quinta-feira, 28 de março de 2013

Feliciano não nos representa ! E o Genoíno ? Representa ?

Nestas últimas semanas o tema nas redes sociais, jornais, meio artístico e qualquer outro lugar de debates tem sido um só: Marco Feliciano. Há um debate político e social muito intenso acerca da escolha dele para   a  Comissão de Direitos Humanos da Câmara. O fato é que o debate é válido, Marco Feliciano não é pessoa mais adequada para presidir essa comissão. E não, não é pelo fato dele ser Pastor. Mas pela postura dele diante da sociedade. Um Deputado que dá as declarações que ele deu não deveria ser nem deputado, quanto mais presidente de uma comissão de direitos humanos. Lembrando, que um deputado deve representar a todos os cidadãos e não somente seus eleitores. A democracia é feita pela maioria e pelas minorias. Eu não tenho uma opinião formada acerca da  PL 122. Fico na dúvida se ela iguala os direitos ou apenas favorece uma certa ala da sociedade. Independente de sua religião, sexo ou etnia um deputado tem que ser neutro, no que diz respeito ao cidadão. Devido a suas declarações fica uma interrogação se Feliciano conseguiria exercer a devida neutralidade.
  No entanto, acho que a mídia e, por conseguinte, a sociedade dão uma atenção grande demais ao Feliciano e se  esquecem de olhar para os lados. A Comissão de Direitos Humanos não é a única do Congresso. Existem outras 10 comissões. E em uma delas ocorreu uma coisa 'inusitada', para não dizermos outra coisa. Na Comissão de Constituição e Justiça foram escolhidos dois deputados bem singulares. São eles: José Genoíno e João Paulo Cunha. Lembram-se ? Os dois são do PT de São Paulo e no ano passado foram condenados pelo STF a prisão por participarem do esquema do Mensalão. O que é mais absurdo ? Eles terem sido condenados e não estarem presos ? Eles ainda não terem perdido seus respectivos mandatos ? Ou eles terem sido escolhidos para uma comissão de JUSTIÇA. ISSO MESMO, DE JUSTIÇA. É no mínimo irônico. O fato, é que é um absurdo total eles não terem sido presos ainda, não terem perdido seus mandatos e terem sido escolhidos para tal comissão. Se um deputado com declarações racistas não deve presidir a Comissão de Direitos Humanos, um que tenha sido condenado a prisão também não pode integrar uma constituição de justiça. Ambos os casos são ilógicos. A CCJ é uma das mais importantes comissões da Câmara. Nela são analisados aspectos constitucionais, legais, jurídicos e regimentais das propostas que tramitam na Câmara. E não é só a CCJ ou CDH que são controversas. A Comissão de Meio Ambiente também é bastante controversa. (VEJA AUI)
  Enfim, abramos nossos olhos ! Não sei se todo este circo em cima de Feliciano não está sendo feito justamente para desviar nossos olhares.
   Feliciano, obviamente, não nos representa, mas e o Genoíno ? Representa? 

    

quinta-feira, 14 de março de 2013

Foi ontem ? Não, foi há 98 anos ...

