bem-estar social. Segundo o instituto, 47% da população brasileira aceita de bom grado os programas e ajudas que o governo concede. E outros 47% acham que quanto menos o cidadão depender do governo melhor.  A alta carga tributária e se o governo deve ou não ser o motor da economia também foram pautas da pequisa. 

A outra pesquisa divulgada dia (29/11) pelo IBGE, teve como objetivo saber o nível de ocupação dos jovens brasileiros. Segundo a pesquisa, durante a época pesquisada havia cerca de 9,6 milhões de jovens entre 15 e 29 anos que não trabalhavam nem estudavam. O número representa 20% dos jovens nessa faixa etária. A pesquisa traz ainda os números da população entre 25 e 34 anos que ainda mora com os pais. Segundo o IBGE, 24% dos jovens nessa faixa etária ainda moram com os pais. 

Bem, os números não mentem. E há uma tênue e perigosa semelhança entre as duas pesquisas. A primeira, realizada pelo Datafolha, nos revela perigos que nos rondam agora. Se formos analisar a pesquisa bem a fundo infere-se que o cidadão brasileiro está cada vez mais "preguiçoso". Uma grande parcela da população gosta e espera que o governo continue a dar "auxílios", não quer caminhar com as próprias pernas, prefere muletas. E ainda, essa mesma parcela da população concorda com o recorrente intervencionismo estatal na economia. Consideram o Estado algo vital, há até certa mistificação. A segunda pesquisa, do IBGE, não traz luz alguma a nosso futuro. Grande parte da população jovem está perdida. Não sabe para onde vai e por isso se acomoda. Outra parte desses jovens não quer alçar  novos voos. Prefere ficar sob a proteção dos pais.
As duas pesquisas alarmam para o colapso que a sociedade brasileira se encaminha. O que vemos são cidadãos acomodados, que esperam um Estado grande, forte, protetor, intervencionista. O grande problema nisso tudo é que isto que está  em curso é uma lógica social que não tende à mudanças, como a pesquisa do IBGE aponta. Essa lógica mata o individualismo, enforca o empreendedorismo e transforma o Estado em dono do cidadão. O Estado mais cedo ou mais tarde engole o cidadão e todos os seus direitos. Auxílio social deve ser temporário, o jovem deve ser independente, deve ser empreendedor. Não é normal que o governo fique regulando a economia, mesmo em crises. Não é normal que nós esperemos que o Estado nos proporcione tudo. Precisamos de uma injeção de individualidade e independência. Portanto, fiquemos atentos.