terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Fim

É o fim
foi-se
12 meses
foi-se
12 badaladas no relógio
É o fim
Foi-se,
tão rápido,
um piscar de olhos
Foi-se,
noites,
alegrias,
agonia,
arrependimento
Não há tempo
É o fim
Um alento
Um sentimento
Um começo
Apesar,
há pesar
a pesar
É o fim ?

sábado, 28 de dezembro de 2013

País do fracasso, ode aos fracassados

Há muito fala-se da mentalidade brasileira. De como o brasileiro lida com as pedras que encontra no meio de seu caminho. Quem nunca ouviu falar do 'jeitinho brasileiro' de ser. Porém, nunca - eu, é claro - ouvi-se falar sobre como o brasileiro lida com seus fracassos e suas culpas. Portanto, decidi parar e refletir acerca do fracasso e de como lidamos com ele.

Ao contrário do que Zaratustra falava, acredito que devemos ser leões por toda a vida. Leões de nós mesmos. Leões de nossas cobiças, de nossos impulsos,de nossos pecados. E leões de nossos próprios leões. Hoje, e por razões que fogem ao meu saber, luto contra o orgulho. Quiça, um dos mais nefastos sentimentos que pode habitar nossas almas. E, para quem ainda não bateu de frente com seu orgulho, uma das piores experiências para o orgulhoso é lidar com o fracasso, com a culpa e com o perdão. Agora, por que estou fazendo esse paralelo com o orgulho e suas mazelas se pretendo escrever sobre a mentalidade brasileira ? Porque está tudo interligado.

Há algum tempo observo as pessoas ao meu redor - e eu mesmo - quando elas são obrigadas a lidar com o erro, com o fracasso e, principalmente, em admitir que erraram e fracassaram. Já ouvi de tudo um pouco. Aqueles corretíssimos que não titubearam em dizer que estavam errados até aqueles que chegaram a dizer asneiras como: "se a culpa é minha eu ponho em quem eu quiser".
Infelizmente, na grande maioria das vezes as pessoas se esquivaram, hesitaram e até, em alguns casos, afirmaram seu erro, mas sempre com muitos porquês.

Esse fenômeno não é novo, não é exclusividade brasileira,no entanto, como diversos outros pontos, atinge exacerbadamente a mentalidade brasileira. Não sou nenhum historiador, nem pesquisei muito a fundo as bases históricas para tal fenômeno, mas uma rápida olhada para trás e vemos similaridades.
Aprendemos desde cedo, ainda na escola, a nos eximirmos de nossas culpas. Nos livros de história isso fica bem claro. O problema do Brasil é culpa de sua herança colonial ibérica. O problema da América Latina é culpa do 'nefasto' rastro do imperialismo europeu e norte-americano. "As veias abertas da América Latina" de Eduardo Galeano é uma espécie de culto a essa mentalidade. Após essa nossa isenção de culpabilidade outro fenômeno aflora; o de demonizar o sucesso alheio.
Como não aceitamos nossos fracassos e erros partimos para o ataque gratuito. Por exemplo: o Brasil não se desenvolve por culpa de tudo e todos menos dele mesmo. Os EUA são a potência que são porque se aproveitaram de fragilidades alheias para obter sucesso e não porque tiveram méritos.

Por que não assumimos nossa culpa ? Por que minamos o êxito dos outros para não parecermos medíocres ? Mais uma vez, não sei. Mas aqui vai um palpite.
O Brasil é terra fértil para que ideias marxistas aflorem. Nossa intelectualidade foi e é muito ligada ás ideias marxistas e à correntes filosóficas que se apoiam no marxismo. Portanto, infelizmente, a mentalidade brasileira tem em seu cerne algumas particularidade que a filosofia marxista também compartilha.
Quando lançou as bases do comunismo Marx usou de artifícios similares aos já citados: se isentar da culpa e minar o êxito. Ao instituir classes Marx divide a sociedade e ao instituir a luta de classes Marx mina a sociedade. No entanto, isso não é o bastante. Para gerar ódio e furor revolucionário ele precisava de mais. Assim, Marx vitimizou e separou os socialmente miseráveis, agora designados como proletariado. E demonizou e também separou o outro espectro social. Agora em burguesia. Por fim, Marx exime o proletariado de quaisquer fatos e joga a culpa no sistema e demoniza o êxito da pré-determinada burguesia.
Percebem como há similaridades ?

Não estou isentando o Brasil de suas culpas e jogando toda a carga negativa em cima da filosofia marxista, até porque isso seria contradizer minha própria linha de raciocínio. Apenas liguei pontos e fatos. Também não estou afirmando que o fato de o Brasil ter sido uma colônia de exploração portuguesa não contribuiu para nossas mazelas, pois contribuiu.
Enfim, esse texto é o desabafo de uma reflexão que todos nós deveríamos fazer acerca de nós mesmos, nosso país e o porquê de isso acontecer. Torço para que essa mentalidade orgulhosa e fracassada desapareça de nós. Ela é talvez o cerne do fracasso, afinal, estamos cultivando o fracasso quando não aceitamos nossos erros, quando demonizamos o sucesso alheio e quando nos vitimizamos em busca de obter algum êxito. Que o Brasil deixe de ser um fracasso.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Duas pesquisas, um perigo

Uma pequisa divulgada hoje (9/12) pelo instituto Datafolha e uma outra divulgada há algumas semanas pelo IBGE vêm me chamando a atenção. Na pesquisa divulgada hoje, (VER AQUI) o instituto Datafolha buscou apurar as aspirações ideológicas da população brasileira. E, principalmente, tentou apurar qual a verdadeira opinião da população em relação à presença do Estado como provedor do bem-estar social. Segundo o instituto, 47% da população brasileira aceita de bom grado os programas e ajudas que o governo concede. E outros 47% acham que quanto menos o cidadão depender do governo melhor.  A alta carga tributária e se o governo deve ou não ser o motor da economia também foram pautas da pequisa. 

A outra pesquisa divulgada dia (29/11) pelo IBGE, teve como objetivo saber o nível de ocupação dos jovens brasileiros. Segundo a pesquisa, durante a época pesquisada havia cerca de 9,6 milhões de jovens entre 15 e 29 anos que não trabalhavam nem estudavam. O número representa 20% dos jovens nessa faixa etária. A pesquisa traz ainda os números da população entre 25 e 34 anos que ainda mora com os pais. Segundo o IBGE, 24% dos jovens nessa faixa etária ainda moram com os pais. 

Bem, os números não mentem. E há uma tênue e perigosa semelhança entre as duas pesquisas. A primeira, realizada pelo Datafolha, nos revela perigos que nos rondam agora. Se formos analisar a pesquisa bem a fundo infere-se que o cidadão brasileiro está cada vez mais "preguiçoso". Uma grande parcela da população gosta e espera que o governo continue a dar "auxílios", não quer caminhar com as próprias pernas, prefere muletas. E ainda, essa mesma parcela da população concorda com o recorrente intervencionismo estatal na economia. Consideram o Estado algo vital, há até certa mistificação. A segunda pesquisa, do IBGE, não traz luz alguma a nosso futuro. Grande parte da população jovem está perdida. Não sabe para onde vai e por isso se acomoda. Outra parte desses jovens não quer alçar  novos voos. Prefere ficar sob a proteção dos pais.
As duas pesquisas alarmam para o colapso que a sociedade brasileira se encaminha. O que vemos são cidadãos acomodados, que esperam um Estado grande, forte, protetor, intervencionista. O grande problema nisso tudo é que isto que está  em curso é uma lógica social que não tende à mudanças, como a pesquisa do IBGE aponta. Essa lógica mata o individualismo, enforca o empreendedorismo e transforma o Estado em dono do cidadão. O Estado mais cedo ou mais tarde engole o cidadão e todos os seus direitos. Auxílio social deve ser temporário, o jovem deve ser independente, deve ser empreendedor. Não é normal que o governo fique regulando a economia, mesmo em crises. Não é normal que nós esperemos que o Estado nos proporcione tudo. Precisamos de uma injeção de individualidade e independência. Portanto, fiquemos atentos. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Cautela

Na última sexta-feira (15/11), foi expedido o mandado de prisão de alguns dos condenados da AP 470 - o famigerado Mensalão. Dentre os presos estão Marcos Valério, operador do esquema, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e alguns velhos conhecidos: José Dirceu, ex-ministro chefe da Casa Civil durante o governo Lula e o ex-presidente do PT e atual deputado federal, José Genoíno. 
A prisão - que demorou para acontecer - foi e deve ser comemorada, pois é um marco de nossa história recente. Como é sabido, político e cadeia no Brasil não casam. O sentimento de alívio parece ser geral. No entanto, - e sempre haverá um porém - o momento é de cautela.

Todos os condenados, exceto Henrique Pizzolato, se entregaram à Polícia Federal para não serem caçados em suas casas. Os ex-dirigentes do PT adotaram o velho e batido discurso de vítima - especialidade da esquerda. Delúbio Soares acrescentou à bio em seu twitter os dizeres: "preso político". José Genoíno entrou para o prédio da Polícia Federal com os braços erguidos gritando viva o PT e seu colega de cela fez o mesmo e acrescentou: "fui condenado por um tribunal de exceção". Após todo o burburinho criado pelos delinquentes maiores, a militância do PT - idiotas por opção - começa a se mexer e o discurso petista, para variar, não muda. Após a prisão dos mensaleiros, um manifesto petista - não oficial - foi publicado. O manifesto classifica a decisão do ministro Joaquim Barbosa de mandar prendê-lo de "ilegal". E ainda continuaram, dizendo: "uma parcela muito grande da população teme pelo futuro do Estado Democrático de Direito no Brasil".