  É, já estamos nos encaminhando para o fim do verão. O outono já começa a despontar. Vamos esperar que as águas de março encerrem o verão ? Não !
  O assunto é corriqueiro, já virou nome de música, crônica, mas de um lugar o assunto cisma em ficar. Nas tragédias.
   As chuvaradas de verão, como dizia Lima Barreto, são um problema crônico do Brasil. Mais especificamente da região sudeste. Há 98 anos, As enchentes era publicada por Lima Barreto e o fenômeno natural já era um  problema gravíssimo do Rio de Janeiro. 98 anos depois o quadro se mostra o mesmo. AQUI tem um ótimo texto do jornalista Alberto Dines, publicado recentemente que muito se assemelha com a crônica de Lima Barreto, que completou 98 anos. Todos os verões, cariocas, paulistanos, petropolitanos são marcados pelas chuvas torrenciais, que periodicamente nos atinge. Como dito, é um problema antigo, grave, atinge a toda população, direta ou indiretamente, mas mesmo assim as coias não mudam. Só o que muda é a vida das milhões de pessoas que foram, são e serão atingidas por tais catástrofes. O poder público permanece inerte, medidas de prevenção não são tomadas. Apenas as medidas emergências são tomadas, quando a tragédia já aconteceu.
  Os jornais noticiaram para todo o mundo a tragédia do dia 12 de Janeiro de 2011 que atingiu, com maior gravidade, as três cidades mais populosas da região serrana. Petrópolis, Nova Friburgo e Teresópolis. Segundo números oficiais, nas três cidades o número de mortos gira em torno de 905 pessoas e o de desaparecidos passa dos 190. Porém, e é do conhecimento de moradores de toda a região, que esse número não bate. Segundo informações publicadas pelo jornal EXTRA (LEIA AQUI), há regiões dessas três cidades que o socorro não chegou pelo fato do local ter desaparecido. Segundo relatos de Ana Luíza Coelho, coordenadora do laboratório de Geo-Hidroecologia da UFRJ, uma região do distrito da Posse em Petrópolis, onde antes abrigava 350 casas e que hoje restam apenas 64 tem 142 vítimas oficialmente. Antes a população estimada passava dos 1000. É óbvio que o número é muito maior.
  O temporal que atingiu a região serrana há dois anos foi o considerado a maior catástrofe natural que o Brasil já viu. Não foi feito nada para que algo desta magnitude não acontecesse. Nenhuma das três cidades tinha qualquer prevenção contra deslizamentos e alagamentos e a população não tem nenhum preparo para enfrentar tal situação. Hoje, a situação não é muito diferente. O motivo ? ' Denúncias indicam desvio de verbas destinadas à Região Serrana do Rio ''Ministério Público investiga desvio da verba destinada a tragédia e calamidade'. O motivo está bem explicitado. O poder público não liga para seus contribuintes. O cidadão só serve para pagar impostos, nada mais.
   A serra carioca, AINDA não foi atingida por outro temporal como aquele. Mas outras cidades e outros estados continuam a sofrer. Todos sabemos o estado que fica a capital paulista em um dia de chuva e a cidade maravilhosa também..
  Quando Lima Barreto escreveu sua crônica, acusou o prefeito Pereira Passos de só se preocupar com o embelezamento da cidade e de não dar a devida atenção aos reais problemas da mesma. A situação hoje, pra variar, não é diferente. A preocupação geral da nação é a Copa e os Jogos Olímpicos. Se em 1915 era o Rio que estava se embelezando, hoje é  o Brasil que tenta parecer o que não é. A trancos e barrancos a Copa vai chegando e a trancos e barrancos, literalmente, o cidadão brasileiro vai ficando. Tomara, que daqui a 98 anos o assunto tenha mudado.

sábado, 9 de março de 2013

Meia hora.

