sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Cautela

Na última sexta-feira (15/11), foi expedido o mandado de prisão de alguns dos condenados da AP 470 - o famigerado Mensalão. Dentre os presos estão Marcos Valério, operador do esquema, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e alguns velhos conhecidos: José Dirceu, ex-ministro chefe da Casa Civil durante o governo Lula e o ex-presidente do PT e atual deputado federal, José Genoíno. 
A prisão - que demorou para acontecer - foi e deve ser comemorada, pois é um marco de nossa história recente. Como é sabido, político e cadeia no Brasil não casam. O sentimento de alívio parece ser geral. No entanto, - e sempre haverá um porém - o momento é de cautela.

Todos os condenados, exceto Henrique Pizzolato, se entregaram à Polícia Federal para não serem caçados em suas casas. Os ex-dirigentes do PT adotaram o velho e batido discurso de vítima - especialidade da esquerda. Delúbio Soares acrescentou à bio em seu twitter os dizeres: "preso político". José Genoíno entrou para o prédio da Polícia Federal com os braços erguidos gritando viva o PT e seu colega de cela fez o mesmo e acrescentou: "fui condenado por um tribunal de exceção". Após todo o burburinho criado pelos delinquentes maiores, a militância do PT - idiotas por opção - começa a se mexer e o discurso petista, para variar, não muda. Após a prisão dos mensaleiros, um manifesto petista - não oficial - foi publicado. O manifesto classifica a decisão do ministro Joaquim Barbosa de mandar prendê-lo de "ilegal". E ainda continuaram, dizendo: "uma parcela muito grande da população teme pelo futuro do Estado Democrático de Direito no Brasil".

Agora, qual o motivo de cautela ? Afinal, políticos foram presos. Como é mais do que sabido, a esquerda é expert na vitimização e agora diz que o Estado Democrático de Direito está em perigo. Sim, têm razão. Eles representam perigo à democracia. Chamam de ilegal um julgamento que tramitou por seis longos anos, que teve sessões e sessões de discussão, que foi votado por um colegiado. Onde está a ilegalidade ? José Dirceu diz que foi julgado por um tribunal de exceção e que é um preso político. Não. O tribunal é composto por ministros indicados, em sua totalidade, pelos presidentes do seu partido e que ainda está no poder. Não, vocês não são presos políticos, são apenas políticos que estão presos. Delinquentes, que tentaram minar o ideal republicano e usurpar o dinheiro do cidadão. É isso que todos vocês são. Delinquentes.  

 O PT está no poder há mais de dez anos e não dá sinais de que vá sair tão cedo. Dez anos é muito tempo. Podemos dizer que poucas são as instituições que não estão emparelhadas pela máquina estatal petista. O próprio STF tem suas aranhas. O mensalão e suas prisões servirá de lição, não para os políticos, mas para o PT. Fiquem certos de que o PT não cometerá o erro duas vezes. O PT agora sabe que precisa espalhar sua hegemonia política para o Judiciário também. E ele vai.
A lógica de Gramsci está em curso. Watch out. 


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Absurdos invertidos

Há poucos dias tive o desprazer de assistir mais uma das, mirabolantes, propagandas do governo Dilma. Um comercial muito bem feito e persuasivo - o marketing da esquerda sempre foi o melhor - onde dizia-se aos quatro ventos como o governo Dilma está empenhado no investimento em infraestrutura, na melhoria dos transportes, na melhoria da logística de produção e etc. A chamada  ainda termina com um apelo popular de dar inveja em Vargas, quando diz: "O Brasil é grande, o Brasil é o país das grandes obras". Sim, é realmente de vomitar.
Mas, o governo Dilma recebeu um bom 'chega pra lá' do Tribunal de Contas da União (TCU). Leia (AQUI) a notícia completa. O Tribunal recomendou a paralisação de várias das grandes obras que dona Dilma tanto se orgulha. A maioria delas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - nome comprido para um programa mais eleitoreiro que eficiente.
Segundo o TCU as obras apresentavam superfaturamento, projetos deficientes e valores acima do preço de mercado. O TCU ainda recomendou a retenção de repasse de verbas federais para mais seis obras do PAC. Todas elas no nordeste.
Agora resta ao Congresso decidir se acata as recomendações do TCU ou continua com as obras. Dona Dilma já deu seu parecer em recente entrevista no Rio Grande do Sul.