Agora, qual o motivo de cautela ? Afinal, políticos foram presos. Como é mais do que sabido, a esquerda é expert na vitimização e agora diz que o Estado Democrático de Direito está em perigo. Sim, têm razão. Eles representam perigo à democracia. Chamam de ilegal um julgamento que tramitou por seis longos anos, que teve sessões e sessões de discussão, que foi votado por um colegiado. Onde está a ilegalidade ? José Dirceu diz que foi julgado por um tribunal de exceção e que é um preso político. Não. O tribunal é composto por ministros indicados, em sua totalidade, pelos presidentes do seu partido e que ainda está no poder. Não, vocês não são presos políticos, são apenas políticos que estão presos. Delinquentes, que tentaram minar o ideal republicano e usurpar o dinheiro do cidadão. É isso que todos vocês são. Delinquentes.  

 O PT está no poder há mais de dez anos e não dá sinais de que vá sair tão cedo. Dez anos é muito tempo. Podemos dizer que poucas são as instituições que não estão emparelhadas pela máquina estatal petista. O próprio STF tem suas aranhas. O mensalão e suas prisões servirá de lição, não para os políticos, mas para o PT. Fiquem certos de que o PT não cometerá o erro duas vezes. O PT agora sabe que precisa espalhar sua hegemonia política para o Judiciário também. E ele vai.
A lógica de Gramsci está em curso. Watch out. 


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Absurdos invertidos

Há poucos dias tive o desprazer de assistir mais uma das, mirabolantes, propagandas do governo Dilma. Um comercial muito bem feito e persuasivo - o marketing da esquerda sempre foi o melhor - onde dizia-se aos quatro ventos como o governo Dilma está empenhado no investimento em infraestrutura, na melhoria dos transportes, na melhoria da logística de produção e etc. A chamada  ainda termina com um apelo popular de dar inveja em Vargas, quando diz: "O Brasil é grande, o Brasil é o país das grandes obras". Sim, é realmente de vomitar.
Mas, o governo Dilma recebeu um bom 'chega pra lá' do Tribunal de Contas da União (TCU). Leia (AQUI) a notícia completa. O Tribunal recomendou a paralisação de várias das grandes obras que dona Dilma tanto se orgulha. A maioria delas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - nome comprido para um programa mais eleitoreiro que eficiente.
Segundo o TCU as obras apresentavam superfaturamento, projetos deficientes e valores acima do preço de mercado. O TCU ainda recomendou a retenção de repasse de verbas federais para mais seis obras do PAC. Todas elas no nordeste.
Agora resta ao Congresso decidir se acata as recomendações do TCU ou continua com as obras. Dona Dilma já deu seu parecer em recente entrevista no Rio Grande do Sul.

Segue o que a presidente Dilma disse sobre as recomendações do TCU:

“Eu acho um absurdo paralisar obra no Brasil. Você pode usar de vários métodos. Agora, paralisar obras é algo extremamente perigoso. Porque depois ninguém repara o custo. Se houve algum erro por parte de algum agente que resolveu paralisar, não tem quem repare, a lei não prevê”, disse Dilma.
“Então você para por um ano ou para por seis meses ou para por três meses e ninguém te ressarce depois.” A presidente então, com relação à BR-448, completou:”De qualquer jeito, essa obra vai ficar pronta. E nós vamos inaugurá-la.”

A presidente acha um absurdo paralisar obras, mas não acha um absurdo as obras estarem com suspeita de superfaturamento. Diz ainda que acha perigoso paralisar obra pública. Dilma, perigosa é a sua gestão - se é que podemos chamar assim. E depois, numa fala, com viés autoritário esculhamba as instituições e diz que a obra vai 'de qualquer jeito' ficar pronta. 
É meus amigos, os absurdos nunca estiveram tão invertidos. Roberto Campos estava certíssimo quando disse que: "a burrice no Brasil tem passado glorioso e futuro promissor".

domingo, 10 de novembro de 2013

"Chutando o balde"

Então, quase dois meses depois do fim da série, cá estou eu tentando organizar as ideias para tecer alguns comentários sobre Breaking Bad - na minha leiga opinião, a melhor série já feita.
Tentando organizar as ideias, porque numa linguagem que, por muito tempo vi no twitter, Breaking Bad é 'de explodir a cabeça'. E é mesmo.

Lembro-me perfeitamente de estar no ônibus conversando com um amigo sobre as séries que estávamos assistindo quando ele disse que estava assistindo Breaking Bad. À época eu, obviamente, já havia ouvido falar da série, mas ainda estava preso a um receio de  a série ser só mais uma 'modinha' que fez meia duzia de fãs loucos - coisa comum hoje em dia. Então, embalado na defensiva de achar que a séria não era 'essa Coca-Cola' toda peço ao meu amigo que me diga mais ou menos sobre o que é a série. E aí que eu fico mais desinteressado. Quando ele disse: "Ah, é sobre um professor de química que descobre que tem câncer de pulmão em fase terminal e não tem dinheiro para pagar o tratamento, então ele começa a fazer metanfetamina pra vender". Pensei: "Mas como que uma série com esse enredo pode ser tão boa como dizem ?" Não comecei a assistir a série imediatamente. Terminei de assistir a terceira temporada de Game of Thrones e no dia em que eu não tinha, absolutamente, nada para fazer fui assistir a série. É, minha cabeça 'explodiu' já no primeiro episódio.

Por que gostamos tanto de Breaking Bad ? Por que gostamos tanto de Walter White ? A resposta é simples. Porque todos nós, de algum modo, temos um Heisenberg adormecido dentro de nós mesmos. Através de Breaking Bad personificamos como seria libertar esse Heisenberg que nos habita. Vemos o que faríamos, o que poderíamos nos tornar ou no que poderíamos nos transformar. Walter White era só uma casca, sem vida e infeliz que servia de invólucro para esconder Heisenberg. Ao contrário do que parece Heisenberg não foi um alter ego criado por Waltr White, Heisenberg era sua verdadeira natureza, ou pelo menos parte dela, que veio à tona engatilhado por um câncer de pulmão que em vez de matá-lo, tornou-o vivo, mais vivo do que ele jamais foi. Afinal de contas, todos gostaríamos de ser the one who knocks.

Breaking Bad vai com certeza deixar saudade, como dito, é para mim a melhor série já feita. Mas, diferente de outras séries que por conta do sucesso são esticadas e acabam perdendo qualidade, Breaking Bad acabou na hora certa. Em seu ápice, com um final perfeito que só não agradou alguma meia duzia haters gonna hate, mas que foi digno, justo e fiel a tudo que Breaking Bad se propôs. Enfim, não há muito o que dizer. Só queria  mesmo tecer alguns comentários sobre a série.


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Sob pressão (Atualizado)

Hoje li no jornal VALOR Econômico uma nota curiosa. Segundo o jornal, o presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), está sob alta pressão para colocar em plenário a votação do projeto de lei que permite a criação de novos municípios a partir da emancipação de distritos. Segundo a nota, o projeto está sendo apelidado de "trem-bala da alegria".

O dito "trem-bala da alegria" já foi votado e aprovado - em caráter de urgência - pela Câmara dos deputados  por um placar esmagador de 319 votos a favor e só 32 contra no mês de junho. O projeto prevê a criação de 180 a 400 novos municípios além, é claro, dos cargos públicos. Seriam cerca de 30 mil novos cargos públicos criados para atender a demanda dos novos municípios.
Segundo parlamentares favoráveis ao projeto, a criação de novos municípios significa melhor qualidade de vida para a população desses municípios. Para a oposição - diga-se, o PSOL, único partido contrário - a aprovação da lei  diz que o que, de fato, ocorrerá é a repartição da miséria, além de gerar mais gastos públicos e possíveis mais encargos ao contribuinte.

O "trem-bala da alegria" não tem esse nome a toa. É mais uma forma do Estado brasileiro se agigantar contra o cidadão. Mais cargos, mais máquina administrativa, mais dinheiro gasto onde não deveria. Os favoráveis dizem que o projeto significará melhor qualidade de vida aos cidadãos dos tais distritos, eu digo que é papo furado. Aumentar o estado, a burocracia e administração pública não melhora em nada, só piora. O Estado brasileiro já não é  lento, grande e ineficiente o bastante ? Parece que pensam que não. E cadê a oposição ? Que deveria estar debatendo o assunto e apresentando contra-propostas. Sumiu. Tadinha, é fraquinha, tão fraquinha que nem tem relevância.

Como já foi aprovado pela Câmara, o projeto segue para o Senado e, se aprovado, para sanção ou veto da presidência da república. Será que teremos mais um #VETADilma ? Observemos...

*ATUALIZAÇÃO:
Hoje (16/10) o Senado aprovou - por imensa maioria - o "trem-bala da alegria". Agora o projeto segue para a sanção ou veto da presidente Dilma. Como o projeto é de relatoria de um deputado da base do governo e como foi aprovado com grande maioria pelas duas casas a presidente Dilma deve sancionar o projeto de lei, infelizmente.