  10:00. Um único som, característico, estridente, insuportavelmente demorado. De repente, uma simbiose de sons. Tudo se mistura. Nada mais é ouvido, percebido. Um movimento quase hipnótico surge nas rampas. Uma espiral humana. Uma selva.
   Lá estava eu bem no meio daquela espiral, hipnotizado. Sem saber para onde ir. Paralisado. Era outro mundo, outra história, outras pessoas, quase uma outra vida. Tudo novo, tudo estranho. Me sentia como um animal recém saído do cativeiro e que havia sido colocado  no meio de uma selva. Parecia não ser o lugar certo. 10:02. A hora não passa. O relógio era torturante. Um tic-tac interminável. De repente achei que todos olhavam para mim, na verdade, eu é que olhava para tudo e para todos. 10:07. Me sentei, tirei o celular do bolso, com um certo receio, esperei, olhei ao redor e coloquei-o no bolso novamente. Era interminável. Tic-tac, tic-tac, tic-tac ... Já não sabia se estava receoso, entediado, confuso. O tic-tac soava como marteladas em minha cabeça. 10:10. Me levantei e decidi caminhar, conhecer o território, os seus agentes, externos e internos. Quanto mais eu andava menos eu entendia, menos eu sabia, mais perdido eu estava. Era gigante, pessoas em todos os lugares, era como um  campo de batalha. Continuei caminhando, sem olhar muito para os lados, seguia com os olhos fixos num único ponto. Me sentia como um beduíno ao avistar uma miragem. 
   10:11. Repentinamente tudo cessou. Não ouvia nenhum ruído sequer. Era abafado.  Pude ouvir o pulsar de meu coração, até minha respiração. Vi umas meia duzia de pessoas. Tive a impressão de entrar num mudo paralelo. Se estivera perdido num desconhecido, me encontrei noutro. O tic-tac do relógio também cessou. Me vi perdido em prateleiras. Não sabia para onde olhar. Fixei-me num livro. Fui até ele. 10:30. O som estridente de meia hora atrás retornou. Acordei de um transe. Os sons voltaram, não estavam mais misturados, distorcidos. O tic-tac já não martelava em minha mente. A selva já não era selva. Eu já não estava mais perdido. 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Diversão fatal

 Nestas últimas semanas o meio esportivo fervilhou de notícias acerca da tragédia ocorrida em Oruro, Bolívia, onde foi morto o jovem Kevin Espada torcedor do San José no jogo contra o Corinthians pela Copa Libertadores da América . O caso foi tratado pela torcida do Corinthians, pelo próprio clube e por parte da imprensa brasileira como fatalidade. Alguns torcedores do Corinthians chegaram a se manifestar nas ruas para que o clube não fosse punido. Mas o caso não deve ser tratado como fatalidade. Não foi um simples acidente que por acaso matou o jovem. Foi um crime. Algo que poderia e deveria ter sido evitado.
   Grande parte da imprensa brasileira tratou o Corinthians como mártir, como vítima da situação. Deu no máximo um puxão de orelhas na Gaviões, mas tirava o Corinthians da 'reta'. O clube pode não ser diretamente o culpado, mas indiretamente é. Primeiro, as torcidas são patrimônio de seus clubes, portanto, o clube responde por ela. Segundo, todos estamos cansados de saber como os clubes financiam suas torcidas organizadas. Porém, o torcedor que diz ser o culpado e o Corinthians não devem ser os únicos punidos nessa história. Como alguém entra num estádio de futebol com um artefato assassino ? Não tem revista ? Cadê a segurança ? A administração do estádio boliviano, a polícia boliviana e até a CONMEBOL tem culpa na história. Uma administração que não zela pelos seu clientes, uma polícia que não fez seu trabalho e uma entidade que não fiscaliza a segurança da competição que organiza. Tem algo de muito errado nesta conjuntura assassina. Obviamente essa conjuntura assassina não se encontra somente na Bolívia, mas também aqui no Brasil. AQUI tem um vídeo de um produtor da ESPN, que com enorme facilidade, entrou no  Engenhão com um sinalizador náutico idêntico ao que matou o jovem boliviano. O jornalista foi revistado, mal e porcamente, pela polícia que nem se deu ao trabalho de checar corretamente a mochila. Detalhe, não haviam detectores de metais nas catracas do estádio.
   O caso deve servir de lição para o Brasil e qualquer outro país. Não é de hoje que casos como este acontecem no meio esportivo. Todos aí devem se lembrar dos Hooligans, na Inglaterra. Lá a violência serviu de lição para que incidentes violentos não ocorressem mais. A morte do jovem não foi a primeira e infelizmente não será a última.
   Essas são as torcidas que vão lotar os estádio durante a Copa. IMAGINEM NA COPA, melhor não !