sábado, 15 de junho de 2013

Mais do que vinte centavos

Chegamos ao fim de uma semana "agitada" para as grandes cidades brasileiras. Quem imaginaria que teríamos duas grandes manifestações, quase simultâneas, nas duas  maiores cidades do país ? Quem diria que íamos ver uma leve mudança no discurso da velha imprensa no decorrer da semana ? É, tudo isso aconteceu. Parece que saíram do facebook.

A manifestação de terça-feira (11/6) - considerada a mais violenta - expôs algo alarmante: não era uma manifestação, era um "bando" de rebeldes sem causa que pareciam estar lá apenas para tumultuar e causar confusão. Só podíamos nos perguntar, o que querem os manifestantes ? Bem, foi desse modo que  os três maiores jornais do país repercutiram a manifestação. O discurso do Jabor (VER AQUI) personifica o que toda a "grande mídia" brasileira pensava sobre o fato.
Todavia, excluir os manifestantes de certas responsabilidades é correr da raia. Como mostra a imagem ao lado, todas, eu disse todas, essas últimas manifestações terminaram com lixo queimado no meio da rua, vidraças de lojas e agências bancárias quebradas, pichações entre outros atos de vandalismo. Sim, isso é vandalismo. Então, como separar o joio do trigo ? Como distinguir o que é manifestação democrática e legítima de baderna e vandalismo ? ESTE texto elucida muito bem o que é recorrente em manifestações populares. Mas não precisaria ir tão longe para encontrar tais exemplos. No fim do ano passado aconteceu aqui em Petrópolis 3 atos contra 0 aumento da passagem e tive a oportunidade de acompanhar um deles (VER AQUI). A manifestação que eu acompanhei foi pacifica, nada de bombas, pichações, depredações, apenas uma marcha que repudiava o aumento da tarifa de ônibus. No entanto, enquanto todos caminhavam em direção a câmara os vereadores um vândalo - não há outra denominação - que nem mesmo estava participando da passeata acendeu e soltou uma bomba no meio de todos. Na mesma hora uma das líderes do movimento parou a manifestação e ressaltou que quem estava lá com o intuito de fazer baderna saísse, pois a passeata era pacífica. Louvável a atitude dela. Na última terça-feira parece que mais de um vândalo se infiltrou na manifestação.

Na última quinta-feira (15/6) houve manifestações em diversas capitais, de Maceió a Porto Alegre. Mas chamou atenção mesmo foram as manifestações no Rio e em São Paulo. Chamaram a atenção não pelo fato de terem sido mais ou menos violentas que a de terça-feira, mas pela atitude da polícia para com os manifestantes e, surpreendentemente, pela diferente abordagem da imprensa. Como disse Elio Gaspari, colunista do jornal O Globo, " A PM começou a batalha..." (VER AQUI). Está circulando na internet também um vídeo onde, supostamente, um PM quebra propositalmente o vidro de uma viatura para incriminar os manifestantes (VER AQUI). Este último dia de manifestações repercutiu negativamente para o Estado, se na terça-feira a manifestação foi vista como vandalismo, nesta última a própria imprensa sentiu na pele a força do Estado personificado pela polícia.

Vale ressaltar que uma pessoa que vai a um local desses portando bombas, coquetéis molotov, sprays entre outras coisas não merece ser chamado de manifestante. Deve ser enquadrado como vândalo. Manifestar-se sim, vandalizar não.
Vale lembrar também que o motivo desses movimentos vão muito além dos 20 centavos acrecidos ao valor da passagem. Há um Brasil inteiro de coisas que merecem protesto. A passagem do ônibus é só o gatilho. Ignorante quem pensa que 20 centavos despertaram tantas manifestações, ignorante quem pensa que não há o que protestar, mais ignorante ainda é quem pensa que protestar é só sair por aí com mascaras de "V de Vingança" e sprays. Manifestar-se é organizar-se o resto é bagunça.