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Os supersalários e os professores

Duas coisas têm me chamado atenção nestas últimas semanas. Infelizmente há uma triste ligação nos dois casos.
Na última quarta-feira (25/9) o Tribuna de Contas da União (TCU) determinou que o Senado deve cortar os supersálarios - aqueles que o ultrapassam o teto de R$ 28 mil - e devolver R$ 788 milhões que foram pagos indevidamente durante cinco anos. No mês de agosto o mesmo TCU determinou o corte dos supersalários da Câmara, mas não pediu a devolução do valor pago indevidamente. 
Segundo o Congresso em Foco, em 2009 havia servidores recebendo cerca de R$ 45 mil. Mais de R$ 21 mil acima do teto constitucional vigente à época. 
Para quem não lembra, os supersalários estão intimamente ligados aos famosos 'atos secretos do Senado'. Na época os senadores, através dos atos secretos, nomeavam familiares para cargos comissionados e também aumentavam os salários indevidamente.
Enquanto isso, no Rio de Janeiro os professores da rede municipal estão em greve há mais de um mês, porque são contra o plano de cargos e salários 'sugerido' pela prefeitura. A proposta deverá ser votada em caráter de urgência pelo legislativo carioca, exatamente como o 'ilustríssimo' prefeito quer.
Segundo o Sindicato da categoria não houve um amplo debate acerca do plano de cargos e salários, que foi 'imposto' de cima para baixo.
Sem um entendimento com os professores a prefeitura está tratando a greve e as manifestações como caso de polícia back to the past ? e os enfrentamentos têm sido constantes, agora com o adendo dos baderneiros Black Blocs que apoiam os professores. Lembrando que a rede estadual também está de greve.
Notaram qual a ligação me refiro no início deste post ?
Em processo há mais de quatro anos só agora o TCU manda cortar os supersalários do legislativo federal, ao mesmo tempo professores são obrigados a brigar, fazer greve, enfrentar spray de pimenta e bombas de gás para poderem reivindicar, não super, mas salários dignos.
A educação de qualidade não é apenas o pilar de uma democracia, mas também da construção de qualquer sociedade. Enquanto os supersalários estiverem em Brasília não haverá desenvolvimento pleno e continuaremos sentindo os estigmas de terceiro mundo.

domingo, 15 de setembro de 2013

A hora é essa

Todos sabemos - deveríamos - que o hit de 2012 voltou. E não, não é o Ganganam Style, mas o julgamento da Ação Penal 470. O famigerado Mensalão voltou com tudo. No ano passado o julgamento foi hit do começo ao fim. Joaquim Barbosa foi  de desconhecido a herói da nação. Até virou meme de Facebook. No entanto, neste ano o julgamento começou morno e blasé, até que uma 'chicana' esquentou as coisas novamente.
Em abril deste ano o acórdão do julgamento foi publicado e então abriu-se a porteira das apelações. Todos os réus recorreram. E os inúmeros tipos de embargos foram levados ao plenário da corte. A grande maioria dos embargos foi rejeitada pelo colegiado de juízes. Na última quarta-feira (11/9) entrou em debate os embargos infringentes - nominho chato - na prática, se forem aceitos, esses embargos podem fazer com que alguns réus tenham um novo julgamento, com novos relator e revisor. Isso porque, segundo a legislação brasileira, esse recurso é cabível a réus que não foram condenados por unanimidade do colegiado. Entre esses réus estão os conhecidos José Dirceu e José Genoíno. Ao final da sessão de quarta-feira a votação estava em 4 a 2 pela aceitação dos recursos. Somente o relator, Joaquim Barbosa, e o ministro Fux haviam votado pela rejeição dos embargos. Sabendo da importância da sessão do dia seguinte, que poderia definir o processo, assisti à sessão. Durou umas 6 horas, não sei ao certo. E valeu a pena. A sessão foi mais divertida do que pensei - não, não teve nenhuma briga entre Lewandowski e Barbosa - foi show de oratória. Alguns votos passaram de 1 hora de duração. Mas quando pensei que fossemos chegar nos 'finalmentes' um empate caiu como um balde de  água fria. A decisão da novela, digo, do processo ficará para a próxima quarta-feira (18/9) quando o decano, ministro Celso de Mello, lerá seu voto.
Ano passado eu disse em texto para este mesmo blog que o julgamento do mensalão seria histórico. Disse que seria um marco. E de fato é. Entretanto, ainda não ficou claro se esse será um marco positivo na história brasileira. Na próxima semana, enfim, saberemos. Ministro Celso de Mello está prestes a fazer história, para bem ou para mal

*Destaco agora duas frases que muito me agradaram do ministro Marco Aurélio:
" Estamos à beira do precipício em termos de credibilidade."
" Estamos a um passo de desmerecer a confiança que no Supremo foi depositada."
                                                                  

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Mais médicos e menos... todo resto

Em 21 de junho, durante pronunciamento oficial, a presidente Dilma anunciou, entre outras medidas, o programa Mais Médicos, que é a vinda de médicos estrangeiros para atuar no que a imprensa chama de: 'Os grotões do Brasil.' A medida considerada por muitos como uma resposta as manifestações de junho foi recebida negativamente pela classe médica e pela imprensa. A vinda de médicos cubanos, para suprir a demanda que não foi preenchida pelos demais profissionais, foi ainda mais criticada. Em Fortaleza alguns médicos cubanos foram vítimas de xenofobia e racismo por parte de integrantes do Sindicato dos Médicos do Ceará. 
Alguns setores da sociedade afirmam que o problema do SUS é estrutural e não de efetivo profissional. A oposição - que é fraquinha -  diz que os médicos cubanos serão escravos, em clara referência  aos contratos firmados entre o governo brasileiro e cubano.

Bem, primeiramente acho interessante colocar que o Mais Médicos não foi "cuspido" da noite para o dia pelo governo federal por causa das manifestações. O governo brasileiro conversa com Cuba há pelo menos um ano. No entanto, é fato que as manifestações fizeram o governo agilizar o anúncio do programa.
O programa é, de fato, controverso. Poucos dias após a chegada de alguns médicos estrangeiros já havia pedidos de desistência. Alguns médicos alegaram falta de estrutura de trabalho - já não era sabido ?. É duvidoso também os acordos entre Brasil e Cuba, pois o governo brasileiro paga os salários ao governo cubano que repassa aos médicos uma quantia não informada. É óbvio que o governo brasileiro está, sim, dando esmolas ao regime cubano.
Interessante citar a histeria dos médicos brasileiros após o anúncio do programa. Considero pertinente alguns pontos levantados pelos médicos brasileiros. É sabido que mais médicos não irão, nem de longe, salvar o SUS ou sanar os problemas de saúde pública, mas ressalvo que é uma boa inciativa, um bom começo que pode ser muito melhor se for seguido de investimentos estruturais. Não condeno, como muitos por aí, os médicos brasileiros que se recusam a trabalhar nas áreas carentes. O profissional de saúde é essencial, mas  inútil, se o mesmo não tem condições para poder exercer sua profissão. Que médico gostaria de trabalhar num lugar que não tem estrutura para poder tratar seu paciente ? 
Condenável é a atitude dos poucos médicos cearenses. Eles envergonham o Brasil  com sua atitude xenófoba e racista.
E a mídia ? Bem, ... foi ela mesma, só para variar. Infelizmente, os 'jornalões' transformaram o debate num debate político-ideológico. E num programa tão controverso como este era necessário que a mídia trouxesse ao cidadão o verdadeiro debate, não essa bandalha. Alguém aí avisa que a Guerra Fria já acabou !

Num país onde há problemas em todos os setores, em todas as nuances acho de extrema importância que de algum lugar saia alguma iniciativa. No entanto, sou totalmente descrente no sucesso do programa. Por quê ? Porque isso é Brasil. Nada é planejado, estudado a longo prazo. Podem apostar que os investimentos estruturais vão continuar minguados. O governo vai deitar em cima do slogan: "levamos mais de 4000 mil médicos aos cantões do Brasil" e não vai fazer absolutamente nada além disso.  Cadê a política de Estado ? Não há. Só há políticas de governo e as Medidas Provisórias - como o governo gosta delas. Eu até gostaria de ser mais otimista, mas o Brasil não deixa.


domingo, 14 de julho de 2013

Man of Steel: o que achei

Oi, como vão vocês ? Semana bem atípica para este blog, não é ? Já é o terceiro texto, só essa semana. Isso tem um motivo e o seu nome é: férias. Mas não vou escrever sobre as minhas férias e sim sobre o filme que vi hoje: O Homem de Aço. Lembrando que não sou nenhum crítico ou expert em cinema, portanto, vou escrever aquilo que achei do filme. Let's go !


Bem, vamos começar pelo começo. Achei muito interessante o filme começar em Krypton, porque pela primeira vez deu-se uma importância maior a Kypton. Ali, logo no início, já temos boas cenas de ação - com porrada mesmo - e ótimos efeitos retratando o planeta e tudo mais. Também é interessante pois conseguimos ter uma ideia melhor de como era Krypton e de como e porque explodiu. Importante ressaltar que nesse início o vilão do filme, general Zod, já nos é apresentado. A propósito, achei muito acertada a escolha de Zod como vilão deste filme e a atuação de Michael Shannon (General Zod) foi muito fiel, ele deu veracidade ao temido general. Depois a história pula diretamente para os dias de hoje, Clark com 33 anos - bem sugestivo né ?- e, por meio de flash backs, a infância do Super é contada. Muito bom que não ficaram explorando coisas como, quando ele descobre que tem poderes ou o primeiro carro que ele arremessou longe, mas sim a dificuldade dele em lidar com seus poderes e digo isso nos dois sentidos; a dificuldade física de controlar seus poderes e a dificuldade moral de saber quem é e de ser aceito. E então já acontece um salvamento: uma plataforma de petróleo em chamas e ali ele já tem um revés - coisa comum para esse Super -, já que o salvamento não foi tão triunfal e ele acaba caído no mar.