Segue o que a presidente Dilma disse sobre as recomendações do TCU:

“Eu acho um absurdo paralisar obra no Brasil. Você pode usar de vários métodos. Agora, paralisar obras é algo extremamente perigoso. Porque depois ninguém repara o custo. Se houve algum erro por parte de algum agente que resolveu paralisar, não tem quem repare, a lei não prevê”, disse Dilma.
“Então você para por um ano ou para por seis meses ou para por três meses e ninguém te ressarce depois.” A presidente então, com relação à BR-448, completou:”De qualquer jeito, essa obra vai ficar pronta. E nós vamos inaugurá-la.”

A presidente acha um absurdo paralisar obras, mas não acha um absurdo as obras estarem com suspeita de superfaturamento. Diz ainda que acha perigoso paralisar obra pública. Dilma, perigosa é a sua gestão - se é que podemos chamar assim. E depois, numa fala, com viés autoritário esculhamba as instituições e diz que a obra vai 'de qualquer jeito' ficar pronta. 
É meus amigos, os absurdos nunca estiveram tão invertidos. Roberto Campos estava certíssimo quando disse que: "a burrice no Brasil tem passado glorioso e futuro promissor".

domingo, 10 de novembro de 2013

"Chutando o balde"

Então, quase dois meses depois do fim da série, cá estou eu tentando organizar as ideias para tecer alguns comentários sobre Breaking Bad - na minha leiga opinião, a melhor série já feita.
Tentando organizar as ideias, porque numa linguagem que, por muito tempo vi no twitter, Breaking Bad é 'de explodir a cabeça'. E é mesmo.

Lembro-me perfeitamente de estar no ônibus conversando com um amigo sobre as séries que estávamos assistindo quando ele disse que estava assistindo Breaking Bad. À época eu, obviamente, já havia ouvido falar da série, mas ainda estava preso a um receio de  a série ser só mais uma 'modinha' que fez meia duzia de fãs loucos - coisa comum hoje em dia. Então, embalado na defensiva de achar que a séria não era 'essa Coca-Cola' toda peço ao meu amigo que me diga mais ou menos sobre o que é a série. E aí que eu fico mais desinteressado. Quando ele disse: "Ah, é sobre um professor de química que descobre que tem câncer de pulmão em fase terminal e não tem dinheiro para pagar o tratamento, então ele começa a fazer metanfetamina pra vender". Pensei: "Mas como que uma série com esse enredo pode ser tão boa como dizem ?" Não comecei a assistir a série imediatamente. Terminei de assistir a terceira temporada de Game of Thrones e no dia em que eu não tinha, absolutamente, nada para fazer fui assistir a série. É, minha cabeça 'explodiu' já no primeiro episódio.

Por que gostamos tanto de Breaking Bad ? Por que gostamos tanto de Walter White ? A resposta é simples. Porque todos nós, de algum modo, temos um Heisenberg adormecido dentro de nós mesmos. Através de Breaking Bad personificamos como seria libertar esse Heisenberg que nos habita. Vemos o que faríamos, o que poderíamos nos tornar ou no que poderíamos nos transformar. Walter White era só uma casca, sem vida e infeliz que servia de invólucro para esconder Heisenberg. Ao contrário do que parece Heisenberg não foi um alter ego criado por Waltr White, Heisenberg era sua verdadeira natureza, ou pelo menos parte dela, que veio à tona engatilhado por um câncer de pulmão que em vez de matá-lo, tornou-o vivo, mais vivo do que ele jamais foi. Afinal de contas, todos gostaríamos de ser the one who knocks.

Breaking Bad vai com certeza deixar saudade, como dito, é para mim a melhor série já feita. Mas, diferente de outras séries que por conta do sucesso são esticadas e acabam perdendo qualidade, Breaking Bad acabou na hora certa. Em seu ápice, com um final perfeito que só não agradou alguma meia duzia haters gonna hate, mas que foi digno, justo e fiel a tudo que Breaking Bad se propôs. Enfim, não há muito o que dizer. Só queria  mesmo tecer alguns comentários sobre a série.