Achei um tanto confuso o momento em que o Super e Lois se conhecem. Os dois no mesmo lugar e - não é o Planeta Diário - bang se conhecem. É estranho, mas aceitável. Porém, fica interessante depois, pois o Super encontra sua 'fortaleza da solidão' enquanto Lois o seguia com sua câmera fotográfica no maior estilo jornalista enxerida. Ouvi pessoas no cinema dizendo que sentiram falta daquela coisa de Lois, Clark e Superman. Um triângulo entre duas pessoas. Nesse filme a abordagem é outra. Lois de cara já sabe de tudo. Eu também achei estranho, mas depois gostei, porque fugiu do clichê Lois e Clark. Então, Zod aparece para todos no maior estilo O Chamado e anuncia que há um semelhante seu entre os terráqueos. Daí em diante são muitas e eu disse MUITAS cenas de ação. Os Kryptonianos lutando com Clark, Zod lutando com Clark, cidades destruídas, naves aterrissando na terra. Confesso que houve momentos em que parecia estar assistindo Guerra dos Mundos. Tenho que falar novamente que os efeitos especiais são muito bons, apesar de meio sombrio e escuro o filme é muito bonito, visualmente. E o que dizer sobre a luta entre Zod e Clark. Senti falta da épica frase: "Ajoelhe-se perante Zod", mas isso é coisa de fã. A luta é longa, os caras parecem deuses lutando. Destruindo um prédio a cada murro que davam. Lembrei-me da épica luta entre Superman e Darkseid na animação Liga da Justiça Sem Limites, foi bem parecida. E o clímax da luta é quando o Superman mata, isso mesmo, mata o general Zod. É uma ótima cena, é impactante, ainda mais para o Superman, o maior herói de todos e heróis não matam. Eu gostei desse Superman que mata.

Bem, não há muito mais o que dizer. O filme claramente tem a pegada do Nolan - sim, aquele da trilogia Batman - é sombrio, escuro, tem pegadas humanísticas e um pé na realidade. O que é muito bom. Só acho que se tratando do Superman o filme poderia ser mais descontraído, menos sisudo, apesar de ter funcionado perfeitamente. Mais uma coisa, funcionou muito bem o paralelo feito pelo David Goyer (roteiro) entre Clark e Jesus Cristo. Então, assistam, tem porrada, tem história, tem profundidade e, na minha opinião, conseguiu abrir o universo DC nos cinemas. Que venham outros. 



P.S* Não vi o tal easter egg onde o símbolo da Wayne Enterprises aparece  DX

sexta-feira, 12 de julho de 2013

E nós ? 2014 é logo ali !

O mês de junho passou. Um junho atípico. Manifestações varreram o país, do Caburaí ao Chuí google it. Em Brasília o Congresso e o Planalto se apressaram em mostrar serviço. A presidente mais que depressa foi à TV se pronunciar e tentar acalmar as massas. O Congresso rejeitou a temida PEC 37/2011. Falou-se muito em reforma disso, plebiscito daquilo, constituinte pra lá e royalties pra cá. No entanto, depois desse junho histórico - como alguns veículos de comunicação classificaram - nada de muito concreto foi feito ou dito. As massas já se acalmaram - exceto pelas centrais sindicais, que insistem na sua "luta" - o Brasil ganhou a copinha de nome comprido, os tradicionais campeonatos de futebol retornaram e a impressão que fica é a de que o governo não entendeu direito o recado, gritado, pelas ruas e de que as "ruas" se encolheram muito depressa.

As manifestações, ao contrário do que todos adoram dizer por aí, não são de difícil entendimento, na verdade, são bem simples. O povo só pediu que as instituições da república, que os três poderes façam aquilo que lhes é de função.Nada de muito complicado, certo ? O povo quer reais e funcionais investimentos em educação, saúde e transporte. O povo quer políticos e instituições mais transparentes, no mínimo, éticas. O povo quer ver projetos e leis que sejam do interesse de toda a sociedade, quer ver medidas que façam a economia sair da letargia em que se encontra, o povo quer que o governo dê jeito nessa inflação que, ao contrário do que dona Dilma diz, não parece e não está controlada, o povo quer que o governo pare com seus programas popularescos e, de fato, comece a administrar o país. Em suma, o povo quer que os políticos cumpram aquilo que lhes foi dito nas eleições passadas e nada mais. Não vai ser com uma constituinte sei lá de onde que vamos dar jeito nessa coisa toda dona Dilma, seja prática e eficiente. 

Já sabemos de cor e salteado o que o governo, os políticos e as instituições da república devem fazer, mas e nós ? O que devemos fazer ?  Creio que uma parte do que devemos fazer já foi feita em junho. Demos o recado. Entretanto, de nada adianta ficar organizando passeatas e manifestações eternamente. O próximo passo é fiscalizar, tentar, ao máximo, ficar de olho no que o governo faz e deixa de fazer. Não seja politizado por modinha, seja politizado sempre.
Se junho de 2013 foi histórico, façamos histórico o outubro de 2014. Ele sim pode mudar, de fato, alguma coisa.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Dez minutos

(...) 02:39, é difícil
Nada na cabeça
E a inspiração ? 
Madrugada,
calma, 
fria, 
silenciosa
Nem um pio
Nem um assovio
Só o frio
Nem pensamento
Nem adendo
Só a dentro
Nada sai
Tudo se esvai
Ideias vêm e vão
Mas nunca se "dão"
E então ?
Sem inspiração
Sem "manifestação"
Só desatenção
02:49 (...)


sábado, 15 de junho de 2013

Mais do que vinte centavos

Chegamos ao fim de uma semana "agitada" para as grandes cidades brasileiras. Quem imaginaria que teríamos duas grandes manifestações, quase simultâneas, nas duas  maiores cidades do país ? Quem diria que íamos ver uma leve mudança no discurso da velha imprensa no decorrer da semana ? É, tudo isso aconteceu. Parece que saíram do facebook.

A manifestação de terça-feira (11/6) - considerada a mais violenta - expôs algo alarmante: não era uma manifestação, era um "bando" de rebeldes sem causa que pareciam estar lá apenas para tumultuar e causar confusão. Só podíamos nos perguntar, o que querem os manifestantes ? Bem, foi desse modo que  os três maiores jornais do país repercutiram a manifestação. O discurso do Jabor (VER AQUI) personifica o que toda a "grande mídia" brasileira pensava sobre o fato.
Todavia, excluir os manifestantes de certas responsabilidades é correr da raia. Como mostra a imagem ao lado, todas, eu disse todas, essas últimas manifestações terminaram com lixo queimado no meio da rua, vidraças de lojas e agências bancárias quebradas, pichações entre outros atos de vandalismo. Sim, isso é vandalismo. Então, como separar o joio do trigo ? Como distinguir o que é manifestação democrática e legítima de baderna e vandalismo ? ESTE texto elucida muito bem o que é recorrente em manifestações populares. Mas não precisaria ir tão longe para encontrar tais exemplos. No fim do ano passado aconteceu aqui em Petrópolis 3 atos contra 0 aumento da passagem e tive a oportunidade de acompanhar um deles (VER AQUI). A manifestação que eu acompanhei foi pacifica, nada de bombas, pichações, depredações, apenas uma marcha que repudiava o aumento da tarifa de ônibus. No entanto, enquanto todos caminhavam em direção a câmara os vereadores um vândalo - não há outra denominação - que nem mesmo estava participando da passeata acendeu e soltou uma bomba no meio de todos. Na mesma hora uma das líderes do movimento parou a manifestação e ressaltou que quem estava lá com o intuito de fazer baderna saísse, pois a passeata era pacífica. Louvável a atitude dela. Na última terça-feira parece que mais de um vândalo se infiltrou na manifestação.

Na última quinta-feira (15/6) houve manifestações em diversas capitais, de Maceió a Porto Alegre. Mas chamou atenção mesmo foram as manifestações no Rio e em São Paulo. Chamaram a atenção não pelo fato de terem sido mais ou menos violentas que a de terça-feira, mas pela atitude da polícia para com os manifestantes e, surpreendentemente, pela diferente abordagem da imprensa. Como disse Elio Gaspari, colunista do jornal O Globo, " A PM começou a batalha..." (VER AQUI). Está circulando na internet também um vídeo onde, supostamente, um PM quebra propositalmente o vidro de uma viatura para incriminar os manifestantes (VER AQUI). Este último dia de manifestações repercutiu negativamente para o Estado, se na terça-feira a manifestação foi vista como vandalismo, nesta última a própria imprensa sentiu na pele a força do Estado personificado pela polícia.

Vale ressaltar que uma pessoa que vai a um local desses portando bombas, coquetéis molotov, sprays entre outras coisas não merece ser chamado de manifestante. Deve ser enquadrado como vândalo. Manifestar-se sim, vandalizar não.
Vale lembrar também que o motivo desses movimentos vão muito além dos 20 centavos acrecidos ao valor da passagem. Há um Brasil inteiro de coisas que merecem protesto. A passagem do ônibus é só o gatilho. Ignorante quem pensa que 20 centavos despertaram tantas manifestações, ignorante quem pensa que não há o que protestar, mais ignorante ainda é quem pensa que protestar é só sair por aí com mascaras de "V de Vingança" e sprays. Manifestar-se é organizar-se o resto é bagunça.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Dando nome aos bois

"... Outro problema é a questão partidária. Nós temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos. E nem pouco seus partidos e os seus líderes partidários têm interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder..."

Foram com essas palavras que o ministro Joaquim Barbosa se referiu ao Legislativo e ao sistema partidário brasileiro. Tais comentários foram suficientes para políticos Brasil a fora criticarem duramente o ministro. Até mesmo o governador de Pernambuco e provável presidenciável em 2014, Eduardo Campos, criticou os comentários de Barbosa.Os comentários de Barbosa estremeceram ainda mais a, já frágil, relação entre Legislativo e Judiciário. Alguns deputados e senadores chegaram a dizer que o ministro não tem "apreço" a democracia por tecer tais críticas.

Eu discordo veementemente  dos parlamentares que se pronunciaram contrários aos comentários de Barbosa. Na verdade, sua atitude e tudo o que ele disse corroboram a democracia. Dizer a verdade dói, mas é necessário. O ministro Joaquim Barbosa não disse nada de mais. Disse o que todos nós sabemos e gostaríamos de ouvir de um político qualquer.
Alguns fatos recentes comprovam tudo que foi dito pelo ministro. Foi esse Congresso que votou às pressas a MP dos Portos. Por quê ? Porque o Executivo se articulou para que essa votação ocorresse antes da validade da MP terminar. É esse Congresso que abriga condenados da justiça.  O Congresso, em teoria, deve legislar, ou seja, criar projetos e leis que sejam de interesse da sociedade, mas na verdade, é servente do Executivo. E o Executivo é tão ruim quanto o Legislativo. É o Executivo que loteia seus ministérios entre partidos da base aliada em troca de apoio daquele bendito Congresso. De fato, o Congresso é ineficiente e não nos representa. Nosso sistema republicano é de mentirinha.
O que Barbosa fez foi ter a coragem de agir como cidadão e como ministro. O que ele fez foi dar nome aos bois.


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Pensemos na "injeção"

"Um jovem está prestes a chegar em casa quando é abordado por outro jovem que, armado, lhe exige o celular e faz menção de lhe retirar a mochila. Logo depois, dispara e foge. O tiro atinge a cabeça do jovem assaltado diante do prédio gradeado que supostamente lhe garantiria segurança. O rapaz morre ao dar entrada no hospital."  Leia o texto completo AQUI


Se lido isoladamente, o fragmento acima é apenas mais uma notícia de roubo seguido de morte, o chamado latrocínio, crime que tem se tornado comum na cidade de São Paulo. Todavia, há alguns adendos. Primeiro: a vítima era um jovem branco de classe média e o criminoso um menor de idade, pobre que estava a poucos dias de completar 18 anos. Pronto, agora não é mais uma manchete corriqueira, mas comoção nacional.
O fato nos leva a inúmeras problemáticas como, latrocínio tem se tornado algo comum nas grandes cidades, a mídia dá mais atenção aos crimes envolvendo pessoas com renda mais alta e a questão da maioridade penal em si - que só é levada em consideração quando crimes como este acontecem -, mas vamos nos focar  no debate da maioridade penal.
Como sempre digo, as redes são rápidas, implacáveis, voláteis e não ficaram de fora do "debate". Choveu posts no facebook exigindo que a maioridade penal fosse alterada, que se fulano pode votar então pode ser preso entre outros blá blá blás. Obviamente que as redes sociais são simplistas e não promovem o verdadeiro debate, só soluções universais e rápidas (rapidez é o lema). No entanto, concordo que se trata de um assunto grave, portanto, necessita de uma solução, mas a solução não é e não será rápida. Então, se a solução não é rápida e o tema precisa de rapidez o que fazer? O remédio deve começar a ser tomado agora, mas tem de haver uma injeção para que o paciente não morra antes do fim do tratamento. O remédio, lento e gradual, é a melhora na educação e um investimento no sistema prisional a fim de que possa recuperar os detentos. Nenhuma novidade nisso. O problema está na injeção. O estado, hoje, adota como injeção o que deveria ser o remédio, levando os infratores para as infinitas fundações casa a fim de reeducá-los. Ora, em fase terminal não há remédio ou injeção que dê jeito. Por sua vez, a sociedade acha que vai curar o doente deixando-o mais doente ainda, é o caso de reduzir a maioridade penal, levando todo e qualquer infrator para  as chamadas faculdades do crime, os presídios.
Reduzir a maioridade penal não é a "injeção" muito menos a solução. No entanto, algumas mudanças no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) seriam mais que bem vindas. É um absurdo a punição máxima para menores ser de apenas 3 anos de reclusão, é um absurdo maior ainda que esse jovem que cometeu um crime grave fique livre de qualquer responsabilidade só pelo fato de ter completado 18 anos. Eu mesmo já ouvi: "vou fazer isso e isso, pois depois terei 18 e aí não dá". Na minha, leiga, opinião a pena máxima para jovens que cometerem crimes hediondos deveria subir para 10 anos e após completar 18 anos o jovem continuaria a responder pelo crime.
Enfim, a redução não cura o doente, na verdade, ela mata com mais rapidez. Pensemos na injeção. E que o Estado, por favor, trate de dar o remédio.

terça-feira, 30 de abril de 2013

O que vem depois ?

O ano de 2012, no âmbito da política nacional, foi marcado pelo julgamento do mensalão. De fato, histórico. No entanto, sem muita eficácia, afinal de contas, ninguém ainda foi preso pelos crimes julgados na Ação Penal 470. E mais, alguns dos condenados ainda exercem os cargos de deputado federal como, José Genuíno (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP).
Apesar de todos estes poréns o julgamento foi um marco para a sociedade, que hoje vive desacreditada na política e nos políticos brasileiros. Ao fim do julgamento, esperava-se que entraríamos em 2013 no mesmo embalo,  já que, o julgamento também sinalizou a independência dos poderes da República, contudo, passados 4 meses desde o início do ano o saldo é assombrosamente negativo.
Durante todo o julgamento do mensalão viu-se a movimentação de toda a mídia e, obviamente da "grande mídia", em cobrir todos os detalhes do julgamento. Os jornais e jornalistas foram enfáticos em condenar, juntamente com a corte, os réus. Em suma, a mídia estava fadada a entrar na mira a qualquer momento. VEJA AQUI  Então, surge o tal do Marco Regulatório, projeto que tramita entre petistas e que deve entrar em pauta no Congresso Nacional. Segundo o governo, a mídia, como qualquer outro seguimento, tem que ser regulado. O projeto segue a mesma linha da "Ley de Medios" que a 'chefona' Kirchiner quer implantar na Argentina.
Além da mídia, durante o julgamento do mensalão houve uma exacerbada exposição do STF, de seus ministros e do Ministério Público - autor da Ação Penal 470 - na figura do Procurador Geral da República, Roberto Gurgel. O STF e o MP foram notícias diariamente. O STF como o redentor da população desacreditada na justiça e o MP como máquina furtiva que pode investigar e desmantelar quadrilhas como  a formada no mensalão. 
A resposta do PT viria este ano na forma de duas PECs ( Projeto de Emenda à Constituição). A PEC 33/2011, já aprovada pela CCJC ( Comissão de Constituição e Justiça da Câmara) da qual fazem parte os já citados deputados condenados do PT de São Paulo, prevê que decisões do STF sobre inconstitucionalidade de emendas à constituição passem pela aprovação do Congresso. Na prática, o projeto irá submeter o STF, órgão máximo de um poder independente, ao Congresso Nacional. E não para por aí.
Já está pronta para votação no Congresso Nacional a PEC 37/2011. Se aprovado, o projeto irá tirar o poder de investigação do MP, poder este, que vem desmantelando quadrilhas Brasil a fora. E como dito, o próprio mensalão. Lembrando que o mesmo MP apresentou denúncia no STF contra o Mensalão Mineiro. Ou seja, o MP pode e deve engrossar para todos os lados e não só em cima de petistas.
Será coincidência logo após ativa participação da mídia no julgamento do mensalão o marco regulatório vir a tona? Será coincidência  que o mesmo Congresso que tem inúmeros parlamentares sendo julgados pelo STF aprove a PEC 33/2011? Será coincidência a comissão que abriga os mensaleiros aprovar em menos de 2 minutos projeto que veda direitos ao órgão? Será coincidência a PEC 37/2011 estar pronta para votação agora que o MP desmantelou a quadrilha que formou o mensalão? É coincidência demais! Coincidência demais desconfia, coincidência demais é ilusão!
Os rumos que as coisas têm acontecido no Brasil sinalizam algo escabroso e obscuro. E o que vem depois? É bom nem imaginar! 

terça-feira, 9 de abril de 2013

É proibido achar ! A polícia do pensamento está aí !

Feliciano e Joelma já viraram arroz de festa. As redes são rápidas, implacáveis. Fazem heróis e vilões. Portanto, o olho do furacão no qual esses dois se envolveram já está passando, mas enquanto isso os ecos continuam a entoar na mídia e nas próprias redes sociais. Quem aí não leu algo falando o quanto a âncora do SBT Brasil Rachel Sheherazade é reacionária e conservadora por conta DESTE VÍDEO !? Joelma também foi execrada de todos os lados. O que fica deste episódio é: o Brasil está bipolarizado nos dois extremos do espectro social, quem discordar que se cuide.
No auge das polêmicas sobre a Joelma uma amiga minha do Facebook postou algo falando de como há  um 'mimimi' grande demais em cima da situação. Na mesma hora ela foi bombardeada por comentários do tipo: você só fala/digita fezes, ou seja, apenas comentários ácidos sobre o que ela postou no Facebook dela. No YouTube a situação é mesma. No Twitter um pouco menor, mas os mesmos comentários xiitas.
Todas essas situações: a reação rápida e surpreendentemente negativa às declarações da jornalista do SBT e aos comentários que, por vezes, vejo nas redes sociais só me dizem uma coisa: "as pessoas estão perdendo o direito de 'achar'." E estão mesmo. Como já explicitei  AQUI não concordo com o deputado Feliciano por diversos motivos, mas ele está lá por alguma razão. No caso da Joelma acho que ela foi, em primeiro lugar, mal interpretada e em segundo, infeliz na comparação. E só. Ela está no direito dela de achar e falar o que quiser. Agora, o que a Rachel Sheherazade disse no vídeo acima não tem nada demais e eu até concordo com ela. Provavelmente, ninguém assistiu a ESTE VÍDEO que ela dá novamente a sua opinião, de maneira mais compreensível por assim dizer. Tudo indica que hoje em dia é proibido ter aspirações conservadoras. Pode-se tudo, mas não pode-se nada na mesma intensidade.
De fato, as pessoas estão "perdendo o direito de achar", de dar suas opiniões - sejam elas conservadoras ou não. Essa situação me lembra muito o livro 1984. No livro o partido ditava como as pessoas iriam pensar e quem desobedecia a tal regra era pego pela polícia do pensamento, levado até o ministério do amor para, então, ser curado. Parece que hoje temos que seguir uma cartilha de pensamentos, assim como no livro. E os comentários ácidos nas redes sociais se assemelham e MUITO com a polícia do pensamento. 
"Posso não concordar com nenhuma palavra que você disser, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las." - Voltaire

terça-feira, 2 de abril de 2013

Big Brother, mas não aquele "Big Brother"...

  Nesta semana, finalmente, terminei de ler 1984 de George Orwell. Dizer o quê ? O livro é maravilhoso. George Orwell merece todas os elogios que recebe mundo a fora.
  Apesar de ter sido escrito em 1948 o livro é atualíssimo. Quem aí não tem uma "Teletela" falando o dia inteiro ? Quem aí não conhece o Big Brother ? Orwell escreveu uma obra prima de clarividência. Isso mesmo ! Tudo que ele escreveu em 1948 aconteceu e tem acontecido. O poder pelo poder que ele descreve é um dos fenômenos mais presentes  na política brasileira. O controle do pensamento é algo ainda mais perigoso. Hoje em dia o mundo é globalizado, mas a ideologia é unilateral. Exatamente como em 1984.      No livro as teletelas  estavam lá pra cercear a liberdade hoje em dia a televisão, os celulares e a internet podem exercer igual papel. Já dizia um professor meu: " O celular é a mais nova algema do ser humano. "
  É muito engraçado e, estranho também, ler este livro em época de Big Brother (o programa de TV). Tive a oportunidade  de assistir um dia ao programa na companhia de pessoas que, literalmente, são viciadas nele. E não conseguia parar de pensar na frase: " O Grande Irmão está observando você." Era exatamente isso que parecia. Não eram eles os telespectadores, mas os observados. E o mais engraçado é quando a galera briga, fica com raiva, dizendo que o programa é manipulado. Ah se eles soubessem que a ideia é exatamente esta. O Grande Irmão é um ditador.
  Enfim, não vou ficar contando muito mais do livro. Acho que 1984 é um livro para ser lido na escola. Todos nós deveríamos lê-lo.
   Já estou lendo A Revolução dos Bichos depois comentarei sobre ele também !

quinta-feira, 28 de março de 2013

Feliciano não nos representa ! E o Genoíno ? Representa ?

Nestas últimas semanas o tema nas redes sociais, jornais, meio artístico e qualquer outro lugar de debates tem sido um só: Marco Feliciano. Há um debate político e social muito intenso acerca da escolha dele para   a  Comissão de Direitos Humanos da Câmara. O fato é que o debate é válido, Marco Feliciano não é pessoa mais adequada para presidir essa comissão. E não, não é pelo fato dele ser Pastor. Mas pela postura dele diante da sociedade. Um Deputado que dá as declarações que ele deu não deveria ser nem deputado, quanto mais presidente de uma comissão de direitos humanos. Lembrando, que um deputado deve representar a todos os cidadãos e não somente seus eleitores. A democracia é feita pela maioria e pelas minorias. Eu não tenho uma opinião formada acerca da  PL 122. Fico na dúvida se ela iguala os direitos ou apenas favorece uma certa ala da sociedade. Independente de sua religião, sexo ou etnia um deputado tem que ser neutro, no que diz respeito ao cidadão. Devido a suas declarações fica uma interrogação se Feliciano conseguiria exercer a devida neutralidade.
  No entanto, acho que a mídia e, por conseguinte, a sociedade dão uma atenção grande demais ao Feliciano e se  esquecem de olhar para os lados. A Comissão de Direitos Humanos não é a única do Congresso. Existem outras 10 comissões. E em uma delas ocorreu uma coisa 'inusitada', para não dizermos outra coisa. Na Comissão de Constituição e Justiça foram escolhidos dois deputados bem singulares. São eles: José Genoíno e João Paulo Cunha. Lembram-se ? Os dois são do PT de São Paulo e no ano passado foram condenados pelo STF a prisão por participarem do esquema do Mensalão. O que é mais absurdo ? Eles terem sido condenados e não estarem presos ? Eles ainda não terem perdido seus respectivos mandatos ? Ou eles terem sido escolhidos para uma comissão de JUSTIÇA. ISSO MESMO, DE JUSTIÇA. É no mínimo irônico. O fato, é que é um absurdo total eles não terem sido presos ainda, não terem perdido seus mandatos e terem sido escolhidos para tal comissão. Se um deputado com declarações racistas não deve presidir a Comissão de Direitos Humanos, um que tenha sido condenado a prisão também não pode integrar uma constituição de justiça. Ambos os casos são ilógicos. A CCJ é uma das mais importantes comissões da Câmara. Nela são analisados aspectos constitucionais, legais, jurídicos e regimentais das propostas que tramitam na Câmara. E não é só a CCJ ou CDH que são controversas. A Comissão de Meio Ambiente também é bastante controversa. (VEJA AUI)
  Enfim, abramos nossos olhos ! Não sei se todo este circo em cima de Feliciano não está sendo feito justamente para desviar nossos olhares.
   Feliciano, obviamente, não nos representa, mas e o Genoíno ? Representa? 

    

quinta-feira, 14 de março de 2013

Foi ontem ? Não, foi há 98 anos ...

  É, já estamos nos encaminhando para o fim do verão. O outono já começa a despontar. Vamos esperar que as águas de março encerrem o verão ? Não !
  O assunto é corriqueiro, já virou nome de música, crônica, mas de um lugar o assunto cisma em ficar. Nas tragédias.
   As chuvaradas de verão, como dizia Lima Barreto, são um problema crônico do Brasil. Mais especificamente da região sudeste. Há 98 anos, As enchentes era publicada por Lima Barreto e o fenômeno natural já era um  problema gravíssimo do Rio de Janeiro. 98 anos depois o quadro se mostra o mesmo. AQUI tem um ótimo texto do jornalista Alberto Dines, publicado recentemente que muito se assemelha com a crônica de Lima Barreto, que completou 98 anos. Todos os verões, cariocas, paulistanos, petropolitanos são marcados pelas chuvas torrenciais, que periodicamente nos atinge. Como dito, é um problema antigo, grave, atinge a toda população, direta ou indiretamente, mas mesmo assim as coias não mudam. Só o que muda é a vida das milhões de pessoas que foram, são e serão atingidas por tais catástrofes. O poder público permanece inerte, medidas de prevenção não são tomadas. Apenas as medidas emergências são tomadas, quando a tragédia já aconteceu.
  Os jornais noticiaram para todo o mundo a tragédia do dia 12 de Janeiro de 2011 que atingiu, com maior gravidade, as três cidades mais populosas da região serrana. Petrópolis, Nova Friburgo e Teresópolis. Segundo números oficiais, nas três cidades o número de mortos gira em torno de 905 pessoas e o de desaparecidos passa dos 190. Porém, e é do conhecimento de moradores de toda a região, que esse número não bate. Segundo informações publicadas pelo jornal EXTRA (LEIA AQUI), há regiões dessas três cidades que o socorro não chegou pelo fato do local ter desaparecido. Segundo relatos de Ana Luíza Coelho, coordenadora do laboratório de Geo-Hidroecologia da UFRJ, uma região do distrito da Posse em Petrópolis, onde antes abrigava 350 casas e que hoje restam apenas 64 tem 142 vítimas oficialmente. Antes a população estimada passava dos 1000. É óbvio que o número é muito maior.
  O temporal que atingiu a região serrana há dois anos foi o considerado a maior catástrofe natural que o Brasil já viu. Não foi feito nada para que algo desta magnitude não acontecesse. Nenhuma das três cidades tinha qualquer prevenção contra deslizamentos e alagamentos e a população não tem nenhum preparo para enfrentar tal situação. Hoje, a situação não é muito diferente. O motivo ? ' Denúncias indicam desvio de verbas destinadas à Região Serrana do Rio ''Ministério Público investiga desvio da verba destinada a tragédia e calamidade'. O motivo está bem explicitado. O poder público não liga para seus contribuintes. O cidadão só serve para pagar impostos, nada mais.
   A serra carioca, AINDA não foi atingida por outro temporal como aquele. Mas outras cidades e outros estados continuam a sofrer. Todos sabemos o estado que fica a capital paulista em um dia de chuva e a cidade maravilhosa também..
  Quando Lima Barreto escreveu sua crônica, acusou o prefeito Pereira Passos de só se preocupar com o embelezamento da cidade e de não dar a devida atenção aos reais problemas da mesma. A situação hoje, pra variar, não é diferente. A preocupação geral da nação é a Copa e os Jogos Olímpicos. Se em 1915 era o Rio que estava se embelezando, hoje é  o Brasil que tenta parecer o que não é. A trancos e barrancos a Copa vai chegando e a trancos e barrancos, literalmente, o cidadão brasileiro vai ficando. Tomara, que daqui a 98 anos o assunto tenha mudado.

sábado, 9 de março de 2013

Meia hora.

  10:00. Um único som, característico, estridente, insuportavelmente demorado. De repente, uma simbiose de sons. Tudo se mistura. Nada mais é ouvido, percebido. Um movimento quase hipnótico surge nas rampas. Uma espiral humana. Uma selva.
   Lá estava eu bem no meio daquela espiral, hipnotizado. Sem saber para onde ir. Paralisado. Era outro mundo, outra história, outras pessoas, quase uma outra vida. Tudo novo, tudo estranho. Me sentia como um animal recém saído do cativeiro e que havia sido colocado  no meio de uma selva. Parecia não ser o lugar certo. 10:02. A hora não passa. O relógio era torturante. Um tic-tac interminável. De repente achei que todos olhavam para mim, na verdade, eu é que olhava para tudo e para todos. 10:07. Me sentei, tirei o celular do bolso, com um certo receio, esperei, olhei ao redor e coloquei-o no bolso novamente. Era interminável. Tic-tac, tic-tac, tic-tac ... Já não sabia se estava receoso, entediado, confuso. O tic-tac soava como marteladas em minha cabeça. 10:10. Me levantei e decidi caminhar, conhecer o território, os seus agentes, externos e internos. Quanto mais eu andava menos eu entendia, menos eu sabia, mais perdido eu estava. Era gigante, pessoas em todos os lugares, era como um  campo de batalha. Continuei caminhando, sem olhar muito para os lados, seguia com os olhos fixos num único ponto. Me sentia como um beduíno ao avistar uma miragem. 
   10:11. Repentinamente tudo cessou. Não ouvia nenhum ruído sequer. Era abafado.  Pude ouvir o pulsar de meu coração, até minha respiração. Vi umas meia duzia de pessoas. Tive a impressão de entrar num mudo paralelo. Se estivera perdido num desconhecido, me encontrei noutro. O tic-tac do relógio também cessou. Me vi perdido em prateleiras. Não sabia para onde olhar. Fixei-me num livro. Fui até ele. 10:30. O som estridente de meia hora atrás retornou. Acordei de um transe. Os sons voltaram, não estavam mais misturados, distorcidos. O tic-tac já não martelava em minha mente. A selva já não era selva. Eu já não estava mais perdido. 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Diversão fatal

 Nestas últimas semanas o meio esportivo fervilhou de notícias acerca da tragédia ocorrida em Oruro, Bolívia, onde foi morto o jovem Kevin Espada torcedor do San José no jogo contra o Corinthians pela Copa Libertadores da América . O caso foi tratado pela torcida do Corinthians, pelo próprio clube e por parte da imprensa brasileira como fatalidade. Alguns torcedores do Corinthians chegaram a se manifestar nas ruas para que o clube não fosse punido. Mas o caso não deve ser tratado como fatalidade. Não foi um simples acidente que por acaso matou o jovem. Foi um crime. Algo que poderia e deveria ter sido evitado.
   Grande parte da imprensa brasileira tratou o Corinthians como mártir, como vítima da situação. Deu no máximo um puxão de orelhas na Gaviões, mas tirava o Corinthians da 'reta'. O clube pode não ser diretamente o culpado, mas indiretamente é. Primeiro, as torcidas são patrimônio de seus clubes, portanto, o clube responde por ela. Segundo, todos estamos cansados de saber como os clubes financiam suas torcidas organizadas. Porém, o torcedor que diz ser o culpado e o Corinthians não devem ser os únicos punidos nessa história. Como alguém entra num estádio de futebol com um artefato assassino ? Não tem revista ? Cadê a segurança ? A administração do estádio boliviano, a polícia boliviana e até a CONMEBOL tem culpa na história. Uma administração que não zela pelos seu clientes, uma polícia que não fez seu trabalho e uma entidade que não fiscaliza a segurança da competição que organiza. Tem algo de muito errado nesta conjuntura assassina. Obviamente essa conjuntura assassina não se encontra somente na Bolívia, mas também aqui no Brasil. AQUI tem um vídeo de um produtor da ESPN, que com enorme facilidade, entrou no  Engenhão com um sinalizador náutico idêntico ao que matou o jovem boliviano. O jornalista foi revistado, mal e porcamente, pela polícia que nem se deu ao trabalho de checar corretamente a mochila. Detalhe, não haviam detectores de metais nas catracas do estádio.
   O caso deve servir de lição para o Brasil e qualquer outro país. Não é de hoje que casos como este acontecem no meio esportivo. Todos aí devem se lembrar dos Hooligans, na Inglaterra. Lá a violência serviu de lição para que incidentes violentos não ocorressem mais. A morte do jovem não foi a primeira e infelizmente não será a última.
   Essas são as torcidas que vão lotar os estádio durante a Copa. IMAGINEM NA COPA, melhor não !

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Espetáculo, nossa própria tragédia.

Bem, passado  o olho do furacão, o boom da notícia, não há como não comentar sobre o ocorrido em Santa Maria. Uma tragédia. Entretanto, não cabe neste espaço debater o que todos os jornais e programas de televisão já debateram com exaustão: de quem foi a culpa, o que poderia ter sido feito... Nada disso adianta mais. É claro que os responsáveis devem ser identificados e punidos e os erros consertados para não mais serem repetidos. Mas o que me chamou a atenção foi como a  mídia lidou com a tragédia, ou melhor, de como sempre lidam com tragédias.
   Fiquei sabendo do incêndio pela GLOBO NEWS, que ficou o dia todo cobrindo a tragédia, no início não imaginei que seria algo com tamanha repercussão, mas as horas foram passando e o assunto era o mesmo. A semana começou e o assunto não mudava. Sempre a mesma coisa.  "Morre mais uma vítima da tragédia  de Santa Maria.", "Número de vítimas sobe." e repetidamente essas foram as principais manchetes da semana. Espetáculo. Essa é a palavra. A tragédia foi transformada num espetáculo para as emissoras. O mais bizarro é que o público gosta deste espetáculo " Jornal Nacional bate recorde de audiência.". As emissoras buscam desenfreadamente audiência e o público gosta de ver tragédias.
  Na última semana tive uma boa conversa sobre este assunto com minha dentista. Chegamos a conclusão de que muitas pessoas sentem-se confortadas pelo simples fato de não estarem ligadas a tragédia. As pessoas veem as tragédias como uma maneira bizarra de saber que estão bem, que há pessoas em pior situação e isso as conforta. Bizarro, mas verdade. As TVs só levam a público aquilo que gera público. 
O mau gosto do espetáculo.
Agora as manchetes dão lugar ao carnaval e a renuncia de Bento XVI e seguindo a onda das redes sociais as notícias estão cada vez mais parecidas com memes.Aparecem, explodem, geram repercussão e com a mesma velocidade que surgem somem sem dar explicações.
Esta charge é bem mais oportuna a ocasião.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Apenas avisando !

  Con ta bai ? Mi ta bon ! Bem pessoal, esse talvez seja um dos motivos de eu estar um pouco sumido daqui.  Conheci o papiamentu, língua falada em Aruba, Bonaire e Curaçao, e gostei muito, achei fascinante a mistura de português, inglês, espanhol e  neerlandês. Então, estou lendo, estudando e assistindo muitos vídeos sobre papiamento, pois a língua não é difícil de aprender. E, como não sei se existem cursos, procurei vários e não encontrei, estou estudando com o material que encontro na net mesmo...
   Não é só por causa do papiamentu que estou um pouco sumido início de ano é uma droga estou preparando posts também, mas para isso preciso ler e ler e ler mais ainda. É isso que estou fazendo. Adianto que o próximo post será sobre um assunto que eu e alguns amigos debatemos no Twitter dias atrás, já peguei material suficiente para isso. Tenho certeza que vocês vão querer saber o que eu acho sobre o "jeitinho brasileiro".
   Então até o próximo post, que não demorará muito pra sair !  Te otro biaha !

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Qual é a graça ?

  Começo este post com o link de um texto que gostei bastante e que serviu de reflexão para mim e de inspiração para que eu escrevesse esse texto.(ver aqui). Achei o texto bem instrutivo e serve de alerta para um problema recorrente na sociedade brasileira: o alcoolismo. 
   Está lá, Lei 9.294 - 15/07/1996. Há quase dezessete anos está previsto em lei a proibição da venda de qualquer bebida alcoólica a menores de 18 anos, mas - e agora parafraseando uma manchete de VEJA - menor e álcool, proibido, mas ninguém liga. E ninguém liga mesmo ! Mas não pretendo neste post salientar os motivos que levam a sociedade a esquecer que tal lei existe. Quero levantar o porquê de todos os adolescentes, todos mesmo, se sentirem obrigados ou tentados a beber. 
  Na primeira saída da vida, qual é o desejo do adolescente ? Beber e só ! Beber por beber. Lendo alguns depoimentos em revistas AQUI e por experiência própria fica comprovado que pessoas menores de 18 anos bebem não por gostar do gosto da bebida, mas pelo social. "Perco a vergonha". "Me sinto outro". "Só é descolado e popular quem bebe nas festas". Frases comuns que são ditas diariamente por jovens para justificar o consumo de álcool. O problema é que os números estão alarmantes. Segundo informações do Centro Brasileiro de informações sobre Drogas Psicotrópicas ( Cebrid) da Universidade de São Paulo, 21% dos jovens entrevistados se embebedaram no último mês e mais, segundo o Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Drogas a  possibilidade de um adolescente que bebe muito e regularmente se tornar um dependente é de 70%.
   Como dito, a coisa está feia. Ao que tudo indica, nós adolescentes, estamos todos carentes, depressivos,  envergonhados  e doidos  para  sermos algo que não somos. Estamos querendo nos mostrar maduros copiando dos adultos um vício e não uma virtude. Para termos "história pra contar", popularidade para esbanjar o que fazemos ? Nos  viciamos e ficamos doentes. Cerca de 6% de toda a bebida alcoólica que é consumida no Brasil é consumida por menores de 18 anos. E eu nem mencionei as inúmeras mortes por acidente de carro. Pais, governo, mídia e, principalmente, nós, jovens menores de 18 anos, devemos entender que não tem graça ficar bêbado para parecer "cool" diante da galera. Até porque, depois o "cool" vai embora e fica a culpa e a lembrança de vexames que você deu pensando estar abalando.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Vamos ser do contra !

  Um dia desses alguém falou assim: "Já viu que o João  é sempre do contra..." Na hora eu ri e nem falei nada ou pensei em nada. Todavia, mais tarde voltei a pensar no assunto. Não é que eu sou mesmo do contra ! Analisando brevemente algumas coisas e o que me disseram e dizem, chego a conclusão de que sou mesmo do contra. E com muito orgulho !
   "O homem superior é aquele que duvida. Eu prego o ceticismo, a dúvida, a interrogação." -  Alberto Dines
  A citação acima muito me agrada, não só pelo fato de ser um fã aberto do Dines, mas pelo seu conteúdo, pelo que ela transmite. Sou abertamente contrário ao conformismo, a aceitação sem a duvida. Acho que todos deveríamos nos perguntar, porquê ? Por que fazemos isto ou aquilo, por que acreditamos nisto ou naquilo. Coisinha simples que pode fazer você ser apenas mais 'um' ou ser 'um' a mais.
   É muito comum ao lermos um jornal ou qualquer coisa que consideremos importante, não questionar se aquilo é ou não do jeito que  está  sendo passado. A grande maioria não tem o hábito de olhar a coisa por outro ângulo ou de se  colocar no ângulo em questão. Sempre que vou ler alguma coisa em jornais já fico com um pé atrás, pois mesmo que não tenha a intenção de manipular sempre vai induzir. Considero a indução pior que a manipulação, porque a manipulação é abertamente manipuladora, é pesada e pronto, é mais fácil enxergar a manipulação. Já aquilo que induz é silencioso, sorrateiro, fazemos sem pensar, sem querer, quando vemos estamos compartilhando de pensamentos que não conhecemos e de caráter duvidoso.
   O problema maior não está nos meios ou nos veículos, mas nas pessoas que não aprendem a ser mais céticas. Acreditar em tudo ou concordar com tudo é bem mais fácil, não é !?
"Um país que aprende a ser cético, esse é o país capaz de ir pra frente." -  Alberto Dines
  É importante ressaltar que ser do contra ou questionador é bem diferente de ser chato por conveniência. Questione sim, mas não seja idiota, por favor !

domingo, 13 de janeiro de 2013

Não deixe 'orkutizar' !

  Por esses dias, um usuário ativo do facebook veio até mim e falou: " nossa, engraçado como o facebook é um espaço em que as pessoas só mostram o melhor delas. Todo mundo quer parecer legal, inteligente, informado, e ainda tem aqueles que querem mostrar que podem comprar várias coisas caras e legais."
  Depois fiquei pensando, não é que ele tem razão ! Fazendo uma breve análise da minha timeline no facebook, chego a conclusão de que o facebook é marketing pessoal e só. Mas aí vão dizer que o facebook tem muita utilidade. Pode-se encontrar pessoas desaparecidas, pode-se encontrar com amigos que não vê há muito tempo, pode-se protestar, pode-se organizar grupos de debate, pode-se isso tudo, mas também pode-se não fazer  nada disso e é isso que, pelo menos a maioria da minha timeline, está fazendo, ou seja, não fazendo nada. " Se por um lado fazem o facebook crescer, por outro, estragam tudo."
  Essas foram as palavras de Mark Zuckerbrg, criador do facebook. Zuckerberg não se refere exatamente ao modo de como, em geral, o brasileiro usa a rede social. Todavia, podemos levar essa frase para o lado comportamental sim. A maioria usa a rede a social como espaço de humor, brincadeira e para o marketing pessoal. Como o brasileiro gosta de se mostrar. É claro, porém, que isso não se aplica a todos os brasileiros que usam a rede social. Eu como usuário acho que ela e todas as suas ferramentas poderiam ser melhor aproveitadas pelos seus usuários. O facebook está  passando de ferramenta de mídia para veículo. Tem e terá uma grande importância na sociedade. Já estragamos o Orkut, será que vamos estragar também o Facebook ? E não, este não é um pensamento elitista que acha que rede social só pode ter gente cult e inteligente. Só acho que podemos fazê-la mais produtiva e por conseguinte nos tornamos menos idiotas. 
  Agora cai muito bem aquele jargão do facebook: fica a dica !

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

De simbiose a burrice generalizada.

  Bem, começo este post com um esclarecimento, já que nem todo mundo sabe exatamente a função do entretenimento. Entretenimento é por definição o ato de entreter. O entretenimento é qualquer ação ou atividade que tenha como objetivo entreter um público, ou seja, o ato de entreter sempre está ligado a busca de uma audiência. É importante destacar também, que o entretenimento não está ligado por definição ou essência a educação, instrução ou informação. Não é próprio do entretenimento educar, instruir, informar ou elucidar . Ao entretenimento é próprio o ato de entreter e nada mais. Acontece uma simbiose entre as funções e objetivos de cada termo, pois estão diretamente ligados ao ser humano e a sociedade como um todo. Dá-se também esta confusão de sentidos porque desde os primórdios o entretenimento é usado como forma de disseminar diferentes formas culturais. Portanto, tais funções foram e são atribuídas ao entretenimento pois ele sempre está ligado ao grande público e a movimentação de massa.

Agora que estamos devidamente esclarecidos, eu espero posso começar efetivamente o post.

  Hoje em dia, graças ao advento da internet, é muito comum notarmos correntes anti-Globo, anti-televisão e blá, blá, blá. O Facebook está enfestado de páginas que falam mal dos canais de televisão, de certos programas de entretenimento e de certos programas informativos. É fato, porém, que os canais de televisão pertencem a grupos empresarias e econômicos, deste modo, vão obedecer aos interesses comerciais, ideológicos, sociais e políticos de seus respectivos grupos. Isto é regra. E não acontece somente com a Globo ou com canais brasileiros, como disse, é regra, vai ocorrer em todo e qualquer canal, como a Warner Chanel, que pertence ao maior conglomerado de mídia do mundo, a TimeWarner. Dito isso, é bom destacar que toda essa reviravolta anti-televisão não aconteceu pelo fato de que os adolescentes do facebook começaram a ler livros como '1984' e 'Fahrenheit 451',mas porque foram induzidos a isso. Por quem ? Ora bolas, pela internet. Por trás de toda essa bandeira underground e mainstream da internet, que diz que todos que assistem televisão são alienados ou ignorantes,existe outro grande emaranhado comercial e econômico tão grande como os grupos econômicos que controlam os canais de televisão. Olha quem é alienado agora. Os números apontam que a televisão brasileira está em crise. Todos os canais de televisão perdem audiência a cada ano. A TV brasileira está batendo de frente com dois fortes inimigos, a internet, que já citei e a TV paga. Olha que irônico, a TV tão criticada, perdendo espaço para a TV. Acho que no caso da TV paga o termo mais adequado seja hipocrisia. Pois a TV tão criticada é a brasileira e não a americana, britânica ou etc... E neste ponto podemos levantar uma questão, o problema não necessariamente é a Globo ou a TV brasileira mas o nosso material cultural.
Li a seguinte frase no texto que foi o estopim para que eu escrevesse este post "mas mano, ninguém mais faz essa porra...só o México." Essa porra da qual falam no texto são novelas. Mas é claro que ninguém mais faz essa porra. Novelas são produtos culturais brasileiros, diga-se de passagem, o maior produto cultural brasileiro. As novelas estão para o Brasil assim como o cinema está para os EUA e os animes para o Japão. Esta gente que se diz não alienada vê filmes, ficam histéricos com season finale de série americana, mas novela é ruim porque é produto brasileiro e tudo que do Brasil é inferior. Assim como as séries e os filmes, novelas são produtos para o entretenimento de massa, todavia, algumas são instrutivas ou educam ou pelo menos carregam explícitas e implícitas mensagens culturais.
 Concordo, porém, quando dizem que a TV brasileira é ruim, pois ela é mesmo. A ;grande maioria dos produtos para o entretenimento são ruins e os produtos que deveriam informar e instruir tem, quase, sempre um caráter manipulador. Mas nem tudo é ruim, há exceções.
   E você que grita mundo a fora que não é alienado, que é mente aberta, que não assiste TV pense se realmente não é alienado ou manipulado, vai ver, você só é condicionado, pelo outro lado da moeda, a pensar que não é manipulado.